Viajar em casa até que é bom

Lugares Devorados – Foto de Bruno Agostini

Tem muita gente viajando, fisicamente e na maionese. Mas eu pretendo só voltar a sair do Brasil quando estiver vacinado.

Por ora, até as idas semanais ao Rio estão suspensas. Sei lá até quando.

Muito estranho estar há um ano em casa, com um breve período de quatro meses saindo um pouco, visitando restaurantes e tentando aos poucos ter uma rotina minimamente normal.

Mas, no momento, até o quadro melhorar drasticamente eu fico por aqui.

Sem viajar, hoje faço isso escrevendo, lendo e vendo na TV ou mesmo no YouTube programas de turismo, gastronomia, vinhos e tudo isso junto e misturado e bem condimentado em séries como “Salt Fat Acid Heat”, mais uma ótima produção da Netflix sobre comida.

Também tenho revisitado alguns textos meus, atualizando, reeditando, e muitas vezes crescendo com novas informações que muitas vezes não cabiam no limitado espaço do papel de jornais e revistas onde foram publicados.

Ando ainda vendo fotos de viagens e banquetes. Dá saudade dos amigos que aparecem, e desses momentos de confraternização que – oxalá – vão aos poucos começar a voltar, dentro dos novos padrões de comportamento da população: máscara, álcool gel etc.

Em casa temos tempo de tudo isso, e também de cozinhar. Nunca testei tantas receitas, e muito menos tive tanto prazer em fazer comida para mim mesmo, e só para mim: antes só tinha graça mesmo ir para a cozinha quando tinha alguém para compartilhar. Sozinho, eu fazia algo rápido e simples, uma salada, uma massa. Hoje tem dias em que uma panela pode ficar de manhã até o final da tarde, em fogo baixo, cozinhando uma feijoadinha de pé de porco com linguiça, uma rabada ou mesmo um ragu de carne.

Amanhã, acho, farei um prato desses: polenta, fonduta e ragu de carnes. Prato de tempos difíceis na Itália, quando usavam a farinha de milho para dar sustância, os queijos velhos e duros era fundidos para serem reaproveitados e o molho de tomate era feito com os restos de carne.

Prato típico do pré-Carnaval italiano, antes da Quaresma. Quando tudo volta a florescer.

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *