O Pope é pop, é jazz, é Negroni, é Itália na veia de Ipanema: amém

Bloody Mary, pão chato inflado e carne cruda: harmonização vespertina – Foto de Bruno Agostini®

Algumas pessoas sabem fazer as coisas. Geralmente, acabam se cercando de outras que também sabem. O resultado disso, se estamos falando em bares e restaurantes, geralmente é a criação de lugares legais, desses onde gostamos de estar. A dupla Jonas Aisengart, bartender, e Edu Araújo, cozinheiro, é dessa gente que sabe fazer coisas legais. Fazem coisas que parecem despretensiosas, e que até parecem fáceis de realizar, porque fazem com certa naturalidade, essa virtude de quem tem talento.

Estão envolvidos em várias casas que eu curto estar, de perfil bem variado. Tem o Café 18 do Forte, que não só é dos lugares mais aprazíveis do Rio para se passar uma manhã ou tarde vadia comendo e bebendo, como também tem uma cozinha à altura da vista. Tem o Quartinho, um bar que é kitsch, mas também tem tamanho de quitinete, daí deve vir se nome, mas que tem uma cozinha que faz grandes comidinhas, e uma coquetelaria de primeira. Vizinho dele, encontramos o Chanchada, um boteco clássico, das antigas, ainda que tenha nascido este ano. É como se fosse jovem, mas com cara de septuagenário.

Tem mais coisa vindo por aí, pelo que sei: aguardem um bar de drinques em Ipanema muito legal, pronto, falei.

Tomate, pancetta, azeitona e manjericão e outras coisinhas numa das melhores versões de Bloody Mary do Rio: #vaipormim – Foto de Bruno Agostini®

Outro distinto local criado por eles é o Pope, também em Ipanema. Está fazendo um ano de vida, foi inaugurado no final de julho do ano passado. E já ganhou prêmio de meslhor gastrobar da cidade, seja lá o que isso signifique. Pra mim, é um restaurante italiano, e dos bons, embora também não deixe de ser um bar, assim como uma pizzaria – tipo 3 em 1. Fica do térreo de um hostel, El Misti, onde funcionou por breve período a Joana, moderna pizzaria, que andou badalada antes da pandemia, quando sucumbiu ao fechamento dos bares. Mas, e daí? Renasceu melhor, com nome pontífice, irreverência em alusão ao Papa Francisco. É um restaurante italiano, que brinca com as referências ao país em seu divertido perfil no Instagram. Mas, na vida real, as coisas ali são sérias.

Mesão junto ao forno a lenha que domina o salão – Foto de Bruno Agostini®

Desde o Negroni que sai perfeitamente preparado do bar às pizzas que assam no violento forno a lenha, de altas temperaturas, que assa algumas das melhores da cidade. Como a Alicetta, só massa, tomate e alici, das melhores coisas para se comer no Rio, a meu ver, e que motivo um post, meses atrás, destacando o trabalho de Alê Sampaio e as noites de quartas, embaladas a jazz de primeira qualidade. Um programa ipanemense mas com elegância milanesa, ou algo meio máfia siciliana de Nova York. O fato é que é chique e cosmopolita.

Close no prato, com cubinhos de carne, queijo, avelãs tostadas e uma saborosa berinjela – Foto de Bruno Agostini®

Há duas semanas eles estão abrindo para almoço, às quintas e sextas. Que bom é sentar na varanda, pedir um Bloody Mary, para acompanhar uma carne cruda, que não é steak tartare, por favor, mas algo sempre muito melhor, e que vai direto ao ponto. Cubos de carne, queijo ralado, umas avelãs tostadas, azeite, sal. Temperos e acessórios que notamos com nitidez.

Mas o menu todo está disponível, de modo que é dos poucos lugares que servem pizzas durante a tarde, o que acho ótimo, e que em breve voltarei para pedir umas. Daí vou querer beber um vinho. Há boas opções.

Dá vontade de repetir o atum marinado da primeira visita, assim como a Alicetta, sempre. Quero o linguini al vôngole, a cotoletta alla milanese, a couve-flor na fonduta, a burrata com cogumelos e trufas, uma caesar salad que perece foda só pela descrição (acelga loura grelhada, pó de pancetta assada na lenha e grana padano) e as pizzas bem boladas, como a carbonara, a calabresa picante com azeitonas pretas (combinação que amo). Para ver o menu, clique aqui.

Pêra cozida no vinho branco com especiarias, caramelo, crumble de pecã, avelã e macadâmia e sorvete de leite de ovelha: porn food total – Foto de Bruno Agostini®

Fora isso, tem a pêra…

Puta que o pariu. Sem pretensão, mas fico pensando assim: parece que o Pope Ipanema foi feito para mim. Tem tudo o que eu amo, está no bairro que sempre vivi, e serve tudo o que eu mais gosto. Tem jazz, Negroni e Bloody Mary. Vinho Alma Surfer do Fallabrino. Tem alice. Tem varanda. Tem pizza de tarde, assada na lenha, olha que abuso. Tem até cannoli, meu Deus do Céu.

O Pope é pop, o Pope é phoda. O Pope é meu também.

SERVIÇO
Pope Ipanema: R. Joana Angélica 47, Ipanema. Tel.: Instagram: @popeipanema

E MAIS:
– Pope, uma casa italiana de Ipanema que tem uma pizzaiola nota 10

 

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