Uma carta para Mr. Miles: um passeio pelos portos do mundo

Navio de cruzeiro em Búzios – Foto de Bruno Agostini

Tive a sorte de viajar algumas vezes com Mr. Miles, o colunista de viagens (do Estadão), grande personagem deste mundão de viajantes. Estivemos na Borgonha, em Praga e outras gostosas paragens. O fidalgo inglês, “o homem mais viajado do mundo” é um amigo querido e admirado, de humor fino e inteligente, e com grande conhecimento de causa, lendário editor e criador de grandes magazines de viagem. Ele está com seu novo portal (http://mrmiles.com.br/), e como sempre, os cruzeiros e esse universo aquático de turismo, é dos focos, e ele me escreveu, sugerindo um texto sobre isso. Escrevi assim.

 

Caro Mr. Miles, my dear friend.

Nos meus anos de viajante esfomeado e sedento participei de muitos cruzeiros, do Pantanal a Dubai e os Emirados Árabes, e alguns pelo Caribe e o litoral brasileiro, e também pelo Caribe, of course.

Não restam dúvidas de que a comida de bordo melhorou muito nos últimos anos, mas deixo sempre para jantar no navio, e almoçar na rua, quando não estamos em navegação. Por isso, logo que desembarco – ainda de manhã – já vou pensando onde vou tomar um café – ainda no porto – e o que comerei no almoço e no lanche, e qual será o local da happy hour.

Para sorte de viajantes marinheiros, como nós, os portos são locais excelentes para se dedicar à exploração das iguarias locais, e muitas vezes fico o dia inteiro por ali mesmo, só espiando o movimento dos pescadores, e observando os restaurantes que estão com os pescados mais frescos – isso, claro, depois daquela lista prévia que preparo para qualquer viagem.

Alguns portos onde estive são marcantes, e posso lhe dar algumas sugestões.

Salada niçoise, especialidade nascida no porto de Nice, na França – Foto de Bruno Agostini

Por exemplo.

O porto de Nice, na França. Que lugar maravilhoso para se dedicar aos pescados: niçoise, bouillabaisse. Merci, thanks, God.

Cagliari e Alghero, duas importantes cidades portuárias da Sardenha, ilha Mediterrânea onde fiz memoráveis refeições baseadas em pescados. Fora os leitões e cordeiros.

La Madia: sardinhas cruas e gelatina de água do mar, com maionese de ovas de peixe – Foto de Bruno Agostini

E o que posso dizer da madrugada em que cheguei, ainda escuro, no porto de Catânia, na Sicília, onde comi pizza de 50 centavos de euros (pequena, claro) com estivadores e pescadores, e onde provamos peixe cru de café da manhã, as a test drive. Licata, onde está o La Madia, um restaurante que segundo o seu chef, Pino Cuttaia, só poderia existir ali, numa pequena cidade pesqueira.

Mallorca, na Espanha, tem um porto imponente, cheio de bons bares para tomar uns tragos e comer umas tapas. Tudo com aquele cenário medieval pedregoso.

E a cidade do Porto? Com seus barcos rabelos e as casas do vinho fortificado mais incrível do mundo, e o festival de marisqueiras…

A comida crioula dos portos do Caribe, suas pimentas e temperos aromáticos. Suas casas de rum. Uma loucura.

E, ainda que não haja mais navios de cruzeiros zarpando de lá, o porto de Londres é certamente um dos melhores lugares do mundo para bons bebedores como nós, do you agree?

Numa parada em Noronha, comi bolinho de tubalhau: ou seja, de tubarão seco como o Gadus Mohua, iguaria local.

E o Porto de Belém, como o Ver-o-Peso e os mercados adjacentes, Brasil profundo, lindo, colorido, aromático e delicioso.

Já fiz cruzeiro fluvial, de um, dois e três dias. Ou algumas horas. Um deles foi regado a champanhe, croissant, brioche e patê de foie, subindo e descendo o Rio Sena, em Paris. Aliás, na capital francesa Alain Ducasse hoje comanda um navio que passeia pelo Sena de noite, servindo jantares nababescos. Trés chic. Very nice.

My friend. Por ora é isso. Aos poucos te mando dicas quentes do que comer nesses portos da vida.

Best wishes.

 

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