O Corona Vírus, a Quarentena e o drama do setor vinícola no Brasil – Por Adolfo Lona

Orus Rosé Pas Rosé: também rima com elegância – Foto de Bruno Agostini

Um dos grandes vinhos do Brasil, entre os espumantes certamente entre os três melhores, é o Orus Rosé Pas Dosé, produzido por Adolfo Lona.  Usando o método tradicional de Champanhe, e duas de suas uvas – Chardonnay e Pinot Noir – as pequena produção anual de 600 garrafas (500 litros) ganha ainda um pequeno toque de Merlot em sua composição. O resultado faz jus ao nome: é ouro líquido. É delicado, complexo, inesquecível. Mesmo sendo um “pas dosé”, ou seja, não recebe licor de expedição, é seco, naturalmente, e tem acidez alta, mesmo assim não é agressivo, muito pelo contrário, como já dissemos: sua delicadeza e frescor impressionam – tem, talvez, as mais finas borbulhas entre os espumantes nacionais, que me lembre.

Adolfo Lona, e a Silvia – em pessoa e em versão borbulhante – Foto de sua página do Facebook

Não só esse, mas a linha toda produzida por esse argentino que está no Brasil desde o anos 1970, é muito bem-feita, com acabamento impecável. Seus espumantes refletem perfeitamente a personalidade desse enólogo: para resumir, um dos sujeitos mais agradáveis e elegantes, assim como seus vinhos, que o mundo dessa bebida me proporcionou conhecer, por quem nutro imensa admiração. (Há três anos ele lançou o Silvia, edição especial do Orus, homenagem à sua mulher).

Adolfo Lona Brut Rosé, método Charmat, excelente compra – Foto do seu Facebook

Lona é um dos grandes responsáveis pela alta qualidade que encontramos nos espumantes nacionais, de forma geral: foi dos primeiros a apostar no nosso potencial, formou e inspirou gerações de colegas de profissão, e difundiu a cultura das borbulhas pelo país – aliás, que tão bem combinam com o nosso clima e com a nossa culinária típica, em suas diversas regiões. Fora isso, é um dos grandes nomes do setor por estar sempre se posicionando, buscando soluções para os problemas da produção vitivinícola do Brasil. E o que inspirou o post de hoje foi um relato que li logo pela manhã, em sua página no Facebook (link aqui) e que compartilho com vocês (no próximo post, falo um pouco mais sobre os vinhos, onde encontrar etc: feito, aqui o link).

O enólogo Adolfo Lona – Foto de sua página do Facebook

SOLUÇÕES – POR ADOLFO LONA:

Já passados dois meses de paralisação de atividades, a preocupação começa a angustiar. A cada dia que passa, a ameaça de desastre no setor vitivinícola fica mais evidente.

As grandes que atendem redes de supermercados continuam comercializando seus produtos regularmente, mas as pequenas e médias que optaram pelo canal indireto como lojas, bares e restaurantes através de distribuidores, como é nosso caso, estão com faturamento quase zerado.

Aqueles que atuam fortemente no enoturismo e montaram estruturas pesadas, estão ou demitindo, ou criando passivos difíceis de administrar.

Sei que está situação é idêntica à que estão passando muitos outros setores, mas no nosso há um agravante: a falta de vendas acumula estoques e compromete a capacidade de processar a safra 2021.

Quem tem vinhedos, terá de deixar uva nas parreiras e assimilar os custos de produção feitos sem resultado, os que compram deixarão de fazê-lo e os pequenos produtores perderão seu ganha-pão.

O setor sempre foi acéfalo quando se tratou de ações comuns, de defesa do vinho como instituição, da defesa sem diferenças entre produtor de uvas e produtor de vinhos, pequenos, médios e grandes, mas talvez agora, ante esta ameaça tão cristalina, deveria se unir.

Aprender, como fizeram os grandes países produtores do mundo após as guerras, que a união é o único caminho.

Buscar já ajuda para capital de giro com longo prazo de carência, baixos juros, acessível para todos, negociação de dívidas trabalhistas, impositivas, regime emergencial de redução de impostos, por tempo limitado até esta desgraça acabar.

Em fim, montar entre TODOS UNIDOS, um plano de Subsistência.

Conseguimos a proeza de acabar com o IBRAVIN e deixar de ter acesso ao FundoVitis numa clara demonstração falta de visão.

Não a gente não perca agora a oportunidade de sairmos desta situação mais fortes, unidos, coesos.

Ou estou errado?

Ou estou preocupado por nada?

Ou a situação não é essa?

Se alguém do setor puder me corrigir, agradeço.

Seria  um alívio saber que a situação não é tão grave.”

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