Vinho da semana: Quinta dos Roques Encruzado 2016

Bacalhau não é peixe, como dizem os portugueses. É mesmo um ingrediente não só versátil e delicioso, mas também muito parti cular – até polêmico.
E uma das perguntas que mais escuto em relação a harmonização de vinhos e comida – até porque temos hábito de consumo do Gadus Mohua e suas variações  mentirosas (e, por mim, dispensáveis, incluindo o Gadus Macrocephalus: é tudo apenas pescado salgado seco) – é essa: bacalhau vai melhor com branco ou com tinto?
A resposta tenho na ponta da língua, e já pratico o desafio há mais de 15 anos: para mim, tanto faz se é branco ou se é tinto, mas que seja um vinho português, e de preferência do Dão. Funciona também com rótulos de Lisboa e do Alentejo, da Bairrada e do Douro, e também com os vinhos verdes, de várias matizes. Já provei bacalhau com vinhos de todo o mundo, e essa harminização também já deu certo com vinhos brasileiros mais leves e menos alcoólicos, com a linha Almadén, da Miolo, das grandes escolhas em termos de custo-benefício em nosso mercado. Por outro lado, é preciso alertar: é bom evitar vinhos muito tânicos: já fui vítima de harmonizações desastrosas com exemplares chilenos e argentinos, e até mesmo com vinhos “parceiros da boa mesa”, como um bom Chianti Classico.
Baccala mantecato do Alloro, por Renato Ialenti – Foto de Bruno Agostini
Na dúvida, vá no Dão. Tanto faz se um Encruzado ou um tinto, seja um Touriga Nacional 100%, seja em cortes com outras uvas locais, como Jaen e Tinta Roriz).  No caso de receitas baseadas no azeite, eu tendo a gostar mais dos tintos. Porém, nas versões cremosas, como o português bacalhau espititual, ou o italiano baccalà mantecato com polenta, eu vou quase sempre preferir os brancos feitos com a uva Encruzado. Como o excelente Quinta dos Roques, que se não me engano foi o primeiro Encruzado que bebi (ou menos, que me fez prestar atenção a essa uva de maravilhosa expressão, de sua casta e sua região).
Quinta dos Roques Encruzado 2016: R$ 221,10 no site da Decanter – Foto de Bruno Agostini
Vinhaço, com estrutura, equilíbrio e profundidade, com precisos 13% de álcool. E o que isso quer dizer? Que é untuoso e ao mesmo tempo fresco, amanteigado e cítrico; é elegante no perfume e na boca, com álcool, acidez e corpo em perfeita harmonia, e tem um final longo e persistente. E ainda por cima é um vinho “glou glou”, desses que descem fácil, e quando vemos a garrafa já acabou – especialmente se estamos à mesa, comendo bacalhau.
Custa R$ 221,10 no site da importadora, a Decanter.
Provei esse vinho pela última vez ao lado do amigo Celio Alzer, das opiniões mais respeitáveis neste universo, que resumiu: “É o melhor Encruzado que temos por aí, que belo vinho”, disse.
Concordo, mestre.
SERVIÇO
Encruzado Quinta dos Roques Dão: R$ 221,10 no site da Decanter.
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