Vinho da semana: Riccitelli Old Vines Merlot 2015

Em fevereiro de 2015 fiz um tour de dez dias por três regiões vinícolas da Argentina, visitando cerca de 20 bodegas e provando quase três centenas de vinhos.

Da Patagônia subi para Mendoza – de onde fiz um bate-volta até San Juan. Foi uma viagem marcante, que mudou definitivamente a minha percepção em relação aos vinhos produzidos no país. Porque consagrou um processo que eu já vinha acompanhando há tempos: a Argentina mudou o estilo de seus vinhos, desbravou novas regiões e viu nascer uma nova geração de enólogos, que em sintonia com a velha guarda, trocou experiências e conhecimentos.

No meio de tantos vinhos provados naquele roteiro tão intenso alguns nomes se destacaram, e um deles é um emblema dessa história toda, dos mais importantes, pela sua atuação e pelo simbolismo. Trata-se de Matias Riccitelli, que vem a ser filho de Jorge Riccitelli, um dos ícones da enologia sul-americana, por anos responsável pela Norton.

No último dia da viagem nos encontramos com um grupo de jovens enólogos, que incluía Riccitelli. Havia nos seus vinhos e nele próprio uma rebeldia e uma ternura, um respeito às tradições e uma vontade de fazer algo novo; o conhecimento e a curiosidade. Naquela tarde em meio aos vinhedos, na Terrazza de los Andes, seus vinhos me chamaram a atenção, e dos meus colegas.

Quatro dos seis novos rótulos de Matías Riccitelli: o Tinto de la Casa 2016 (esq.), o dois tintos da linha “onde Vines” e o produzido em parceria com o pai – Foto de Bruno Agostini

Então, uns 40 dias depois daquela prova de vinhos, Matias foi até Río Negro, na Patagônia, onde eu estivera dias antes, para produzir um Merlot de rara felicidade, resultado do trabalho, digamos, investigativo deste enólogo, que vem se especializando em desvendar novas áreas vinícolas e descobrir vinhedos antigos com potencial. há cerca de dez dias nos encontramos para um almoço no Puro, e pude conhecer as suas novidades. A linha “De La Casa”, com um tinto e um branco, com rótulos irreverentes; os três vinhos da linha “Old Vines”, com um branco (Sémillon) e dois tintos (Merlot e Malbec), todos feitos na Patagônia; e o tinto  Riccitelli & Father 2013, produzido em parceria com o pai. Seis novidades fresquinhas no mercado.

Entre todos, o meu preferido foi aquele Merlot, feito com uvas colhidas pouco tempo de ter sido apresentado ao enólogo (alguns de seus vinhos, e seu pai, já conhecia). Gosto da linha inteira, mas alguns me chamam muito a atenção. Foi o caso desta linha “Old Vines From Patagonia”, em particular o Merlot, um vinho fino e delicado, que tem muito de seu DNA italiano: metade do vinho amadureceu em antigos toneis (botte) com mil litros;  e a outra metade em barricas de carvalho, no terceiro uso. Ou seja, a madeira aparece com muita discrição, e o que encontramos na taça é um vinho puro, macio, redondo, com aromas de frutas frescas, como amora e framboesa, e muitos condimentos, com cravo, pimenta-do-reino e louro. A fermentação acontece naturalmente, com leveduras indígenas, e percebemos na prova a delicadeza que envolveu o trabalho no campo e na bodega. Tem potencial de guarda, mas já está uma delícia para ser bebido, e esta eu diria que é outra característica de um vinho moderno e universal, ser longevo mas ficar pronto logo, que ninguém aguenta ficar esperando para abrir uma garrafa (quem quiser que o faça, mas o mercado pede vinhos que possam ser apreciados logo). É, traço muito importante, um vinho amigo da boa mesa, bem versátil, desses que a gente adora compartilhar num almoço de fim de semana, seja com um churrasco seja com uma massa, seja com uma bela feijoada até, com pratos robustos e outros nem tantos – pois apresenta um harmonioso conjunto, bem equilibrado entre acidez, álcool e taninos.

Quem importa é a Winebrands (www.winebrands.com.br), e a garrafa custa R$ 441. Neste link aqui você encontra toda a linha desta vinícola.

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