Para quem vai curtir a Flip, fizemos uma seleção com os melhores restaurantes de Paraty (e alambiques)

O casario colonial bem preservado é o maior charme de Paraty – Foto de Bruno Agostini

Menos de uma semana depois de ser declarada Patrimônio Natural da Humanidade, junto com a Ilha Grande, Paraty sedia mais uma edição da Flip, a festa literária que é o evento mais badalado do extenso calendário cultural da cidade. (Para ler sobre a conquista do prêmio da Unesco, clique aqui).

A sala de barricas da Paratiana – Foto de Bruno Agostini

Deixamos as crônicas sobre os debates, os livros e demais atividades para os suplementos culturais. Por aqui nossa missão é indicar os melhores lugares para comer e beber em Paraty, a começar pela própria pinga, produto tradicional por lá, tanto que o nome da cidade é sinônimo da bebida mais popular do país – além de ser a primeira Indicação de Procedência de cachaça do Brasil.

O pastel de camarão, bem recheado, do Bar do Chuveiro – Foto de Bruno Agostini

A começar por lá, não. A começar pela estrada, sempre que pego o caminho da Costa Verde eu dou uma parada no Bar do Chuveiro, onde encontro alguns dos melhores pastéis do Rio (dizem que os pratos são bons também, nunca provei).  O nome desta clássica birosca de beira de estrada se deve a uma forte ducha, de água fresca e natural, e que desce as montanhas da Serra do Mar: recomendo o banho fortemente, mesmo no inverno: é rejuvenescedor. Para comer, indico os sabores marinhos, entre os 35 disponíveis (inclusive, de “vento”, e outras 11 doces): siri, mexilhões, camarão com palmito e vôngoles são os preferidos, com a boa pimenta da casa.

O casario do Centro Histórico refletido na poça d’água: imagem típica de Paraty – Foto de Bruno Agostini

Outra parada legal para os que viajam de carro e sem pressa é na Praia de São Gonçalo, onde há um quiosque pé-na-areia, ótimo boas-vindas ao mar da Costa Verde, e barcos que levam até os botecos na ilha defronte. Mas a melhor parada no caminho até Paraty, hoje, é na Praia Grande, onde está a Pousada Catarina e o Quiosque São Francisco. Comida simples e saborosa.

Os “Red Hot Chili Camarões”, destaque do menu do Le Gite – Foto de Bruno Agostini

Outro lugar imperdível também está um pouco afastado do Centro Histórico. Trata-se do Le Gite d’Indaiatiba, lendário restaurante local, encravado na montanha e com vista para a baía, que nasceu do casamento de um francês com uma mineira. O local que também é pousada serve uma comida deliciosa, com pratos famosos, como o ravióli de taioba e o  com molho agridoce de manga e gengibre e os “Red Hot Chili Camarões”, grelhados em azeite perfumado e servidos com  risoto de pitangas, além do “Mafé Senegalês”, prato africano de frango em molho de amendoins, além de ótimo curry de lulas no leite de coco. Feche com a tarte tatin. E não deixe de dar um mergulho na cachoeira. Se nunca foi a este restaurante, não deixe de ir dessa vez. É especial, pela comida, o lugar, o atendimento e o clima caseiro, com direito a biblioteca, rede para descansar…

O camarão casadinho do Quiosque do Lapinha, o melhor: não se pode deixar de provar! – Foto de Bruno Agostini

A poucos passos do pavilhão da Flip, na Praia do Pontal, está o Quiosque do Lapinha, onde encontramos o prato mais emblemático de Paraty, o camarão casadinho, e essa época – logo após o fim do defeso – é a melhor temporada para comer esse crustáceo por lá. Defini assim o petisco: “Ali, Antônio Lapa prepara uma farofa de camarões miúdos, com pimenta, cebola e cheiro verde. A seguir, corta pela barriga dois daqueles camarões enormes e os recheia com a farofa, juntando os crustáceos, que são presos por palitos e depois fritos. A mesma farofa molhadinha recheia ótimas lulas. Para provar uma cozinha caiçara autêntica, simples e saborosa, não há lugar melhor. E a comida vem sempre acompanhada da prosa também saborosa do Lapinha, que, ainda por cima, serve cerveja gelada… E um ótimo peixe frito.”  Nunca deixo de ir até lá quando estou em Paraty, pela comida, a proximidade do Centro Histórico, os preços.

Um dos quartos da Pousada Literária: boa opção para se hospedar ou apenas comer, no restaurante Quintal das Letras – Foto de Bruno Agostini

Batizada em homenagem à Flip, a Pousada Literária além de ser uma das mais recomendáveis da cidade, uma propriedade antiga e bem conservada, com lindo jardim, em pleno Centro Histórico, tem um restaurante aberto ao público e voltado para a rua. O Quintal das Letras, sob o comando do chef  Bertrand Materne, recebe ingredientes frescos da Fazenda Bananal.

Fazenda Bananal, na estrada Paraty-Cunha: reinaugurada em 2017 – Foto de Bruno Agostini

Este é um projeto sócio-ambiental mantido pelos sócios da pousada (família Marinho, do grupo Globo), onde encontramos outro dos melhores restaurantes da cidade, além de várias atividades de cunho agroecológico (visita obrigatória). Para saber mais sobre a Fazenda Bananal, clique aqui.

A padaria do Margarida Café: charme no casarão antigo – Foto de Bruno Agostini

No Centro Histórico de Paraty encontramos uma imensa quantidade de restaurantes. Mas, cuidado, você pode pagar caro para comer mal. O mais simpático é o Margarida Café, que abre pela manhã, onde encontramos bons pães, quentinho, e sempre uma boa pedida para cappuccinos e afins.

Nas minhas últimas visitas o restaurante que mais gostei ali no casario antigo foi o Bartholomeu, na pousada de mesmo nome, incluindo aí a sua versão carnívora, chamada “Cozinha Primitiva”, com agradável espaço junto à Praça da Matriz. Posso dizer sem medo de errar de que se trata de um dos melhores lugares do estado do Rio para comer carnes, que são assadas na lenha (há defumados caseiros, como costelinha de porco). Pescados também não decepcionam. (Nota do editor: estamos procurando as fotos que temos de lá mas ainda não encontramos).

O Banana da Terra, da chef Ana Bueno: referência da gastronomia local – Foto de Bruno Agostini

O restaurante mais famoso do Centro Histórico, porém, é o Banana da Terra, da chef Ana Bueno, que agita a cena gastronômica local, organizadora do evento Folia Gastronômica, que acontece em novembro (esse ano ela deixou o posto, para a comunidade). Lugar lindamente agradável, tem um cardápio que trata a cozinha caiçara com olhar moderno e acolhedor.

Pratos flambados na pinga; especialidade da Casa do Fogo – Foto de Bruno Agostini

Com a proposta original de ser uma cozinha baseada em pratos flambados na cachaça, A Casa do Fogo é um endereço certeiro. A comida é saborosa e original, e vem ganhando destaque, com pratos como palmitos e camarões, finalizadas no fogo da bebida, e chamando a atenção dos frequentadores no salão.

A costela assada lentamente: melhor pedida no Sancho Pança – Foto de Bruno Agostini

No caminho para Cunha os carnívoros encontram outra excelente opção além do Bartholomeu: trata-se de um restaurante histórico, Sancho Pança, que serve uma costela bovina digna de nota, com purê de aipim que deixa saudades.

————————————- A PINGA  ————————————

O alambique da Paratiana, aberta a visitas – Foto de Bruno Agostini

Voltando ao começo… Paraty é sinônimo de cachaça, e já foi tem em que havia mais de 300 alambiques na cidade. Hoje devem ser pouco mais de dez, com o recente aumento no interesse pela bebida. No Centro Histórico há pelo menos cinco lojas especializadas (dizem que todas do mesmo dono, com repertório de rótulos e preços similares).

Na estrada para Cunha (cidade paulistana que vale a visita, e que pode ser uma opção de pernoite no retorno, pegando então a Via Dutra) estão alguns produtores, e vale visitar alguns.  O pequeno e premiado Engenho d’Ouro, próximo à Igreja de Nossa Senhora da Penha, no acesso a algumas das melhores cachoeiras do pedaço, produz além de cachaças – algumas maturadas em carvalho francês – uma versão do arak, destilado árabe temperado com anis.

Alguns dos rótulos disponíveis para degustação na Paratiana – Foto de Bruno Agostini

Com boa estrutura de visita, a cachaça Paratiana é parada obrigatória para os que têm interesse na bebida – e mesmo os que não têm. Ali podemos dar a sorte de sermos atendidos pelos mestres de alambique, durante a produção, e os atendentes mostram conhecimento sobre a cachaça, com boas informações sobre a produção, as diferentes madeiras. Vale provar as amostras disponíveis. Para mim, a campeã foi justamente a mais barata, se não me falha a memória; trata-se da Mulatinha, uma branquinha pura, sem passagem em madeira, deliciosa, com sabor de cana fresca, perfumada. Uma verdadeira delícia, que custa menos de R$ 30, e entrou para a minha lista de pingas preferidas, sendo provavelmente a mais barata delas.

 

 

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