Ipanema, terra do Garoa – e do Igor muito gente boa

A dupla à frente do Garoa: Pretinho Cereja e Gente Boa – Foto de divulgação / Rodrigo Azevedo

Se a gente quer explorar ao máximo um bar de drinques é preciso se sentar no balcão. Fundamental estar ali, para poder interagir com a equipe de coquetelaria. Assim, além de observar o preparo das bebidas, temos a chance de ir apresentando as nossas preferências, deixando para o bartender a missão de escolher o que você vai beber. Nas melhores casas do ramo, essa liberdade traz excelentes resultados – e provamos coisas muitas vezes únicas, só servidas ali (talvez uma única noite: para você). De modo que ser gente boa é tão fundamental para a função de mixologista quanto ter paladar apurado, boa memória para saber os clássicos de cor e uma “mão boa”, como se diz, expressão que para mim significa saber dosar com equilíbrio os elementos de cada receita.  Reunindo essas três virtudes, o jovem Igor Renovato, do Garoa, não vem sendo premiado à toa. Porque é mesmo difícil alguém do lado de lá do balcão ser tão gente boa. Não só ele, mas seu parceiro de labuta, e Douglas Henrique (não o chame assim, mas de Pretinho Cereja, que ele prefere) outro cara com talento para ser simpático e ao mesmo tempo eficiente no preparo dos drinques.

– Adoro o trabalho dele, um ser humano excepcional. Ele tem um negócio que gosto muito. É um cara informal, com muitas qualidades, e que não veste a máscara da formalidade. Criativo pra caramba. Acompanho o trabalho dele desde que começou, no Alice, em Botafogo. Estamos com uma nova safra de pessoas incríveis que estão nessa linha.  Esses garotos vieram para mudar uma estrutura histórica no Rio. Ter pessoas informais comandando grandes casas – diz o músico Gabriel Cavalcante (ou da Muda), uma das maiores autoridades no assunto.

O salão do primeiro andar, aberto para a Prudente de Moraes – Foto de divulgação / Sergio Greif

Natural que o Garoa Bar, no Leblon, inaugurado em 2016, tenha ficado pequeno. Virou um fenômeno e há algumas semanas abriram uma nova casa, em Ipanema, na esquina onde funcionou o Ten Kai por anos.  Bem maior, tem 150 lugares espalhados por dois andares. Agora tem toda uma parte aberta para a rua, junto ao balcão. E é ali o melhor lugar a se estar (tem uma área agradável, no segundo andar, para grupos de até 15 pessoas, com alguns drinques exclusivos para o espaço).

-O Igor tem algumas virtudes. Um cara muito generoso e alegre. Faz questão de desenvolver a equipe dele, tem muita harmonia entre eles. Se ele sair um mês de férias, o bar vai continuar funcionando da mesma forma. Isso se reflete no bar como um todo, no ambiente. É dos poucos bares que não é bar de um bartender só.  E no último ano ele se desenvolveu bastante, tem feito um trabalho bacana, com cacau, com café, que ele trabalha de forma muito simples, privilegiando o ingrediente. Outra coisa boa é que ele faz desde de drinques de botequim até de bar fodão. Tem um bom conhecimento de clássicos, mas ele é moleque no bom sentido, para poder customizar receitas, para dar um twist em clássicos, adaptar coisas e tecnicamente dentro do bar ele realmente é muito bom, mas tudo de cabeça, no olho, e é muito preciso – conta a jornalista do Globo, colunista de bares, Marcella Sobral.

Nós concordamos com eles. E depois de algumas noites felizes na matriz do Leblon, já estivemos duas vezes no Garoa de Ipanema. Um lugar para ser feliz.

Portunhol: gim, tônica com ginger ale, pepino e pimenta rosa – Foto de divulgação / Filico

Drinques com gim, como é regra hoje, estão entre os mais pedidos, e são 20 marcas do destilado. Na carta há 12 receitas nova e autorais:  cada um dos quatro integrantes do time do bar criou três. Interessante notar a proposta. Nomes e receitas foram inspirados nos caminhos de Santiago de Compostela  – cidade espanhola onde o Garoa nasceu, há 11 anos.

Interessante é a fórmula e a apresentação do chamado De Compostela, feito com gim Bombay, infusão de parmesão, brandy de Jerez, xarope de pão, molho de maracujá e mexilhão em conserva montado sobre uma concha de vieira – o marisco é o símbolo do caminho de Santiago.

Campo de Estrelas: arte no copo – Foto de divulgação / Rodrigo Azevedo

Já o Campo de Estrelas, que é a tradução da palavra Compostela, leva  Yaguara Ouro, kombuchá de hibisco, gengibre e frutas vermelhas, e é finalizado com aquela máquina que imprime desenhos sobre bebidas. São reproduções de pinturas clássicas.

Chivas Extra: elegante, mas só para os fortes – Foto de divulgação / Rodrigo Azevedo

Imperdível é boa definição para o Salute!, no caso dos apreciadores de bebidas fortes: trata-se de releitura do clássico Boulevardier: tem Chivas Extra, vermute de Jerez Fernando Castilla (dá um toque incrível), Campari reposado e ameixa seca.

Outro potente acerto é o Negroni de Café, combinação que anda na moda: no caso, é feito com gim Bulldog em infusão de café, Campari e vermute tinto. Em Ipanema, mate não pode faltar: o Yaguara Mate tem a cada do bairro, preparado com a cachaça em infusão de casca de abacaxi, mate e limão. Simples e delicioso assim.

Em tempo: a comida é bem boa, e não decepciona. Pode pedir os petiscos sem medo.

Uma curiosidade: já tinha escrito o abre desta matéria quando fui dar uma espiada no Instagram do Igor Renovato. Sabe qual o nome? Gente Boa. Com certeza ele pode usar.

Para encerrar: Gostei tanto do depoimento do Igor, sobre a sua trajetória, que começou numa casa de shows da Vila da Penha, que este será o tema da coluna de quinta, Destilado do Balcão, onde o assunto são drinques, bartenders,  destilados e outras cachaças.

SERVIÇO
Garoa Bar Lounge – Rua Prudente de Morais 1810, Ipanema. Tel.: (21) 3264-7760.
Garoa Bar Lounge – Rua Dias Ferreira 50, Leblon. Tel.: (21) 3591-7617.

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