Ler é viajar, viajar é sonhar (e vice-versa)

Mise en place para fazer uma salada niçoise, em Nice. Delícia (Legenda original. Postada no Facebook em 1/8/2013) – Foto: autor que não me lembro, mas provavelmente o Ricardo Bueno Hida

Não sabemos quando, mas vamos voltar a abraçar as pessoas, a sair para comer fora, a viajar.

Fiquei um bom tempo sem reação, como quase todo mundo. Trabalhos cancelados, contas a pagar, não. Saudades de tanta gente e de tantos lugares. De comidas que não sei reproduzir em casa. De escrever e fotografar.

Escrever e fotografar pra mim é remédio. Projetos interrompidos, aí veio a questão: o que fazer? Como um site de turismo e gastronomia pode se comportar numa hora dessas, nessa crise inesperada e sem precedentes.

Primeiro, fui no caminho mais óbvio. Focar em divulgar os restaurantes que mais gosto e que estão entregando comida – muitos estão fechados (e outros já anunciaram que sequer abrirão: a se lamentar).

O segundo passo foi inspirado na atitude de chefs e outros profissionais do ramo, que estão divulgando receitas, técnicas culinárias e outros fundamentos básicos da cozinha para o povo que está dedicado a fazer comida gostosa em casa.

Mas e a parte das viagens?

Viagem é sonho, é inspiração. Quando a gente abre uma matéria de turismo não necessariamente estamos planejando ir a algum lugar – do mesmo modo que se eu for ler uma reportagem sobre uma Ferrari não signifique que um dia eu queira (ou imagine que poderia) comprar uma. Ler é viajar.

Claro que o prazer maior de um escritor de viagens é receber mensagens do tipo: nossa, li seu texto, e estou morrendo de vontade de ir para lá. Do mesmo modo que, quem escreve de comida e de bebidas, também recebe uma carícia sem tamanho do leitor que diz: “quero comer esse prato”, “quero visitar esse restaurante”, “quero provar esse vinho”, “quero passear por essa região vinícola”.

Um dia, sim, poderemos voltar a fazer isso. Por ora, podemos sonhar.

Então, pensei. Vou voltar a escrever sobre as viagens que já fiz. Vou também resgatar, reeditar e atualizar reportagens antigas. Também vou postar no site textos que estava guardando para publicar em jornais e revistas, e em livros que ainda estou preparando. Ainda que ninguém leia, esse é o trabalho que me faz bem.

Na quarentena, sozinho em casa, saio viajando pelo mundo. Comendo e bebendo por aí, conhecendo gente bacana, revisitando amigos que esse trabalho a vida me deu. Tantas boas lembranças: pessoas, lugares, sabores, perfumes, texturas, luzes, cores, formas, conteúdos, amores e paixões. Memórias que são puro deleite. Pura alegria.

Voltei a ler poemas que há tempos não lia. A fazer pratos que há muito não fazia. E a ver coisas novas, e testar novas receitas. A sonhar em voltar aos lugares preferidos de sempre, e também a visitar novos que ainda não sonhara.

Tudo mudou. Este site que andava abandonado voltou a sorrir.

Bom apetite. Boa viagem. Bons sonhos.

Saúde!

O sketch da tábua: reunião de amigos

P.S. – O resgate do site já era um processo em andamento. A foto, quem descobriu nos cafundós do Facebook , foi meu amigo de escola Sergio Donatello Devide Antunes, arquiteto criativo e competente,  e gente boa, como já era nos tempos de Colégio São Paulo. Como prova das voltas que o mundo dá, estamos lançando hoje um projeto que começamos a desenvolver no final do ano passado: a criação de peças de cozinha, com design exclusivo e elegante, funcionais, harmoniosos e funcionais. Além de lindos.

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