Cedilha Bar: no térreo do Janeiro Hotel, no Leblon, espaço tem menu da chef Morena Leite e foco na coquetelaria

Kafta de camarão com molho picante de amendoim: harmoniza com Bloody Mary – Foto de Bruno Agostini®

Antes mesmo de existir o Bar da Frente, na Praça da Bandeira, já havia o Bar do Lado, no Leblon. Do lado de fora. Do lado do agito. Do lado da praia. Ficava no térreo do hotel Marina, voltado para a Bartolomeu Mitre, e reunia uma galera jovem, atraída pela combinação de clima informal e comida realmente boa, mas também descontraída, tudo embalado por drinques de boa qualidade, e champanhe para quem quisesse. O Marina, como se sabe, fechou.  Ou mudou de nome, melhor dizendo. Se renovou. Em seu lugar, nasceu o Janeiro hotel, que mantém o DNA carioca de seu antecessor – na verdade, parece ser uma evolução natural.  Até porque, Carlos Werneck continua sócio, agora junto com outro empresário de sucesso, o diretor da Osklen, Oskar Metsavah.

A parceria deu liga, assim como a kafta de camarão no palito, com massa uniforme, bem temperada e grelhada no tempo exato para dar aquela tostadinha, mas sem ressecar, servida com molho picante de amendoim. Ficaria comendo isso a tarde inteira.

O cardápio é globalizado, mas com jeitinho carioca, passeando por todo o Brasil, mas com cheirinho de Bahia. Deu para entender? Para a cozinha, convocaram Morena Leite, do Capim Santo, que montou um menu bem variado, que realmente atende a todos os gostos e tamanhos de apetite.

Mais pimenta na Maria Sangrenta – Foto de Bruno Agostini®

No quesito petiscos, os pratos são sempre facilmente reconhecidos, mas sempre com uma bossa aqui, outra ali – caso da kafta, que tem um pouco de Oriente Médio, Tailândia e Mediterrâneo. Dá muito certo essa mistura. Assim como ficou lindamente delicioso com o Bloody Mary, que pedi caprichado na pimenta, como sempre faço. (Aliás, ali o melhor a se fazer ali é se dedicar aos drinques, e a casa merece até algum outro post, tanto na coluna De Bar em Bar, publicada às terças, cujo tema é óbvio no nome; ou ainda, aos sábados, na Cozinha em Revista, quando destaco alguma refeição que tenha me agradado acima da média).

Como dizíamos, a brasilidade permeia todo o menu, com pratos bem construídos e pensados. O pastel, é de moqueca de siri, enquanto a coxinha tem massa de banana e vem com vinagrete de pequi, mas o recheio é de frango mesmo.

A Bahia surge ainda em outras boas pedidas, como a tapioca crocante com vatapá de frutos do mar. Veganos não foram esquecidos, e há opções, como a tosta de baba ganoush no de pão de fermentação natural,  com cogumelos marinados, requeijão vegano de inhame, tomatinhos grelhados e folhas de rúcula.

Numa casa com este perfil jovial e descontraído, não poderia faltar um bom burger, e ele está lá, com blend de fraldinha, mignon e costela, preparado com queijo meia cura, bacon crocante e cebola roxa caramelizada (além de fritas rústicas ou salada, e dois molhos à parte: ketchup de brasa e aioli). Para os vegetarianos, eles lembram Alceu Valença, pernambucano mas histórico morador do Leblon, onde vive há décadas: fazem burger com carne de caju, que poderiam batizar de Morena Tropicana: “Pele macia, é carne de caju / Saliva doce, doce mel, mel de uruçu”.

O que se chamaria em outra lugar “Saladas” ali ganha um nome bem brasileiro: “Cumbucas”, palavra sonora e gostosa, de origem tupi, um recipiente indígena, usado para guardar alimentos, ou mesmo para servir ou comer, como se fosse prato.

Falando em prato, chegamos na seção dos principais. Vou ter que voltar. Porque quem me levou ali, para um encontro rápido, foi o designer Guilherme Junqueira, fundador da cachaça Cãna, que hoje já encontramos em quase todos os melhores bares e restaurantes do Rio, excelente para ser apreciada sozinha, mas excepcional para a preparação de drinques, por sua textura e perfume elegantes, mas com presença marcante do sabor da cana-de-açúcar.

Mergulho, novidade na carta: cachaça Cãna, solução salina e tomilho – Foto de Bruno Agostini®

Fomos lá provar o Mergulho, um drinque que estava em testes, para entrar na carta de drinques, o que aconteceu. Um preparo com certa ousadia, que traz o sal do mar que está ali a poucos passos para dentro do copo. Surpreende. Gosto de drinques “comestíveis”, com pimentas, especiarias, ervas e toque de sal, além de guarnições como aipo, tomatinhos, bacon, azeitonas e alici, por exemplo.

Nem deu tempo de comer nada naquela noite, mas deu vontade.

Dias depois, um encontro que imaginei durar duas horas se encerrou em menos de 60 minutos. Opa… Dá tempo de ir no Cedilha comer algo, rapidinho, antes do próximo compromisso.

– Guilherme, vou lá no Cedilha. O que sugere que eu peça? – perguntei no WhatsApp.

– Braseado. É incrível – disse ele.

Fiquei tentado, mas achei que para aquela tarde de sexta, tão cheia de compromissos (o próximo, seria degustação de vinhos e cervejas com pratos alemães no Herr Pfeffer, meu bar preferido, ali perto), seria um início exagerado. O prato é forte, um blend de costela e peito de boi servido com purê de aipim, tropeiro carioca e salada de pupunha com abobrinha, me pareceu tão sedutor quanto grande demais para a ocasião. Mas isso é mole de resolver. Volto logo. Daí, o braseado não me escapa.

* A coluna Cama & Mesa é publicada às sextas. Para ler as outras, clique neste link.

SERVIÇO
Cedilha Bar: Janeiro Hotel, Av. Bartolomeu Mitre 15, Leblon. Tel.: 2172-1100. Instagram: @cedilha.bar @janeirohotel Site: janeirohotel.rio/bares-restaurante

 

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