Cozinha em Revista: Pescados na Brasa e a celebração dos sabores paraenses no Rio

O caranguejo, o martelo e o rosé: para “batucar” e ser feliz no Riachuelo – Foto de Bruno Agostini®

Eu não sei você, mas eu tenho uma dificuldade quando gosto muito de um lugar.

Não consigo dizer tudo sobre ele. Tento uma frase definitiva, direta, que resuma a sensação. Ou rascunho textos longos que ninguém vai ler. Desisto.
Pastel de camarão no tucupi e jambu VMB (Verdadeiramente Muito Bom!) – Foto de Bruno Agostini®
Mas… Repito o esforço, buscando uma colocação ponderada e que contextualize a casa. Fico pensando: como dizer de modo educado que, por exemplo, o Pescados na Brasa é foda? (Mas, sem recorrer ao palavreado chulo).
Também tem: pastel de camarão com Catupiry VMB (Verdadeiramente Muito Bom!) – Foto de Bruno Agostini®
Porque dizer que é foda é o resumo perfeito: quatro letras, uma palavra que todo mundo entende, simples e forte, altamente capaz de resumir sensações. Foda é foda. Sempre me remete a coisas boas. Excelentes.
Espetadas, como a de camarão, são feitas na churrasqueira, alma da cozinha – Foto de Bruno Agostini®
Porque, na verdade, estou vivendo isso: o que dizer do Pescados na Brasa? Que é foda? Que é dos lugares mais recomendáveis do Rio? Que tem alma? Que o arroz paraense me tira do sério, e que a pimenta no tucupi… Bem, o que dizer da pimenta no tucupi?
Não abandono a busca.
Outro dia encontramos o tom, as palavras, a síntese.
Unha de caranguejo à milanesa é puro amor – Foto de Bruno Agostini®
Começo viajando por Belém do Pará, ou vou direto ao ponto: no caso, o bairro carioca do Riachuelo, onde está este enclave paraense. Ali, o Círio de Nazaré é festejado todos os anos, e o carimbó é ritmo natural do som que reverbera, com direito a apresentações de grupos de dança típica.
Adriana Veloso, suas iscas de pirarucu e o molho de tucupi com pimenta – Foto de Bruno Agostini®
Posso falar diretamente da Adriana Veloso, fundadora do restaurante, que circula pelo salão com notável destreza na arte de receber.
Ou, ainda, festejar o braseiro que chamusca e assa os peixes e que ainda inspira o nome da casa. Pescados na Brasa é uma forma de batismo que traz consigo a essência de quem nomeia: ali, entre outras coisas, o melhor a se fazer é comer Pescados na Brasa.
O indispensável arroz paraense e o pintado “brocado”, assada na brasa – Foto de Bruno Agostini®
Ah… Mas não só. O caranguejo ferve num caldo exuberante que se reflete em seu sabor ao ser servido.
Portugal rima com Pará: Vinho Verde pra refrescar o tacacá – Foto de Bruno Agostini®
Suas unhas não são pintadas, mas empanadas, fritas e servidas clamando por gotas de limão, e goles de… Você escolhe. E taca tucupi com cumari no tacacá. Taca!
Maniçoba: melhor dos que as que comi no Pará – Foto de Bruno Agostini®
Maniçoba é tida como a feijoada do Pará. Muito doido o raciocínio, uma vez que feijão não há. Mas é tão bom quanto. Com farinha d’água, pimenta e suas carnes, essas, sim, usadas na feijoada: ave, paio, lombo e afins! Até quando não se trata de pescados o Pescados na Brasa tem o seu borogodó, arre-égua! Nem mesmo em Belém do Pará comi maniçoba melhor.
A degustação, lançada este mês – Reprodução do Instagram @pescadosnabrasa®
Dá vontade, sim, é de provar tudo: assim, a Adriana lançou no mês passado a R$ 95,90. Tem tacacá, maniçoba, vatapá, açaí, farinha d’água e costeleta de tambaqui.
SERVIÇO
Pescados na Brasa: Rua Vitor Meireles 92, Riachuelo. Menu de entregas: www.goomer.app/pescados-na-brasa Instagram: @pescadosnabrasa
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