Bar Cañete, um clássico de Barcelona: para pedir tapas no salão e alcançar o Nirvana

A entrada do Paraíso – Foto de Bruno Agostini

Comecei o dia descendo as Ramblas, depois de umas três “copitas” de cava – das minhas preferidas – no café da manhã tardio e preguiçoso na espetacular Mandarin Oriental: era simplesmente a Cava Juvé y Camps Reserva de La Familia Brut Nature.

Não dá para descer a mais emblemática rua de Barcelona sem uma parada na Boquería, que toda a alma da gastronomia local, a boemia, os balcões abarrotados, as vitrines lotadas de gostosuras, o perfume dos fogões.

O bar mais famoso do Mercado St Josef, la Boquería – Foto de Bruno Agostini

Naquela confusão matinal se aproximando do meio-dia o balcão do balcão do El Quim, outra entidade da comida local, o bar mais famoso do Mercado St Josef, la Boquería. Sugestivo nome para um lugar onde comer e beber é o que há. Ou, então, se pode, ainda comprar coisas. De comer e de beber.

Mesmo por volta do meio-dia o balcão estava abarrotado, e ainda fila de espera. Rumei para outra joia catalã, perto dali, dica precisa, e preciosa, de um amigo espanhol que morou em Barcelona muitos anos. Ele me disse: “Imperdível. Fica na  Carrer Unió . Tem bar e restaurante. Minha dica é ficar no balcão do bar. Você vai gostar.”

O bar abre às 13h, e 15 ou 20 minutos depois já está assim (fecha meia-noite) – Foto de Bruno Agostini

Gostar é pouco. Cheguei e como estava sozinho não demorei a conseguir lugar no longo balcão. Coisa de cinco minutos, talvez dez, mas sem a menor pressa, porque já estava tragando um Manzanilla, para clarear as ideias e ajudar as azeitonas ficaram ainda mais deliciosas. Assim eles informam seu horário de funcionamento: “Abrimos de 13h a 24h. Casi todos los días del año, menos los domingos, que cerramos por descanso del personal.”. Eles abrem e em seguida o balcão está assim, lotado. Mas há lugares nas mesas do bonito salão.

Magníficas “anchoas de Santoña” – Foto de Bruno Agostini

Uma vez acomodado, empunhando um branco da região de Penedés que não me lembro qual era, mas que era bom. E começou a festa. Primeiro navajas, depois as Anchoa de Santoña, dessas iguarias que nos fazem quase choras, simples, depois de feita a cura, não muito longa, é servida assim, só com azeite e uma cebolinha francesa – francesa, não, catalão, legítima.

Lulinhas salteadas: ali tudo combina com um bom branco de Penedés: faça isso – Foto de Bruno Agostini

Bem, com as lulinhas salteadas que vieram em seguida vi que ali não tem brincadeira. O cardápio é desses de enlouquecer gente sã cuja loucura é amar a comida. Depois pedi boquerones (um delicioso peixinho curado ao vinagre de Jerez).

Já imaginou o que é papada de porco ibérico com arenque defumado? Pois lá tem. Fiquei tão vidrado que nem tirei foto. Que loucura não seria também as “mollejas de ternera com gambas y su jugo”. Os caras fazem um bechamel de foie gras para cobrir o seu “canelón de pularda (frango especialíssimo)”, muy conhecido.

Os olhos miram aquela lista de delícias e o cérebro diz. Pede, só mais um. Eu parei por aqui, resisti porque a tarde ainda me reservava mais três bares, antes de um jantar da Miguel Torres. Mas foi dureza não pedir “La gamba roja de la playa que llega a las ocho !Salteadita del Mar al plato”. E o que dizer da poética “Presa ibérica a la parrilla com refrito de ajos y limón cortadita fina com su guarnión”? Fiquei curioso pelo arroz Cañete do dia.

E pelas sobremesas Todas elas, que nem vou citar aqui porque acho um tanto indecente falar dessas doçuras.

Não foi fácil sair dali, e desde então sonho em voltar ao bar Cañete, que me veio fortemente à lembrança por esses dias, quando li uma reportagem listando os melhores bares de tapas de Barcelona, abrindo com esta maravilha, e inspirando a estreia oficial da coluna “De Bar em Bar”, uma das dez publicadas semanalmente, todas as terças de noite aqui neste Menu Agostini, uma revista digital de turismo gastronômico e outras delícias”.

SERVIÇO
Bar Cañete: Carrer de la Unió 17, Barcelona. Tel. (932) 703-458. www.barcanete.com

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