A caminho da Sardenha

A Sardenha me conquistou antes mesmo de visita-la, primeiro por conta de suas paisagens arrebatadoras, com um litoral dos mais lindos do mundo, com praias preservadas de águas claras, dessas que fazem jus a definições do tipo “paradisíaca” ou  deslumbrante. Mas, para ser sincero, como sempre acontece comigo, a Sardenha me  fisgou mesmo foi é pelo estômago. Eu já havia experimentado pratos e vinhos sardos, na Itália, no Brasil e em outros países, de fregola e pecorino, a Vermentino e Vernaccia.

Componidori, para encerrar – Foto de Bruno Agostini

Essa coisa de ser uma ilha montanhosa lhe rende trunfos gastronômicos invejáveis. De iguarias marinhas preciosas, como a sua bottarga, e toda a sorte de peixes e frutos do mar;  até chegar aos sabores cultivados no alto de suas colinas, o rebanho de ovelhas e carneiros que entregam queijos e carne muito especial, com tempero natural da relva fresca que lhe alimenta – e que vira churrasco, acomodado sobre folhas de mirto, planta que também vira o mais famoso licor ilhéu.

Vôngole al Vernaccia, para começar – Foto de Bruno Agostini

Sorte mesmo eu dei foi em conhecer o sardo Silvio Podda, chef e sócio da Casa do Sardo (e também da trattoria e da padaria-sorveteria, todos na mesma Rua São Cristóvão, no bairro imperial de mesmo nome). Silvio é um nobre, grande cozinheiro e um excelente parceiro à mesa, sempre contando histórias de sua terra natal, deliciosamente pitoresca, bonita na forma e no conteúdo.

O pargo, segundo ato do menu al Vernaccia – Foto de Bruno Agostini

Como escrevi outro dia, anunciando a viagem que começa hoje.

Tiramisu impecável, dos melhores da cidade, com mascarpone caseiro – Foto de Bruno Agostini

“Pureza e simplicidade, uma busca intensa dos melhores ingredientes, uma cozinha que tem um olho no mar e outro nas montanhas, um cardápio Mediterrâneo em sua essência. Assim são os pratos da Sardenha, tão bem representados no restaurante do amigo Silvio Podda, a Casa do Sardo, em São Cristóvão, um lugar onde me emociono a cada visita. Sejam as vôngoles e pargos preparados ao vinho Vernaccia, sejam as receitas com bottarga, as massas com molhos marinhos, de peixes e frutos do mar, os queijos e embutidos, a fregola e outros produtos típicos, tudo regado aos melhores vinhos sardos. Posso dizer, assim, que este é dos meus lugares preferidos no mundo.

Imagine depois da viagem que faremos para a Sardenha, com início no próximo domingo, dia 24. Produtores de vinhos e alimentos, pastores de ovelhas, pescadores, e até mesmo um jogo de futebol (Cagliari x Inter de Milão) estão no roteiro, que ainda pouco sei, pois o amigo que me guia nessa jornada que promete ser incrível está fazendo mistério, quer surpresa de minha parte, e estou achando legal isso, eu que sempre programo meticulosamente minhas viagens, desde 2001, quando comecei a escrever sobre viagens, comidas e bebidas.”

 

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