Vinho da Semana: Vinhética Sauvignon Blanc, maturado em jequitibá-rosa

Vinhética Sauvignon Blanc 2019: maturado em jequitibá-rosa – Foto de Bruno Agostini

Enólogo da vinícola Guatambu, na região da campanha Gaúcha, o francês Gaspar Emmanuel Desurmont é dos mais talentosos do Brasil. Além do trabalho que faz na fazenda localizada em Dom Pedrito ele também faz trabalhos paralelos, como na Vinhética – que faz um dos melhores vinhos rosados do Brasil (sem deixar de dizer que também gosto bastante de seu branco, seus tintos e espumantes).

ATUALIZAÇÃO:

Recebi a seguinte mensagem, que está na caixa de mensagem, e pelo desculpo pelo equívoco.

– Olá! Percebi um erro no texto sobre Gaspar Desurmont:ele nunca foi enólogo na Guatambu Estância do Vinho!Ele é nosso amigo e vinificamos para ele alguns vinhos,somente isso. Atenciosamente, Nara Hermann Potter.

O vinho, o sanduíche de milanesa e o lobster roll: casamento perfeito – Foto de Bruno AgostiniJá havia provado a linha inteira produzida por ele. Mas o que mais gostei só fui apresentado na semana passada, no Irajá Redux, das melhores novidades da temporada. Assim como o Sauvignon Blanc, que conheci pelas mãos sempre certeiras da sommelière Julieta Carrizo – que acertou na escolha do vinho, que ficou lindamente harmonizado com o sanduíche de milanesa (muito bom) e com o lobster roll (incrível).

Fresco, elegante, mineral, com acidez no ponto e parecendo muito versátil com a comida. Acho que iria bem com receitas de porco, variadas, com pratos asiáticos, de uma maneira geral e especialmente sushis (queria ver com gaspacho e com receitas de mariscos: o vinho deve ser ótimo na cozinha também, em refogados e marinadas).

Dos melhores brancos do Brasil, seguramente. Um Sauvignon Blanc com pedigree, que sem saber ainda do que se tratava, me levou até o Loire, mas é um “vinho de altitude”, produzidos com uvas colhidas na Serra Catarinense, melhor terroir para esta casta no país.

Casa Irajá Brut, por Adolfo Lona, com a participação de Julieta – Foto de Bruno Agostini

– Foi um experimento do Gaspar deixar o vinho sobre as (lias) borras em diferentes barricas de madeira local. Ele testou em jequitibá, araucária e grapia. Quando estive lá, ano passado, provamos as três, e realmente a que estava mais original, que inclusive ficou um tanto rústico, para não dizer complexo foi a grapia. Eu uso ele no “passeio de vinhos”, que é opção para “flight” que temos no Redux.  Sirvo quatro vinhos experimentais com o intuito de apresentar coisas inusitadas para o cliente (por R$ 94, quatro taças) – conta a sommeliére, que cuida ainda dos três vinhos da casa: um espumante (feito por Adolfo Lona), um branco e um tinto (produzidos pela Dom Abel).

Mais surpreendente é saber que o vinho passa por madeira brasileira, jequitibá rosa, que aparece com muita discrição, dando sutil untuosidade e arredondando o conjunto.

Custa R$ 106 no site da Cave Nacional, ótima enoteca e bar em Botafogo, de rótulos brasileiros, onde o vinho pode ser encontrado (Rua Dezenove de Fevereiro 151; tel. 2146-5334).

 

2 commentários
    1. Oi. Desculpe, vi ele vinificando lá e fiz a óbivia constatação (equivocada). Desculpe, vou consertar (tinha me esquecido, estava dedicado a escrever um livro nas últimas semanas).

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