Cerveja de Bandeja: a Salvator e outras razões que me fazem achar a Paulaner a marca de cerveja mais importante do mundo

A Paulaner Oktoberfest, servida na tradicional caneca de cerãmica da Baviera – Foto de Bruno Agostini©

Se me perguntarem a marca de cerveja que eu mais admiro ficarei perdido pensando no assunto.

Ousado: Mikkeller é dos grandes nomes do mundo da cerveja atualmente, com suas sours fabulosas – Foto de Bruno Agostini©

Vou viajar da Dinamarca do Mikkeller até a Escócia, da BrewDog, passando por quase toda a Bélgica e suas trapistas, e a mítica Cantillon, de Bruxelas. Vou circular pela Itália de Baladin, passear pela Alsácia de tantas brasseries incríveis, e também pela Alemanha inteira, pátria cervejeira por completo, onde está a mais antiga das marcas do ramo ainda em atividade: a Weltenburger. Vou ancorar na Costa Leste dos EUA, chegando por Nova York da Brooklyn, pousando em Delaware, da Dogfish Head, até chegar à Califórnia da Sierra Nevada e fechando o tour no Colorado da Fat Tire. Isso entre o que lembro, e tratando só de empresas grandes e icônicas, nem falei das pequenas e me esqueci de fazer escala, por exemplo, em Chicago da Goose Island, berço da Bourbon County, das melhores cervejas que provei na vida.  Nem tampouco falei do Brasil da Tupiniquim, da Mad Dwarf, da Bodebrown (Paraná tem ainda a Way, a Morada…), da Wäls, da Invicta, da Therezópolis… São tantas, a memória falha.

Painel na fábrica original da marca, criada em 1634 por monges de Munique – Foto de Bruno Agostini©

Mas, voltando à mais admirada marca, a primeira que me vem à cabeça. Sem dúvidas que a Paulaner, e o fato de tê-la visitado durante a Oktoberfest contribui para isso, certamente. Porque se o tema da conversa é cerveja, e me perguntam o que mais gosto nesta bebida, pensaria, em termos de estilos, em IPAs, o que bebo no dia-a-dia; em Munique, enquanto cidade e quase que em consequência disso, na Paulaner, como marca cervejeira que primeiro me vem à mente.

Meu competentíssimo amigo Eder Heck, de origem alemã, feliz como pinto no lixo no pavilhão principal da Paulaner na Oktoberfest com seu pretzel – Foto de Bruno Agostini©

Foi uma viagem curta, mas marcante, quando estive por três dias com um grande amigo, Eder Heck, ex-Mr Lam e agora no Kitchen Asian Food, na Marina da Glória. Começamos em grande estilo, visitando a histórica fábrica da Paulaner, no coração de Munique, com seus equipamentos antigos, linda memorabilia da marca e um poço que fornece água pura há séculos para a empresa, criada por monges da Ordem dos Mínimos em 1634, quando lançaram a Salvator, logo um estrondoso sucesso em Munique – terra da Augustiner, da Hacker-Pschorr, da Hofbräu, da Löwenbräu e da Spaten, para citar apenas as seis marcas oficias da Oktoberfest (junto com a Paulaner, a principal delas, é claro).

Paulaner Salvator, a melhor Lager do mundo, na minha opinião – Foto de divulgação

A Salvator é para mim um colosso de cerveja, uma das minhas Lagers preferidas, junto com a Celebrator, da Ayinger, outra admirada cervejaria da Baviera, igualmente uma doppelbock, um estilo de cerveja muito gastronômico, para mim, que vai muito bem com carnes de sabor marcante, e caças, como pato, marreco, ganso, cordeiro, javali, veado e – no caso brasileiro – de capivara, por exemplo. Isso, é claro, sem falar no porco. Aliás… são as duas Lagers preferidas, certamente. A Salvator é um monumento etílico e histórico. Foi criada como “pão líquido”, para o jejum dos monges, e inaugurou assim o estilo: é encorpada e calórica, com 7,9% de álcool e notas elegantes e bem marcadas de malte, remetendo a caramelo, especiarias e chocolate, e uma linda coloração avermelhada. Linda.

Ayinger Celebrator, devidamente apreciado no centro de Munique, no bar da cervejaria da cidade de Aying – Foto de Bruno Agostini©

Em todos os casos, é fundamental um molho para dar liga ao conjunto, seja o resultado do cozimento, com os sucos da carne e dos temperos – de preferência marinados e/ou glaceados com a própria cerveja – seja um preparo agridoce, usando frutas, vinho ou vinagre e especiarias. Outra possibilidade é fazer um molho de cogumelos flambados no conhaque, finalizado com creme de leite fresco e cebolinha francesa. Estupendo, simplesmente!

As caldeiras de cobre da fábrica da Paulaner, em Munique – Foto de Bruno Agostini©

Fica uma coisa de maluco. Provem, apenas provem. Como guarnição, sugiro um elemento cremoso e untuoso, como um purê de batata (inglesa – pode ser dauphinoise – ou doce), de abóbora, inhame ou baroa. Repito: provem, apenas provem essa harmonização. Enquanto escrevo, salivo só de lembrar das vezes em que, empunhando um copo de Salvator ou Celebrator, eu provei algumas das carnes citadas (com pato, marreco, veado – esse nas frias montanhas da Baviera, num almoço inesquecível – javali e porco foram experiências que eu trago na memória com nítida lembrança do prazer que foi aquela momento).

Bolinho de feijoada, o original, do Aconchego Carioca: combina com a Salvator Bolinho de feijoada do Aconchego: no conforto do lar – Foto de Bruno Agostini©

Também pensei em outros pratos, típicos do Brasil, como uma boa rabada, que igualmente deve ficar muito bom, ou um costelão no bafo (neste caso eu ia marinar e/ou finalizar com a doppelbock). Feijoada, incluindo o bolinho da Katita do Aconchego? Cassoulet? Acho que cabe uma Salvator, sim. Burger? Também: eu usaria uma carne gorda, com cebola caramelizada e um queijo azul tipo gorgonzola. Deu vontade de provar. Farei isso em breve, com a feijoada que planejo para algum dos próximos sábados, como se minha casa fosse um restaurante de menu tradicional.

A famosa torta Sacher, servida no hotel de mesmo nome, em Viena: combina com doppelbock – Foto de Bruno Agostini©

Por fim, sobremesas de caramelo e/ou chocolate – de preferência juntos – e também a brasileiríssima torta alemã, além da germânica floresta negra.

Fora isso, eu aprecio toda a linha da Paulaner, que chama a Salvator de “Pai de Todas as Cervejas Fortes”, e com razão. Começando pela cerveja que fazem para a Oktoberfest, do estilo sazonal Märzen, que tem esse nome porque é produzida em março, para ser bebida em setembro e outubro, durante a festa. Um luxo. A cada ano eles lançam um copo comemorativo diferente, objeto de coleção.

Destreza para servir os canecões de um litro na Oktoberfest de Munique, no pavilhão da Paulaner – Foto de Bruno Agostini©

Outras cervejas da marca que para mim também são ícones universais em suas categorias são a Weissbier (para mim é a melhor do mundo, assim como a Salvator), a Weissbier Dunkel e a Münchener Helles – todas de qualidade exemplar.  Vale notar no pureza dos aromas, nos maltes perfeitamente dosados com o lúpulo de qualidade superior e que faz mesmo a diferença nessas cervejas, de uma elegância fabulosa. Esse equilíbrio entre malte, álcool e lúpulo é para mim o traço mais marcante das cervejas da Paulaner. Sou muito fã da marca.

Café da manhã típico da Baviera (e de quase toda a Aloemanha): salsichas com Wiessibier no típico copão de 500 ml – Foto de Bruno Agostini©

Coisa fantástica é fazer como o alemão tradicional: ir pela manhã a um café, pedir um prato de salsichas e um copão clássico de 500 ml de Weissbier, da Paulaner, de preferência. Só ficou faltando o jornal, porque não leio em alemão. Isso, sim, é uma linda forma de se começar o dia.

Por tudo isso, com o já disse, eu sou muito fã da marca. Obrigado, e uma benção para vocês, monges.

O pavilhão da Paulaner na Oktoberfest de Munique – Foto de Bruno Agostini©

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Reprodução

 

 

 

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