Bar Kalango joga tempero carioca na cozinha do Nordeste, em Botafogo

O sonho de bobó faz jus ao nome, e tem massa leve, de aipim – Foto de Bruno Agostini®

O Kalango tem um borogodó muito do arretado. Ali, naquele pedaço de Botafogo onde não param de brotar bares e restaurantes dos mais legais do Rio, este botequim tão nordestino e tão carioca apresenta uma cozinha divertida e gostosa. É sempre bom estar ali. Faz um ano que se instalaram na casa nova, depois de fechar as portas, na pandemia. Uma casa de tijolinho aparente, de esquina, com salão arejado, de paredes coloridas, lugar agradável de estar.

O bar tem um molejo carioca, mas o que faz mesmo é celebrar a cultura do Nordeste, através da comida. De um modo particular.

Os bolinhos de feijoada, vendidos de quatro em quatro – Foto de Bruno Agostini®

A carioquice está presente em parte do menu, onde encontramos o icônico bolinho de feijoada da Katita Barbosa, mãe da Bianca Barbosa, que criou o Kalango. O acepipe virou símbolo da nova gastronomia carioca, e logo, por consequência, da brasileira. Encontramos outros campeões de pedidos do repertório do Aconchego, como os bolinhos de feijão branco com rabada e também aquele mágico travesseirinho de tapioca com camarão – petisco este que revela justamente o DNA nordestino do Aconchego. Katia Barbosa sempre lembra a origem da família na Paraíba, e essa foi a inspiração quando criou o seu restaurante, cuja decoração sempre foi marcada por redes penduradas no teto.

No Bar Kalango, o que eles fazem mesmo é celebrar a cultura do Nordeste, através da comida. Foi criado ali, no local de origem deste bar, na Praça da Bandeira, perto do Aconchego, outro petisco primoroso, e digno de nota e tombamento: o sonho de bobó de camarão. O aipim está na massa, que é aerada e fofinha, bem frita e sequinha, e também no recheio, cremoso, com aquele sabor da Bahia, o dendê bailando com o leite de coco, e o coentro abençoando a todos. Parece até uma festa junina.

Baião de dois bem servido e saboroso – Foto de Bruno Agostini®

Da última vez em que estive lá, sem muito tempo, petisquei menos, o que abriu espaço para pedir um prato ali pela primeira vez no novo endereço. E fui no baião de dois, que serviu duas pessoas – é bem farto, porque é anunciado como individual.

Achei uma delícia.

É a carne-de-sol dos novos tempos, que deveria ser rebatizada de carne-de-sal, uma vez que não é mais curada ao sol, mas em geladeira, só com sal. Fica bem melhor que a original, convenhamos: ganha sabor da cura, e também uma consistência interessante, que mantém suculência. Bem acebolada, para tudo ficar mais úmido e tostadinho, com aipim frito, queijo coalho e aquele arroz com feijão na manteiga-de-garrafa que todo mundo ama. Coentro, claro, arremata, e arrebata!

Para encerrar, sugiro a rabanada de broa, com creme de tapioca , doce de leite e pitada de flor de sal, sobremesa tão marcante quanto aconchegante.

Detalhe: #soquenao A curta seleção de vinhos, sempre com boas escolhas nacionais, de pequenas vinícolas, está a cargo da grande Marina Garritano, gerente e sommelière do Coltivi, e ex-Copacabana Palace. A lista é renovada regularmente.

O Kalango tem um jeito, que nenhum boteco tem.

SERVIÇO
Bar Kalango: Rua Arnaldo Quintela 44, Botafogo. Tel.: 3178-0811. Instagram: @barkalango

 

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