Vinho da Semana: os rótulos cariocas com DNA gaúcho da Família Brito

Dourado: um Chardonnay Gaúcho com DNA carioca – Foto de Bruno Agostini®

Quem me apresentou à família Brito pela primeira vez foi a amiga Sálua Bueno, em uma de suas casas, Juliette Bistrô. A empresário está sempre atenta aos pequenos produtores, aos vinhos exclusivos, de pequena tiragem, e é ótima fonte de informação.

Eles abrilhantaram o almoço, através de um Chardonnay agradável e fácil de beber, com rótulo bem descontraído, assim como parte dos demais, fazendo referências ao Rio através de desenhos coloridos – no caso, o Pão de Açúcar, monumento natural que, convenhamos, combina com uma garrafa de Chardonnay. Era, no caso, o 2020, de dourada como se vê na foto.
Ficou uma ótima impressão desta vinícola, que só meses mais tarde vim a saber é de um casal carioca: Renata e Fabrício Brito, os próprios.
Ele é lutador, e virou empresário no ramo, chegando a patrocinar com sua marca de quimonos, Brazil Combat, lutas no UFC. Com a mulher, sommelière, ele fundou a a distribuidora Invinito, voltada à produção nacional de grandes marcas, como Miolo e Pizzato.
Daí, em sentido oposto, começou a produzir os seus próprios, desta vez em pequena escola, com rótulos que podem ter apenas 600 garrafas no mercado – e vale ir atrás deles, em lojas como Dom Luiz, na Cobal do Humaitá, e Armazém Urbano, na Barra, além de alguns dos melhores restaurantes do Rio, como o italiano Sult, o peruano Lima, o francês Juliette Bistrot e a Cave Nacional, maior variedade de vinhos nacionais em todo o Brasil, uma loja com excelente cozinha, um lugar a se conhecer, #vaipormim.
O refrescante rosé da Família Brito – Foto de Bruno Agostini®
No mês passado fui ao Sult, em Botafogo, dos meus restaurantes preferidos na cidade, para uma noite para lá de agradável, com a presença de amigos que não via há tempos, como Rogério Dardeau, das grandes autoridades em vinho brasileiros, e autor de livros sobre o assunto, e Roberto Hirth, a quem tenho a sorte de sempre encontrar.
Fora isso, é sempre rever a turma desta casa, meu irmão Nelson Soares, e sua equipe, liderada por Juan Manual Prada, “el oriental”, apelido dos uruguaios,  no salão, e Germán, “el portenõ y gallina” (ou seja, argentino de Buenos Aires, e torcedor do River), na cozinha. Timaço.
Além de tudo, foi excelente conhecer o Fabrício e a Renata, que fazem vinhos com sinceridade, o que se reflete na bebida. São vinhos bem acabados, com boa fruta e acidez na medida, com equilíbrio, frescor, e bem adequados à uma boa mesa, regada a boa comida e conversa agradável.
Foi assim que transcorreu o jantar.
Lulinhas deliciosas acompanharam bem os vinhos iniciais – Foto de Bruno Agostini®
De uma maneira geral, gostei de várias coisas: começando por serem vinhos focados na fruta, e gastronômicos, com boa acidez. Não vão atropelar a sua comida com arestas de madeiras em excesso, ou álcool em demasia – ficam entre 12% e 13%, uma excelente faixa, em minha opinião, e questão de estilo, no caso deles.
Me agrada a maneira como eles tratam a Pinot Noir, que aparece num espumante muito agradável, e num rosé delicado, assim como o tinto, lançado não faz muito tempo, e que leva o nome de Arpoador.
Não posso deixar de lembrar do suculento e apimentado corte de Moscato Giallo, Sauvignon Blanc e Chardonnay.
Foi com essas três belezuras nas taças que recebi a sorte de comer um salteado de lulinhas que amoleceu meu coração, pura ternura em forma de comida, algo que é a cara do Sult. Havia tomatinhos, e em caldo de vinho branco, azeite, salsinha e muito alho, algo que vem se tornando marca registrada da casa, que aparece em outras receitas marinhas, com nos notáveis sururus e lambretas, servidos em forma de aperitivo, para compartilhar, ou como prato, com alguma massa.
Já o Corcovado é  Malbec, cheio de fruta, característica desses vinhos, de fato de pouco intervenção, e com assinatura: é fácil notar que o casal se envolve de fato na produção.
– Estava falando há pouco com o enólogo e amigo, de uma das vinícolas com as quais eu trabalho. Ele já me disse que está com um Cabernet Franc, para fazer um blend, com algumas uvas de Caxias do Sul, e outras da Campanha Gaúcha. Deve demorar uns seis meses em barrica. Estou organizando, para o futuro, um corte bordalês, com todas as uvas da região francesa, a ideia é essa. E estou vindo também com um Sauvingon Blanc e um Chardonnay, ambos sem nada de barrica, bem frutados, bem frescos, com essa pegada aí, safra 2022. E estou esperando a segunda amostra de um espumante rosé, todo de Pinot Noir. Para não ficar fazendo toda hora a mesma coisa. A gente tem que inventar coisa nova. É claro que um vai gostar mais de um, outro mais de outros. E tem também um espumante rosé de Malbec, é por aí mesmo – disse-me o Fabrício, que vai à luta, e à cave.

 

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