Coulée de Serrant de Nicolás Joly, safra 2006: simplesmente um vinhaço

Coulée de Serrant 2006, obra de arte de Nicolas Joly – Foto de Bruno Agostini

Quando dei um gole, depois de longamente apreciar a sua linda coloração dourado, e seu perfume instigante, profundo, complexo, mineral e elegante, eu pensei:

“Mas que vinho mais abusado esse. Petulante. É servido logo depois de ninguém mais ninguém menos do que Josko Gravner. E chega assim, atropelando, com uma imensidão absoluta. Um vinho saboroso, aromático, equilibrado, suculento, seco e direto. Um vinho desses que a gente experimenta e diz: que vinhaço.”

Pois foi assim que aconteceu, numa tarde monumental, o evento descrito. Almoçávamos no Esplanada Grill, petiscando manjubinhas fritas e finas fatias de Pata Negra, e bebíamos um lindo vinho, desses preferidos da vida, um Josko Gravner 2009.

Então, o sommelier Robson Venâncio, um dos melhores do Rio, apresentou uma garrafa, sem dizer o que era, como gosta de fazer. Deu várias pistas ao servir. Em vão.  Não conseguimos desvendar o que era aquilo.

Uma coloração dourada e aromas profundos, minerais, salinos, lembravam grandes Borgonhas. Sabíamos que não era. França, Loire? Cogitamos. Fomos informados que, sim, era França, e que era um nome de referência em biodinâmica. Nessa hora, eu que sou cético, percebi que tudo começava a fazer sentido. Estávamos, como era de se supor, diante de um vinhaço, sim, como nos parecia. Não só, era dos grandes nomes. Não estávamos impressionados à toa.

E descrever este vinho é trabalho inútil. Mais válido apresentar o meu espanto diante de um líquido tão preciso, saboroso, suculento, diferente, instigante, inesquecível.

Foi um dos melhores vinhos do ano, certamente dos melhores brancos de uma vida inteira. Posso dizer que é, sem exagero, dos melhores vinhos do mundo.

Era o Clos de la Coulée de Serrant de Nicolás Joly, safra 2006. Um monumento.

O ápice de uma uva, no caso a Chenin Blanc, a expressão maior de uma região vinícola, Savennières, e um emblema de uma enotria, a França.

Joly é um mago, papa da biodinâmica, praticada por ele desde 1980. O contra-rótulo informa que o vinho é feito em pequenas produções, com uvas extremamente maduras, e que eles buscam expressar mais a mineralidade do que a fruta.

O vinhedo Coulée de Serrant é dos mais emblemáticos do mundo, e foi plantado pela primeira vez há quase mil anos (1130) por monges cistercienses, e é isso que lhe dá o direito de usar o nome do vinhedo no rótulo, realmente um lugar especial.

Não vou falar mais nada… Deixo com o Beato. https://clarets.com.br/produto/vignobles-de-la-coulee-de-serrant/

Coulée de Serrant de Nicolás Joly. Um acontecimento.

A safra 2008 custa R$ 590 no site Espaço DOC, neste link aqui.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *