Ostras de quinta: elas chegam fresquinhas, e são de primeira

Ostras e cervas: ácida ou defumada? – Foto de Bruno Agostini

Os loucos por ostras sabem muito bem: terça é o dia mais indicado para se comer esses moluscos no Rio. Dia é modo de dizer, porque a maior parte das casas só é abastecida no começo da noite. Faz sentido. As ostras chegam de Santa Catarina. São recolhidas pela manhã, acondicionadas em caixas térmicas, embarcam em avião e chegam  aos restaurantes ainda vivas.

Não só pelo frescor, mas por uma questão de segurança. Comer ostras e outros mariscos mesmo que apenas ligeiramente passados é um horror, um perigo. Ou seja, só devemos comer esses deliciosas iguarias em lugares confiáveis, de preferências que estejam ainda vivos (por isso o Satyricon é imbatível no quesito frutos do mar, no Rio: seus aquários nos garantem não só variedade, como inigualável frescor quando o assunto são lagostas e mariscos).

Lembro de lugares como o Haru, em Copacabana, o Brewteco, no Leblon, e o Canastra, em Ipanema, onde as noites de terça são bem concorridas, por conta justamente da oferta de ostras. Na terça passada (11/6), mais uma casa entrou para o time das “Ostras de terça”: o ótimo Ají Marisqueria, um peruano-latino altamente recomendável, num dos lugares mais legais do Rio hoje, o Be + Co, em Botafogo, espaço colaborativo que tem ainda, entre outros, Curadoria e Katia Hannekim (não deixe de ir).

Agora, temos ao que parece mais um dia bom para se comer ostras em lugares específicos.

Bazzar: fique no balcão e seja feliz – Foto de Bruno Agostini

 

Nas últimas semanas, o Delirium Café e o Bazzar, em Ipanema, e a deli Dom Luiz, na Cobal do Humaitá (antiga Candy), passaram a servir ostras, fresquíssimas, nas noites de quinta.

No Bazzar a novidade começou na semana passada. Recomendo que se sente no balcão, que se use e abuse do sommelier da casa, o argentino Ivo Arias. Depois das ostras, peça o arroz pegado de  capote (ganha d’angola), um dos melhores pratos em cartaz no Rio, perfeitos para essas noites frescas do outono-inverno carioca. Não deixe de chamar a chef, a piauiense Lira Müller, do Piauí, que se inspirou na cozinha de seu estado para criar o prato. Simplesmente incrível. Provei com Jerez, e foi das melhores coisas do ano.

– Na Lagoa, há 20 anos, eu estou saudosista com a data redonda e fazendo várias homenagens. Eu tinha a “terça da cerveja” e a “quinta do espumante e Champanhe”. Nesses dias, eu fazia os rótulos que jamais estariam na taça,  a preços mais baratos. Estou ressuscitando saudades e decidi juntar ao espumante, as ostras. Vêm de uma fazenda que amei em Florianópolis, super segura e com rótulos que variam de semana a semana. Não é só espumante, também tem branco e tal. Semana que vem (hoje), tem Muscadet – conta a sócia do Bazzar, Cristiana Beltrão, que na semana passada serviu os seguintes vinhos: Cave Geisse Brut  (R$ 29 a taça, R$  149 a garrafa);  Aurora Extra Brut  (R$ 36, R$ 168); Adolfo Lona Brut Rosé (R$ 23, R$ 106); Chardonnay Aurora (R$ 20, R$ 95); Bucellas Arinto (R$ 20, R$ 95) e Gruner Veltliner Zero-G (R$ 30, R$ 137).

O cardápio é curto e certeiro: ostras a R$ 9; a deliciosa composição de vieira com abacate e azeite de baunilha, servida na concha sai por R$ 32; o caranguejo com tucupi e farinha de Bragança vale R$ 39 e as lascas de peixe do dia saem por R$ 32. Tem uma opção “Aceito tudo”, com três ostras e um item de cada, por R$ 89 (recomendo).

No Dom Luiz, é impossível ir sem comer a melhor punheta de bacalhau do Rio. Sensacional. E, agora, o cardápio da casa ganhou esse precioso reforço. Quinta tem ostras fresquinhas, com preço ótimo, difícil de ver por aí: quatro por R$ 20. Considerando que os vinhos são vendidos a preço de loja (tem um curioso método de venda a peso, inédito para mim). Há sempre bons brancos geladinhos, nessas ocasiões, desses feitos para acompanhar ostras.

Já no Delirium Café, a grande bossa é poder  fazer harmonizações, das ostras e dos mexilhões servidos às quintas, com a vasta carta de cervejas da casa (peça dicas ao sommelier Sergio Simon). Como se sabe, esse restaurante é de origem belga, e os mexilhões com fritas são o prato nacional desse país onde se come e bebe muito bem, obrigado. Vale fazer testes com cervejas ácidas, com as de trigo, com as condimentadas e mesmo com as escuras. Divertidas brincadeiras.

SERVIÇO
Bazzar: Rua Barão da Torre 538, Ipanema. Tel. (21) 3202-2884. www.bazzar.com.br
Delirium Café: Rua Barão da Torre 183, Ipanema. Tel. (21) 2502-0029. www.deliriumcafe.com.br
Dom Luiz: Rua Voluntários da Pátria, 448 – Loja 10/11 – Cobal do Humaitá – Tel. (21) 2539-2724.

 

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