Disney Para Maiores: manual para comer bem nos parques de Orlando (quando a pandemia passar)

Paul Bocuse, pouco antes de morrer, chegou a ir até Orlando cozinhar com Ratatouille – Reprodução

Depois de um dia inteiro de emoções em um parque temático, o corpo dá sinais de cansaço. E de muita fome. Mas nada de burger com fritas e refrigerante. Nas minhas últimas visitas a Orlando, preferi investigar os melhores restaurantes da cidade. Para isso, o trabalho começou ainda no Brasil. Porque para garantir lugar em algumas dessas boas mesas é importante reservar com antecedência. Feito isso, quem aprecia boa gastronomia só vai de fast food se quiser. Na cidade não faltam opções, seja nos parques ou fora deles para, entre uma atração e outra, se comer bem, muito bem. Acredite.
(Atenção, esta reportagem foi feita em 2010, e reeditada e atualizada hoje, com preços e informações etc).

NBC Sports: burgers and beers – Foto de Bruno Agostini

A primeira reserva era para um jantar no Emeril’s, talvez o melhor lugar para uma refeição nos parques (fechou em 2018, depois de quase 20 anos na Citywalk da Universal). No lugar abriu o Bigfire, uma bem cotada casa de carnes, no estilo americano, que serve desde camarão na brasa e vieiras glaceadas a burgers e uma série de cortes: nacos de cordeiro, N.Y. Sirloin Strip, shortrib (na minha viagem mais recente eu fui no NBC Sports Grill & Brew, onde há bons burgers e respeitável lista de cervejas da Flórida: em breve escrevo mais sobre o assunto, num post só para ele). Os restaurantes ficam no Citywalk do Universal, onde se pode passear sem ingresso para o parque.

O salão do restaurante especializado em pescados da Disney’s Boardwalk – Foto de Bruno Agostini

A Disney também tem calçadões de entretenimento, principalmente noturno, aberto aos que não compraram ingresso, Boardwalk e Disney Springs. E, na Boardwalk, a estrela do melhor restaurante igualmente é celebridade televisiva, Cat Cora, que assina o cardápio do novo Kouzzina (assim como o Emeril’s, também fechou, em 2014: parece que dei azar para os chefs da TV em seus restaurantes de Orlando…). Não consegui descobrir o que abriu no local, sei que na minha última visita eu jantei no Flying Fish Cafe, dos melhores restaurantes de todo o complexo. Memorável, e já escrevi a respeito aqui (para ler, clique neste link).

(Em vermelho, mantenho o texto original dos restaurantes citados – e fechados -, para se ver que se come, sim, e já faz tempo, muito bem nos parques da Disney)

No Emeril’s, preferi comer no balcão, para ver o movimento da cozinha. O time trabalha de maneira rápida e organizada. Os aromas e a bonita apresentação dos pratos aumentam a fome. Fui numa espécie de menu degustação. Primeiro uma surpreendente rodela de tomate verde crocante com carne de king crab em molho picante, servida com o bom Sauvignon Blanc Wild Rock 2007, da Nova Zelândia. A próxima etapa foram camarões de bom tamanho grelhados e levemente defumados, novamente com molho apimentado. Fez bonito na escolta do segundo prato a taça do Chardonnay Leal Vineyard San Bento, da Califórnia. Aliás, a carta é ótima, com bela seleção de vinhos vendidos em copo. 

Enquanto apreciava o terceiro prato, uma bem resolvida massinha cabelo de anjo com cogumelos e queijo parmigiano, via o chef temperar uma bonita lagosta e botar no forno, para rápido cozimento. Fiquei com vontade de pedir. Mas era tarde. Já estava a caminho um indecente rib eye guarnecido de echalotes (um tipo de cebola, delicada, cônica e miúda) passadas no açafrão, levemente adocicadas. A esta altura a comida era valorizada pelo Signorello 2005, um lindo Cabernet Sauvignon de Napa Valley.

Para encerrar o percurso, uma tijelinha de sorbets (framboesa, goiaba e manga) com frutas frescas (amora, morango e outras berries) e folhas de hortelã. Leve e gostoso. Depois ainda me foi servida uma das sobremesas clássicas da casa, chamada “Emeril’s banana cream pie with banana crust, caramel sauce and chocolate shavings”, uma deliciosa, mas dispensável torta de banana com caramelo e chocolate, numa tradução curta. Nota do jantar? Nove. (Hoje eu ando mais exigente, e talvez desse apenas 8, quem sabe 7,5).

Nas áreas dos parques, há de salada grega a filé de bisão

Kouzzina, o restaurante grego comandado por Cat Cora, chef americana de origem helênica, é a mais recente novidade no Boardwalk da Disney, uma simpática área de entretenimento à beira de um lago, com arquitetura inspirada na Atlantic City do começo do século passado. No cardápio, uma cozinha grega clássica, com sutis adaptações.

Tem salada grega, é claro, mas também um surpreendente cone de lulas à doré, incrementadas com rodelas de limão, igualmente passadas na farinha e fritas, servidas com imprescindível molho à base de iogurte. Outro clássico do país mediterrâneo, a torta de espinafre (spanakopita) também faz sucesso, assim como a canela de cordeiro (a carne se derrete) em longo cozimento servida sobre favas em molho picante. Para acompanhar, a melhor pedida são os wine flights, seleções com três taças de vinhos (que podem ser gregos ou americanos).

Os salões elegantes – Reprodução do site

Para muitos, quase unanimidade, o melhor restaurante entre os que funcionam nos complexos dos parques de Orlando (ou seja, nas área de uso comum ou nos hotéis e resorts, e também incluindo os parques) é o Victoria & Albert’ Restaurant. É um lugar formal, que não só exige reserva, com 180 dias de antecedência, como também terno e gravata, e proíbe a presença de crianças menores de 10 anos.

Serviço de caviar no Victoria and Albert’s: extra de US$ 118 a US$ 295 no menu degustação de US$ 235 – Foto de divulgação

Vencidas essas barreiras, o cardápio que varia sempre de acordo com os produtos mais frescos da estação parece compensar todo o esforço (e investimento: os menus degustação – um é vegetarianos – custam US$ 235 por pessoa e mais US$ 150 para harmonização com vinhos, para quem quiser. Atualizei os preços, há dez anos, dava para jantar lá gastando menos de US$ 150, tranquilamente, o que não mudou foi a dificuldade de se conseguir reserva). Hoje, são oito pratos, harmonizados com vinhos diferentes (pra quem quiser, também é possível escolher direto na carta de bebidas uma garrafa ou taça, ou mais).

A mesa do chef: formalidade e veto a crianças – Foto de divulgação

Para uma experiência gastronômica ainda mais interessante, tente reservar (com antecedência) a “Chef’s table“, uma mesa instalada na cozinha, que permite acompanhar a preparação dos pratos. Deixo o link para outro post neste site, com mais detalhes do restaurante.

California Grill: filé de bisão com risoto de milho, cogumelos e um molho de cereja – Foto de Bruno Agostini

O V&A, como abreviam o restaurante, fica no Disney’s Grand Floridian Resort & Spa, um dos melhores do complexo. Todos os outros hotéis desta categoria (os chamados deluxe, com diárias a partir de US$ 722) apresentam pelo menos um restaurante de bom nível, como o California Grill (no Contemporary Resort – diárias a partir de US$ 510), especializado em carnes e sushis, e o Jiko (no Animal’s Kigdom Lodge – diárias a partir de US$ 434). Reservar é sempre recomendável, mas esses dois ótimos endereços que vivem lotados apresentam uma boa alternativa: o balcão do bar, cujos assentos não podem ser reservados e é grande a chance de se conseguir uma vaga, e quanto menos gente estiver no grupo,mais fácil (eu estava só, mas tinha bancos ao meu redor: poderíamos ser três). Foi assim que jantei no California Grill, um dos melhores lugares para se ver a queima de fogos do Magic Kingdom, com suas paredes largamente envidraçadas. A refeição começou com uma salada de camarões crocantes e terminou num suculento filé de bisão com risoto de milho, cogumelos e um molho de cereja espetacular. A seleção de vinhos também é das melhores.

Jiko – The Cookin Place: cozinha dos países africanos, vinhos também – Foto de Bruno Agostini

Numa viagem posterior, tive um excelente jantar no Jiko, que assim como o NBC Sports Grill & Brew vai ser tema de reportagem neste site nas próximas semanas (aí acrescentamos os links aqui neste post).

Melhores restaurantes dos parques devem ser reservados, pois lotam muitas vezes

Embora os restaurantes mais interessantes estejam do lado de fora dos parques, dentro também é possível fazer refeições, no mínimo, bem dignas, e cada vez mais, com bons ingredientes, carnes preparadas no ponto certo, tempero correto e, na maior parte das vezes, honesta oferta de vinhos vendidos em taça- mas com esse câmbio atual complica…

Sharks Underwater Grill: acredite, é muito tranquilizante almoçar vendo tubarões ao seu lado – Foto de Bruno Agostini

São famosos, por exemplo, os restaurantes nos pavilhões dos países no Epcot, mas neste parque também é possível comer bem, e rápido, em lugares como o Coral Reef, no Living Seas, que serve frutos do mar com vista para peixes nadando em aquários. Proposta muito similar à do Sharks Underwater Grill, no SeaWorld, restaurante escurinho de cara para tubarões e outros peixões com jeito de poucos amigos que nadam no imenso tanque com paredes de vidro. (Estamos fazendo uma série sobre os melhores lugares para comer e beber em Epcot: para ler, clique aqui).

O interior cavernoso do Mythos, na Universal Island Of Adventures – Foto de Bruno Agostini

Já no Universal Studios, no Island of Adventures, funciona o Mythos, um restaurante que se gaba de ser o mais premiado entre os que estão dentro dos parques de Orlando. Com decoração simulando uma caverna, serve pratos como porco em crosta de blueberry e pistache.

Epcot é o parque com a maior quantidade de bons restaurantes – Foto de Bruno Agostini

Da última vez que havia visitado Orlando, minhas tentativas de fazer uma refeição nos restaurantes mais formais do Epcot Center foram frustradas pela falta de planejamento. Sem reservas, fiquei só na vontade de jantar no Marrakesh, no pavilhão marroquino.

Dança do ventre no jantar do marroquino Marrakeh, em Epcot – Foto de Bruno Agostini

Mas na viagem passada, em família, finalmente consegui experimentar algumas dessas cozinhas. E gostei do que vi, bebi e comi. Em média, com uma garrafa de vinho, um casal com uma criança gasta cerca de US$ 180 por refeição, talvez US$ 200 (depende mais do vinho escolhido).

Salão do Chefs de France: inspirado em bistrôs de Paris, assim como o menu – Foto de Bruno Agostini

Ainda no Brasil, reservei dois jantares: um no Marrakesh e outro no Chefs de France, cujo menu é assinado por três dos mais famosos cozinheiros do mundo, Paul Bocuse, Gaston Lenôtre e Roger Vergé – trio já falecido (Bocuse foi o último, em 2018).

No restaurante marroquino comi uma bela perna de cordeiro enquanto assistia a um ótimo show de dança do ventre e de música berbere.

No Chefs de France, depois de começar com uma taça de champanhe, provei uma boa sopa de cebola seguida de um peito de pato grelhado e sua coxa confit, numa mesa com vista para o show “Illuminations” (o espetáculo não é mais exibido desde o ano passado).

Sopa de queijo no Le Cellier: culinária canadense – Foto de Bruno Agostini

Além disso, também consegui almoçar no Le Cellier, simpática steak house canadense. E descobri um jeito para se conseguir um lugar nesses restaurantes mesmo sem reserva: chegar logo que eles abrem, principalmente se for para almoçar. Foi assim que consegui uma mesa no restaurante do Canadá, um dos mais concorridos do parque, pontualmente às 11h30. Valeu a pena. Primeiro por causa dos bons pães do couvert. Depois, pela sopa de queijo, um clássico da casa desde a inauguração, em 1982. Mas, principalmente, pelo tenro filé com risoto trufado e cogumelos na manteiga. Foi a melhor das três refeições dentro de Epcot.

Os cardápios infantis e os restaurantes mais procurados para levar a garotada

Entre todos os restaurante de Orlando, uma das reservas mais difíceis é para o Cinderella’s Royal Table, que funciona no famoso castelo símbolo do Magic Kingdom.

A Cinderella’s Royal Table: reserva difícil – Foto de Bruno Agostini

É possível tomar café da manhã (mais fácil, por US$37, crianças de 3 a 9 anos, e US$ 62, adultos), almoçar (um pouco mais difícil, a US$ 45 e US$ 75, respectivamente) e jantar (reserve com seis meses de antecedência, com os mesmos preços). Além dele, há outros 11 restaurantes que servem refeições com personagens – as crianças adoram. No site da Disney (https://disneyworld.disney.go.com/pt-br/) você encontra a lista completa, clicando em “Refeição com Personagem”.

A mesa do chef: formalidade e veto a crianças – Foto de divulgação

Em Orlando, mesmo fora dos parques, são poucos os restaurantes que, como o Victoria & Albert’s, no Grand Floridian Resort, não aceitam crianças. Em geral, mesmo os mais sofisticados, como o Le Cellier, as crianças são muito bem-vindas. E há pratos especialmente para elas: macaroni & cheesse, peito de frango com purê de batatas, filé de peixe e hambúrgueres com fritas estão entre os mais comuns.

O Biergarten, no pavilhão da Alemanha: a melhor opções para família – Foto de Bruno Agostini

Os pais que viajam com filhos pequenos também não precisam evitar os restaurantes do World Showcase, no Epcot Center. Ao chegar em qualquer um deles, a criançada logo recebe dois lápis de cera, uma folha com várias atividades lúdicas e um cardápio infantil, com sanduíches, carnes e massas.

SERVIÇO

Bigfire: CityWalk do Universal. Tel. (407) 224-2424. www.universalorlando.com 

Epcot: As reservas para os cinco restaurantes citados acima (e todos os outros no Epcot) podem ser feitas no site disneyworld.disney.go.com/

California Grill: 4.600 World Drive, Disney’s Contemporary Resort. Tel. (407) 939-3463. disneyworld.disney.go.com/

Cinderella’s Royal Table: Magic Kingdom. Tel. (407)-934-2927. disneyworld.disney.go.com/

Jiko: 2.901 Osceola Pkwy, Lake Buena Vista, Animal Kingdom Lodge. Tel. (407) 939-3463. disneyworld.disney.go.com/Mythos: Universal Islands of Adventure. Tel. (407) 224-4012www.universalorlando.com 

Sharks Underwater Grill: SeaWorld. Tel. (407) 363-2591. https://seaworld.com/orlando/

Victoria & Albert’s: Disney’s Grand Floridian Resort & Spa. Tel. (407) 939-3862. www.victoria-alberts.com

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