Bar Orella, em Santiago de Compostela: “peça uma taça de vinho e ganhe uma tapa de orelha de porco”

Alvarinho e orelha cozida: 1,75 euro – Foto de Bruno Agostini®

Ainda impactado com suas delícias marinhas e com suas paisagens dramáticas, e as suas histórias épicas, e já com saudades, vou começar a narrar meus dias em terras galegas.

Como um diário de bordo, vou escrever cronologicamente, mas também, de modo até aleatório, vou pinçar alguns momentos dos mais marcantes, destacando bares e restaurantes dos quais jamais me esquecerei.

Começo pelo último dia, e por um dos lugares mais simples de toda a viagem, e mesmo da vida.

Chama-se Bar Orella.

A dica veio do amigo Felipe Quintans, sócio do Bar Madrid, e dedicado subprefeito da Grande Tijuca, carioca de origem galega, com raízes em Santiago de Compostela, onde tem uma casa.

A vida de um jornalista de gastronomia e viagem depende de dicas confiáveis.

Pedi dicas a ele, que é expert notório em botecagem, não só por ter um bar ou por ser tijucano, reduto de muitos dos melhores botecos da cidade, mas também por ser assíduo frequentador deles.

“Santiago tem alguns bares icônicos:
Gato Negro
Bar La Tita (melhor tortilla da Espanha, portanto do mundo)
Abastos 2.0 (no mercado de abastos)
Viñoteca Ventosela (taberna com bons vinhos, em frente ao Gato Negro)
Ali perto tb tem o Bar Orella. Peça uma taça de vinho e ganhe uma tapa de orelha…”.

Lá fui eu no fim da manhã de uma sexta-feira fria e chuvosa para circular no notável Centro Histórico de Santiago de Compostela.

O grupo se dissipou por volta de 11h, e rumei para o ponto de encontro, a linda praça da Catedral, onde chegam anualmente quase 500 mil peregrinos que fazem o caminho religioso – tradição de mil anos!!!

Precisava estar de volta às 14h.

Eram 11h30 quando fiz minha primeira parada: foi no balcão do Bar Orella.

Pedi uma taça de Alvarinho da casa. Custou 1,75 Euro.

Imediatamente veio do panelão fumegante um pratinho com uns apetitosos, mesmo que pálidos, nacos de orelha de porco cozida.

Um “saleiro” de páprica picante chegou junto, engrandecendo o momento, dando profundidade ao petisco, e contribuindo com a desnecessária, mas sempre bem-vinda, harmonização com o vinho.

Tudo se completou. Sabores e texturas, gorduras e ardência, o sal, a cartilagem e o local.

E a tarde feia logo linda se tornou.

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