Rubaiyat Rio: restaurante serve, aos sábados, a melhor feijoada da cidade

A feijoada do Rubayat Rio, a melhor da cidade – Foto de divulgação / Selmy Yassuda

Prato nacional brasileiro, a feijoada se identifica mais com o Rio de Janeiro do que com qualquer outro lugar. Tem a ver com o mundo do samba, com a hotelaria de luxo, com a cultura dos botequins e no circuito dos restaurantes tradicionais. Há vários lugares que servem o prato diariamente, como o Bar do Mineiro, a Casa da Feijoada (claro) e a Academia da Cachaça.
Outros servem apenas aos sábados, mas os restaurantes do Centro que não abrem neste dia acabam colocando o prato nos menus de sexta (o Bar do Momo, mesmo na Tijuca e abrindo aos sábados) está entre eles. Já provei e aprovei as quatro citadas, e posso recomendar com segurança.
Outro dia vi no Instagram a postagem de uma conhecida, perguntando sobre a melhor feijoada do Rio. Nem pestanejei.

Além do feijão e suas carnes, couve e outros acompanhamentos clássicos ainda há delicioso leitão – Foto de divulgação / Selmy Yassuda

– Rubaiyat -respondi. – E ainda tem leitão e batidas, as corridas na pist – completei.
Pois é isso mesmo. Não tem nada que se compare, a começar pela qualidade em si da feijoada, cujos ingredientes – em grande parte – são da própria fazenda da família Iglesias, que abastece os restaurantes do grupo. O feijão é plantado lá, onde são criados os porcos e vacas que vão dar origem à carne seca e outros cortes, incluindo o delicioso leitão, tradição da casa, que têm raízes espanholas, esses caras que são craques no preparo do cochinillo, como chamam por lá os porquinhos (já escrevemos aqui sobre os nossos leitões preferidos no Rio, e é claro que o Rubaiyat está na lista, junto com A Casa do Sardo, o Málaga e Adegão Português: para ler, clique aqui).
Mas, voltando à feijoada do Rubaiyat.

O bufê é montado com belas panelas de cobre – Foto de divulgação / Selmy Yassuda

Servida como reza a tradição aos sábados, a feijoada do Rubaiyat Rio, no Jockey Club, tem várias bossas extras, a começar pelas corridas de cavalo, que acontecem ao longo da tarde (vale tentar uma mesa na varanda, mas evite isso nos dias muito quentes), passando pelas batidas, servidas livremente, e pelo bufê de sobremesas, tudo incluído no preço. No belo balcão de madeira que recebe os panelões de cobre com as carnes também abriga um belo leitão, além de tudo aquilo que nos habituamos a ver nos serviços de feijoada.
Um caldeirão com o feijão, e vários outros com as carnes separadas, a farofa, o arroz, a couve, o torresmo e a laranja, além de complementos suínos, como linguiça, bisteca, pernil e costelinha, sem falar na banana frita. Pelo conjunto a obra, eu diria que todo o carioca deveria fazer esse programa ao menos uma vez na vida. Como ir até o Corcovado e subir o Pão de Açúcar. Custa R$ 105, e incluindo isso tudo, está de bom tamanho.

O valor, R$ 105, dá direito também a batidas – Foto de divulgação / Selmy Yassuda

– As partes suínas são todas de baby pork da Fazenda Rubaiyat. O feijão também é supernovo, igualmente da fazenda. A feijoada tem todos os pertences separados: carne seca de Brangus, costela fresca, costela defumada, paio, língua, rabinho, pé, orelha -disse-me certa vez um dos sócios da casa, David Zylbersztajn.
Sempre que falo de feijoada eu me lembro desse texto, que escrevi em 2015, e que reproduzo abaixo, em parte.
“Na rotina sofrida das senzalas, os escravos ao menos comiam bem. Naqueles ambientes escuros e insalubres eles conseguiram criar o prato mais emblemático do Brasil, a feijoada. Usavam, para isso, os restos de carnes de porco salgada, dispensadas pelos senhores, cozidas com feijão preto. A história é bonita, talvez por isso tenho sido propagada por tanto tempo. Porém, por mais triste que seja dizer isso, não, a feijoada não nasceu assim. Os senhores, mesmo eles, não tinham carnes de porco sobrando. E, lamentavelmente, essa é apenas uma lenda histórica, já há muito consertada pelos estudiosos do tema. É inacreditável que, em pleno século 21, no ano de 2015, ainda exista gente que conte essa história como se fosse verdade. Pior ainda, se for um jornalista especializado no assunto. Porque ainda tem leitor que acredita, e assim essa linda mentira continua sendo perpetuada. Lamentável.
Pior ainda é dizer que a feijoada tem origem africana… Aí, meu amigo… Não, a feijoada não tem origem africana, mas europeia. É uma receita derivada de tantos ensopados preparados com feijões ou seus primos, de cores, tamanhos e formatos variados. Ao contrário do que se diz, com ingenuidade e ignorância, a feijoada não tem origem humilde, mas muito nobre. Nasceu sob a inspiração do cassoulet francês, da fabada asturiana, dos caldos ricos italianos, e, principalmente, de tantas variações de pratos afins que existem por Portugal.
Sem querer cortar o barato de ninguém, jornalista deve ser fiel aos fatos. E os fatos são esses.
É tão ridículo quanto outra teoria de um ícone brasileiro, a cachaça. Sim, há quem diga que o nome aguardente vem da dor que sentiam os escravos ao ter um pouco de pinga caindo sobre as suas costas machucadas pelo açoite. Francamente…
Os melhores lugares do Rio pra beber cachaça a gente pode deixar pra outro dia. Já das feijoadas podemos falar hoje.
As mais divertidas da cidade acontecem nas quadras das escolas de samba, que já estão fervilhando no clima pré-carnavalesco. A Portela, com as suas quituteiras de mão cheia, e seus sambistas de fino trato e grandes composições, sem dúvida é a mais emblemática no quesito (inclusive já até lançaram um livro de receitas, “Batuque na cozinha – As receitas e as histórias das tias da Portela”). Mas, tradicionalista que sou, indico ainda a Mangueira, o Império Serrano e o Salgueiro. Como as escolas fazem as feijoadas em fins de semana alternados, sempre tem alguma rolando.”

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