Vinho da Semana: Almaúnica Syrah – uma homenagem póstuma e tardia a Márcio Brandelli

O Syrah da Almaúnica: quase unanimidade, como o melhor vinho da casa, e um dos melhores do país com esta uva (senão o melhor) – Reprodução

Nos últimos dias recebi mensagens de uns dez amigos, perguntando se estava tudo ok, porque tinha sumido das redes sociais etc etc etc. Foi um imenso estímulo para voltar a postar.

Além de um detox digital e social (de comida e álcool também, daí falta inspiração para escrever em Facebook, Instagram etc), estava tentando focar em ideias e projetos – eventos, cursos, livros, sobretudo – para esse e os próximos anos. Aproveitei para ler, estudar e escrever, mas com uma rotina normal, saía de casa, viajava e nem sobrava tanto tempo assim para a leitura, o estudo e o exercício da escrita. Agora estou há uma semana trancado em casa, e as atividades de trabalho estão com muito tempo disponível.

Mas passei sete dias meio abobado com isso tudo, preocupado com os rumos do mundo e do Brasil, que já não vinham muito bem.  Lendo no computador e vendo na TV as notícias, foi um arraso, pensando nos amigos donos de restaurante, nas pessoas que vão  perder o emprego, nas que vão morrer e – sobretudo – nas que vão passar sérias necessidades: a fome, a miséria, o caos. Minha sorte é curtir muito ficar em casa sozinho.  Senão, nem imagino como seria.

Desde hoje a rotina está assim:
– De manhã. Cuidar da casa, depois escrever para o site
– De tarde e de noite, dedicação aos livros e à cozinha.
– Primeiro, escrevendo (acho que vou fazer uns dois no período, espero conseguir terminar e publicar). Cozinha, quando der vontade de preparar algo – ou apenas fome (a qualquer hora que seja). Depois, vamos à leitura.

Já fiz pé de porco no feijão, pudim de doce de leite, iogurte, pão, além de um lindo espaguete com bottarga, azeite de limão siciliano e alici, com pangrattato picante. Fora burger, cachorro quente, batata frita, conserva de cebola, carbe assada… E muito suco detox.

No meio disso tudo, vou tentar postar coisas interessantes por aqui e no Instagram – já me sinto desintoxicado do ambiente digital, que anda muito chato, furioso, bipolar.

Márcio Brandelli, na sala de barricas nessa que é das vinícolas mais modernas do Brasil – Reprodução

Daí que o Vinho da Semana é uma homenagem a um cara que eu gostaria de ter conhecido, mas só tive a oportunidade de beber alguns de seus vinhos: o enólogo Márcio Brandelli, da Almaúnica, que nos deixou na semana passada, para tristeza de todos que apreciam a bebida no Brasil. Sem dúvida uma grande perda.  Por 12 anos ele tocou com a irmã, Magda, um dos projetos vinícolas mais modernos do Brasil.

Espumante brut, 100% Chardonnay, outra excelente pedida desta cantina do Vale do Vinhedos, de família com tradição no ramo – Reprodução

Confesso, estou escrevendo de memória, e não lembro sequer se fiz anotações quando provei seu Syrah potente, seu Cabernet Franc deliciosamente fresco e elegante (ambos R$ 95) e seu delicioso espumante 100% Chardonnay (R$ 85), método tradicional, com 24 meses de garrafa, refermentando. Também tem um espumante Nature (R$ 95), com a mesma uva, mas esse eu acho que não provei ainda (provavelmente seria o meu preferido).

Não me lembro de detalhes deles, e até esbocei procurar achar algo que tenha escrito sobre aqui em casa – e na internet – mas não achei. Então, me limito a indicar esses como os meus preferidos, mas a linha toda é bem consistente – dessas vinícolas que a gente respeita. Uma Almaúnica, afinal, é um é um espírito, um desejo uma exclusividade.

Portanto hoje não temos o Vinho da Semana, mas a Vinícola da semana – das melhores do país.

No site deles – bem montado – tem uma loja virtual e boas histórias. Vale a visita e a homenagem. Belos vinhos para esses tempos trancafiados em casa.

Site da vinícola: www.almaunica.com.br 
Link da loja virtual: www.almaunica.com.br/loja-virtual/produtos/

P.S. – Este texto foi escrito no final de março, mas estava sem condições de cuidar do site, ainda bem que a ansiedade passou, e já me resignei com a quarentena, essa loucura que nunca imaginei viver.

 

 

 

 

 

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