De Bar em Bar: Herr Pfeffer, no Leblon, o melhor bar do mundo

Qual é o seu bar preferido?

Porque todo mundo tem um boteco de estimação.

Um lugar acolhedor, geralmente pequeno, onde nos sentimos em casa, não precisamos olhar o menu e podemos até pendurar a conta, e chorar as mágoas com os garçons e garçonetes.

Nunca, acredito, esse bar pode ser muito grande: tem que ser pequeno, de poucas – e boas – pessoas. Duvido que alguém residente em Munique (não sei como se diz… Muniquense?) tenha o bar da HB como o seu favorito. Duvido mesmo.

Pois falando em Alemanha, o meu bar preferido é um pequeno recanto alemão escondidinho no Leblon. Sim, o Herr Pfeffer, o melhor bar do meu mundo, que combina várias coisas que eu adoro: cardápio alemão e cervejas; ingredientes de qualidade e cozinha competente; preços honestos e seleção mais do que criteriosa de bebidas (melhor carta de cervejas da cidade, novidades, os rótulos mais incríveis); time de salão eficiente e simpático; funcionamento contínuo de domingo a domingo, ao menos de 12h a 00h; pimenta da casa; clima aconchegante. Quero levar os amigos, os familiares, quero que todos conheçam esse lugar maravilhoso. Direitos uhumanos… Qualquer pessoa deveria ter o direito de passar uma tarde ali, fazendo o percurso completo: embutidos, milanesa, mostrada, cerveja…

Cerveja da casa – Foto de Bruno Agostini (do Instagram @brunoagostinifoto Siga também: @menu_agostini )

Pois o Herr Peffer reúne tudo isso, e muito mais. Prove a cerveja da casa, uma excelente e  autêntica German Pilsner, estilo mais consumido no país, e o preferido do público mesmo em casas especializadas como essa.  É uma verdadeira German Pilsner , só que produzida na Região dos Lagos. “A ideia é fazer uma cerveja autêntica alemã, que tivesse a característica da casa, própria pra nossa comida, que combina com vários pratos, e o nosso clima.  Vai muito bem com patês e tartares, por exemplo. Será vendida em garrafas e também ‘on tap’, servida nas tradicionais caldeireiras. Tem um amargor balanceado, com a doçura do malte fica bem equilibrado, e é leve e refrescante. Todos os ingredientes são alemães, menos a água. Queremos, também, que seja uma porta de entrada para as pessoas começarem no mundo das cervejas artesanais. Além de tudo, me faz lembrar as viagens até fiz pela Alemanha. Quem nos ajudou a fazer foi Salo Madonado, da Motim, que aprecia o estilo e tem experiência com ele. Fizemos na cervejaria Lagos, em Bacaxá,  na região de Saquarema”, explica Fábio Santos, sócio da casa. Em tempo: já estará disponível em todas as casas do grupo, incluindo as duas unidades da Adega do Pimenta .

Régua de cerveja e salsicha da diretoria – Foto de Bruno Agostini

Costumo a dizer o seguinte. Existem hoje no Rio dezenas de bares e restaurantes com boas cartas de cervejas. Mas nenhuma igual à do Herr Pfeffer, no Leblon. Fábio Santos, o sócio, é quem escolhe os rótulos da casa, e só deixa passar os melhores. À porta, sempre encontramos novidades e das torneiras, jorram cervejas difíceis de se ver “on tap”. Também encontramos ali uma rara seleção de schnapps, os digestivos alemães, que encerram brilhantemente um jantar. Se a seleção etílica é de alto nível, e foge da obviedade, o mesmo se pode dizer da cozinha. Como boa casa alemã, encontramos clássicos do gênero, como croquetes de carne, um bom eisbein, ou kassler (e salsichas diversas), que podem ser escoltados com chucrute e salada de batatas, e mostarda da boa, como manda a tradição. Os embutidos reluzem.  Prove a magnânima Krakauer: a rainha das salsichas (na foto de abertura do post), não sem razão, feita com carne bovina. Costumo a dizer que é uma salsicha tão boa, mas tão boa, que lembra linguiça, com suas gorduras suculentas e saborosas, e textura explosiva, com sabor marcante, levemente picante e defumado. Tipo, nascido para uma caneca de cerveja, um pote de picles e umas colheradas de mostarda da forte. Produzidos artesanalmente por um alemão de Mendes, esses embutidos estão entre os destaques do menu. Não existe nada parecido na cidade, por exemplo, com dupla formada por morcela e patê quente, esta última uma espécie de salsicha cremosa, deliciosa. Outra pedida que não encontra equivalente no Rio é a porção de patês, com cinco versões (de vitelo, de pato, de galinha, de porco), em diferentes preparações e curas, e temperos. Ainda do repertório do alemão de Mendes, a “linguiça da Diretoria” é feita com pimenta verde, e é servida frita: das melhores da vida, assim como a Krakauer. Encontramos até um belo currywurst, a salsicha acompanhada com potinho de ketchup temperado com páprica e curry, iguaria típica das ruas de Berlim. Há versões germânicas, usando essas carnes, de feijoada (com feijão branco) e cozido (com eisbein, salsichas branca e bock, kassler, bacon, chouriço, morcela, chucrute e batatas cozidas).

O joelhão do Herr Pfeffer – Foto de Bruno Agostini

Fica difícil escolher, de modo que ir em bando ao Herr Pfeffer é sempre uma boa pedida, porque assim podemos provar mais cervejas (e schnapps) e pratos. Um deles, porém, exige não apenas um grupo grande, mas também planejamento: trata-se de um joelho de porco, que incorpora um pedaço do pernil. Coisa de maluco. A peça, que pesa entre 5 e 6 kg, geralmente,, serve fácil, fácil umas dez ou doze pessoas, e sozinha já justifica uma visita ao lugar. Depois de assada lentamente, ela ainda é regada com uma cerveja, que o cliente escolhe (paga à parte), e volta para o forno, para a finalização. O resultado é um joelho de porco único, sem nada igual na cidade, com vários tipos de carne unidas pelo osso, umas partes externas, tostadinhas, e outras com distintos níveis de gordura, um conjunto macio, que se desfia, e com tempero na medida exata. Para encerrar, uma torta alemã, que vai bem com uma stout. Ali encontro o melhor bife à milanesa do Rio de Janeiro. Com salada de batatas. E cerveja da casa: experimente. Já ia me esquecendo de citar o tartare impecável, os raros rollmops, os filé de areqnbue, a língua defumada, a batat roesti impecável. prove o PF de pato com purê de baroa. Certamente estou esquecendo de algo. Como adoro esse lugar. termine com o apfelstrudel. E um copinho de schnapps.

Claro que de tanto frequentar, acabei virando amigo do dono, o que é uma sorte. Aprendo muito sobre cerveja, conversamos sobre viagens à Alemanha, sobre o Mondial da la Bière e outros assunto correlatos. E vez ou outra ele até me dá um chope de graça, ou me manda um prato na cortesia. Obrigado, Fábio Santos. Seu bar é o melhor do meu mundo, o meu preferido entre todos.

SERVIÇO

Herr Pfeffer – Rua Conde Bernadotte, 26, Leblon. Tel. 2239-9673. www.herrpfeffer.com.br

2 commentários
  1. Eu e meu marido frequentamos há anos o Herr Pfeffer, e foi extraordinariamente bem descrito nesse post. Só quase me matou de susto, achei que não fosse falar do MARAVILHOSO bife a milanesa!! Ainda bem que teve espaço pra ele no final.
    Adorando o site e todas as matérias.

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