Paraty, agora Patrimônio Cultural e também Natural da Humanidade é o destino turístico mais completo do Brasil

O casario colonial bem preservado é o maior charme de Paraty – Foto de Bruno Agostini

Acho que já faz uns 15 anos que eu digo uma coisa: Paraty é o destino turístico mais completo do Brasil. Começando pelo que a UNESCO acaba de reconhecer: é patrimônio mundial cultural/histórico (já faz tempo) e natural (declarado ontem). Porque além de ter aquele centro colonial antigo e bem preservado também guarda um rico acervo ecológico, reunindo mar e montanha, praia e floresta, rio e baía.

A Serra do Mar, os barquinhos, a arquitetura: paisagem natural foi tombada ontem pela UNESCO – Foto de Bruno Agostini

Quase toda a totalidade de seu território é reserva ambiental (fora a arquitetura tombada). Quer praia virgem? Tem. Quer fazer trilha? Pode. Quer quiosque pé na areia? Existe. Quer pousada charmosa? Também tem. Hotel-fazenda?  Tem também. Passeio de barco, cavalgada, canoagem… Fora a tradição na produção de pinga, também produzem cervejas artesanais. Nos restaurantes encontramos boas adegas, pros enófilos. Ah, claro: a gastronomia caiçara igualmente é destaque: camarão casadinho, peixe com banana, manuê de bacia, e por aí vai. Tem artesanato. E galeias de arte – deve ter a maior concentração de artistas plásticos do país. Tem até harpista tocando na rua, e pintor fazendo seus quadros ao ar livre. Produção de farinha de mandioca é relevante e de alta qualidade, assim como o palmito nativo, hoje coletado de modo responsável. Há excelentes restaurantes e bares, alguns só acessíveis de barco. Come-se bem por lá.

Centro Histórico enfeitado graciosamente para a Festa do Divino – Foto de Bruno Agostini

Turismo rural, turismo ecológico, turismo histórico/arquitetônico, turismo religioso, turismo gastronômico e etílico, turismo de luxo, albergues baratos, campings… Podemos dormir em uma ilha, ou em um barco – onde também podemos almoçar. Tem marina e resort. Tem quilombo e tribo indígena. Comunidades místicas. Cachoeiras. Esportes radicais. Fora as festas. Existem as religiosas (Festa do Divino, Procissão do Fogaréu na Semana Santa, Festa de São Benedito e muitas outras) e as culturais (Flip, festivais os mais diversos: de jazz, de fotografia, Mimo, da pinga, Encontro da Cultura Negra, Folia Gastronômica, do Camarão). Tem o Teatro de Bonecos. Sem contar coisas que no momento eu me esqueço. De modo que ao longo do ano, quase toda semana acontece algo diferente.

O tradicional grupo de Congada de Cunha desce a serra para se apresentar na cidade – Foto de Bruno Agostini

Até o carnaval tem seus atrativos bem particulares, como o Bloco da Lama. Também não posso deixar de lembrar, é claro, dos grupos culturais: de congada (de Cunha, mas eles se apresentam lá na Festa do Divino) e de ciranda (e seus herdeiros da Ciranda Elétrica, espécie de mangue beat paratiense). Some-se a isso a presença de brasileiros de toda a parte do país, e estrangeiros de todo o canto do mundo. Eles abrem bares e restaurantes, pousadas, e contribuem para a riqueza cultural da cidade. Há histórias e lendas de pescadores, mascates e bandeirantes.

Como eu amo Paraty. Que, aliás, é sinônimo de cachaça consagrado pelos dicionários e pelo samba (de Noel Rosa): “Vestiu uma camisa listrada e saiu por aí/ Em vez de tomar chá com torrada ele bebeu parati”.

Fora isso tudo, é um lugar lindo e fotogênico.

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