De Bar em Bar: ostras, mariscos e cervejas no paraíso das ostras de Nova York

O com, com a sempre vasta, variada e certeira seleção de conchas do dia – Foto de Bruno Agostini

Não se deve acreditar cegamente naquilo em que indivíduos e instituições falam a respeito de si mesmos. Mas há quem acerte: “Since 1913, the Oyster Bar has been doing one thing and one thing only: serving the freshest seafood in New York…”

O Oyster Bar do Grand Central Terminal, em Nova York, é uma dessas instituições, que deixam a modéstia de lado, porque podem.

Come-se muito bem ali, com uma variedade colossal de peixes e frutos do mar, sempre muito frescos, preparados de diferentes maneiras num extenso e certeiro menu. O sofrimento ali é mesmo escolher. O que faz da experiência em grupo algo mais rico, porque assim podemos provar muita coisa.

Qualquer turista que visita Nova York e usa o transporte público, ou caminha por Midtown, acaba parando no Grand Central Terminal. Pra mim, passar por lá significa necessariamente ao menos uma paradinha rápida no Oyster Bar, verdadeira instituição da gastronomia dos EUA. Também contraria a ideia de que lugares turísticos são ruins e caros (o preço está na média de Manhattan, e eu sempre saio satisfeito com o que como, bebo e pago).

O cardápio é impresso diariamente, com as opções do dia – Foto de Bruno Agostini

O Oyster Bar é turístico, é grande e mesmo assim consegue ser muito bom, excepcional eu diria (tudo o que provei, em quatro visitas, estava de ótimo pra cima, incluindo os eggs benedicts com salmão atlântico defumado com molho holandês; o jumbo lump crabmeat com salada caesar; a Manhattan clam chowder; as lulas fritas com molho marinara; e o Maine lobster roll no brioche, com coleshaw , entre outras coisas que não me lembro).

Na última visita fui com a filha, depois de subirmos o Empire State, a umas seis quadras dali. Fomos brincar de comer ostras, e outras do gênero, como as clams de Long Island.

Sou desses caras que olham o menu, e eventualmente até escolho o que comer, mas o que faço mesmo – em lugares confiáveis, como neste caso – é pedir indicação ao garçom, sommelier ou maître, até como forma de avaliar o serviço (quando vem sugestão de pratos e bebidas muito caros, já logo descarto o malandro, porque como ensinam bem as escolas da área, coisas muito caras quem escolhe é o cliente).

Shot de bloody mary com ostras, para começar – Foto de Bruno Agostini

Foi o que fiz. Pedi para ele escolher ostras e clams, e outros do gênero, uns dez ou doze pares, com estilos e origens variados.

– Ok, deixe comigo. Posso sugerir um shot de bloody mary, com ostras?, perguntou.

– Por favor, ótima ideia.

–  E para beber?

– A Flagship Oyster Bar Stout.

– Boa escolha (como já conto em detalhes, no post de amanhã, sobre combinações entre cervejas e ostras, inspirado nesta conversa).

Eu já havia provado bloody mary com ostra, e fica ótima a combinação. Tão boa mesmo que podemos até jogar as ostras lá dentro, pra comer (ou beber, sei lá) tudo junto (vale também com vieiras, camarões, polvo e vários outros pescados, crus ou no vapor, incluindo lagosta e cavaquinha; e também com bacon: já provei com todos esses, e fica mesmo muito bom, é um drinque petisco, ótimo aperitivo).  Assim como um belo prato de ostras fica lindo quando acompanhado de um bom bloody mary, eu gosto especialmente dos mais condimentados.

Seleção de ostras e um pint de Stout: combina, e muito – Foto de Bruno Agostini

Depois veio o lindo prato de ostras, com Beavertail (Rhode Island), Blackberry Point  (Prince Edward Island), Naked Cowboy (Long Island), Sunset Beach e Nisqually (as duas últimas de Washington State).

A filha desconfiada do prato – Foto de Bruno Agostini

Maria se amarrou. Olhava com certa desconfiança. Comia com talher. Cortava. Achava o bicho feio. Mas comeu suas dez, ao todo.

Mas logo ficou feliz, porque adorou – Foto de Bruno Agostini

Depois vieram mais dois pratos.  Primeiro, com a GCOB Blue Point (Copps Island), a Blue Diamond (British Columbia) e a CuttyHunk (Massachusetts), mais uma rodada de ostras.

Porque não só de ostras vive um oyster bar: queremos “clams” – Foto de Bruno Agostini

Depois, com uma duplinha de clams (de Long Island), pra encerrar: Cherry Stone e Top Neck (ambos entre as minhas preferidas, sensacionais). As ostras, gostei especialmente da Nisqually e da Beavertail.

O pessoal lá gosta de jogar uns molhos picantes. Fica até muito bom, mas eu prefiro elas ao natural mesmo. Ainda mais com uma ótima stout no copo. Um lindo contraste.

SERVIÇO
Grand Central Oyster Bar & Restaurant – Grand Central Terminal, 89 E 42nd St, NY 10017. Tel. (+01) 212-490-6650. www.oysterbarny.com

E mais:
Ostras com Stout, uma combinação perfeita, ainda mais no Oyster Bar do Grand Central Terminal.

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