Retrato de um Prato: a espetada de pintado na brasa com requeijão da Toca da Traíra

Espetada de pintado na brasa: excelente tempo – Foto de Bruno Agostini©
Desde os tempos em que só existia em Volta Redonda eu tinha curiosidade de conhecer este lugar (confesso: acho que nunca comi traíra na vida, e voltarei para isso).
Demorou, mas fui e gostei. Muito até.
A Toca da Traíra abriu as portas na Cidade do Aço, em 1994, e logo fez sucesso na região.
Ganhou fama, que não demorou a chegar até mim, sempre curioso sobre lugares para comer bem.
Há anos aportou no Rio, e tem várias filiais: Barra, Freguesia, Botafogo, Jacarepaguá, Tijuca e até em Nova Iguaçu e Niterói. Sempre tive vontade de ir, mas como muitas vezes acontece, por anos deixei de ir diante da facilidade de acesso com tantas unidades cariocas
Assim, eu acabei adiando, adiando, adiando.
Até que essa semana, em missão de trabalho para a vinícola portuguesa Quinta da Lixa, que vende muito vinho lá, eu finalmente conheci o lugar.
Adorei.
Comida simples e benfeita, um porto seguro para se comer pescados, o que sabemos não é algo fácil de achar.
Desta vez eu aceitei a sugestão do amigo Guilherme Meireles, da importadora Nossa Quinta, com quem estou trabalhando na promoção dos vinhos, e pedi o pintado na brasa, que é a grande especialidade da casa, apesar do nome. Gosto muito desses peixe de água doce, de carne rígida e muito apropriada para ser colocada no espeto e grelhada na brasa, assim como outras espécies dessa família, como o surubim, ambos muito populares nas represas de Minas Gerais, onde há vários restaurantes que servem esses churrascos de carne branca e delicada, e também na região do Pantanal, de onde chegam os pintados da Toca da Traíra (já a traíra é mineira).
O peixe é servido assim: fincado na base e escoltado por purê, molho de requeijão cremoso e arroz. Jogue pimenta e seja feliz! – Foto de Bruno Agostini©
Servido no espeto fincado em uma base de metal, o pintado tem um tempero muito bom, com urucum, certamente, como se vê pela cor, além de alho e pimenta-do-reino, imagino eu, e provavelmente com outras coisinhas, com algum azeite. Colocado nesta marinada, vai à brasa rapidamente, e chega no ponto correto de cozimento.
Pedimos o executivo, com purê, molho de requeijão e arroz. Pede gotas da boa pimenta da casa, para mim essencial neste prato, que me remete a almoços de família e com amigos, nos anos 1980 e 1990, quando o Catupiry virou mania na cozinha, dando agradável cremosidade a receitas diversas, especialmente com camarão, frango e alguns tipos de peixe, seja recheando pastéis ou coroando um belo escondidinho. Essa combinação de pescados, com purê e requeijão, com boa carga de pimenta malagueta forte, tem real valor afetivo para mim. Eu gosto. Eu me recordo. Até me emociono.
Eu já imaginava que ia curtir a Toca da Traíra. Senão sequer ia considerar uma visita. Mas foi melhor do que eu esperava.
A casquinha de peixe – Foto de Bruno Agostini©
Pedi o executivo, que inclui uma casquinha de peixe. Era badejo, às vezes é pintado. O revela a honestidade da casa. Há pouco tempo descobri que muita gente, quase todos, vendem casquinha de arraia como se fosse de siri. Vou rabiscar umas linhas sobre o tema.
Que almoço feliz.
Logo eu volto.
Especialmente porque no fim, quando quis saber mais sobre as origens e tudo o mais, do pintado, da traíra e da casquinha de peixe, o garçom – muito bom, por sinal – trouxe uma traíra e explicou detalhes. Como tira a espinha, quais as partes mais saborosas etc.
Quero provar.
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