No Málaga, o melhor camarão do mundo

Segundo a filha, trata-se do melhor camarão do mundo – Foto de Bruno Agostini

Maria tem uma memória gastronômica que me impressiona desde pequena. Sabe do que gosta, e sabe o que é bom, e não se influencia por estrelas Michelin, nem pela minha opinião ou qualquer outra. Tem a dela, e ponto:

– Papai, eu gostei mais do ravióli dal plin do Eataly do que do fusilli com polvo do Marea. Só que o Eataly não tem estrela Michelin, o Marea tem duas. Gostei muito do polvo, mas gostei mais do ravióli – disse ela, algo assim, logo que chegamos ao Brasil, ao começar a fazer seu relato de viagem para a mãe.

Escrevo isso porque hoje, procurando fotos e organizando o acervo que andava muito bagunçado, eu acabei encontrando uma sequência que também rendeu outro momento “pai orgulhoso”. Um dia, do nada, ela se vira para mim e diz.

– Papai, ontem minha mãe fez um risoto de camarão que ficou muito bom. Muito, mas muito bom mesmo. Foi o segundo melhor camarão da minha vida. Advinha qual foi o primeiro?

Eu sabia a resposta, mas não quis estragar a pergunta desafiadora:

– Não, onde foi?

– Não sabe? Foi aquele seu amigo que fez, do Málaga.

Seu Augusto inicia o preparo, que perfuma o salão – Foto de Bruno Agostini

O mais engraçado de tudo é que isso aconteceu numa noite de sexta-feira. No começo da tarde de sábado recebo um telefonema.

Quem era? Ele, Seu Augusto, grande maître, grande amigo, grande pessoa.

O mestre do salão põe fogo nos camarões – Foto de Bruno Agostini

– Bruno, estou em Teresópolis. Está na cidade? Vem aqui pra Villa Sankt Gallen, é meu aniversário.

Não existe coincidência. E fomos festejar o cara que faz o melhor camarão do mundo para a Maria. O que não é pouca coisa.

O fato se deu em 2013, acho.

Moa e Maria: que dupla – Foto de Bruno Agostini

Foi uma tarde mágica. Coincidentemente, lá estava o também amigo e igualmente grande pessoa e muito querida Moacyr Luz. Ele cantou para ela aquela delícia de música, o “Samba dos Passarinhos”, aquele que começa assim:

“Um passarinho me disse / Que vamos viver pra sempre um grande amor / Canário livre cantou, cantou, cantou, cantou feliz / Um bem-te-vi que ouviu / Bentevitou com o seu amigo tiziu / Um pintassilgo se alçou e foi piar bem juntinho da perdiz”. Deixo o link para quem quiser ouvir. Delícia de música.

Maria adorou a música e acompanhou atentamente o preparo do que para ela é até hoje “o melhor camarão do mundo”. Escolheu bem. Trata-se de um clássico do Málaga, que Seu Augusto executa como pouco: seus camarões flambados, um show no meio de salão, que fica perfumado.

Provou. Disse que amou. Eu pedi para espetar um.

– Papai, mas só um. Ele fez para mim.

 

 

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