Guimas, o mais carioca dos bistrôs, festeja o Dia da Bastilha no próximo domingo

A emblemática porta da casa da família Mascarenhas, na Gávea – Foto de Bruno Agostini

Se pensarmos bem, um bistrô não é simplesmente um lugar de comida francesa e preço razoável. O conceito vai muito além: é, sobretudo, um restaurante tradicional, familiar e com cardápio acolhedor, que muda com frequência sem jamais abandonar seus pratos clássicos, servindo menus apreciados pelos moradores locais. São locais agradáveis, que têm clientes assíduos, e com espírito que reflete a alma de cada cidade – não só de Paris: porque há bistrôs em toda a parte.

Para mim, por conta disso tudo, o Guimas, inaugurado em 1981, é aos 38 anos de vida o mais carioca dos bistrôs.  Tem tudo o que espero de estabelecimentos do gênero – inclusive a localização, em área de agito cultural, frequentada por artistas, jornalistas e a boêmia em geral. É um bistrô-bistrô. Voltando à teoria inicial, temos os aspectos estéticos. O lugar tem piso quadriculado preto e branco, e mesinhas cobertas de toalhas xadrez, e umas lousas com sugestões, de comes e bebes. Tem varanda. bem frequentada.

O Dia da Bastilha tem cassoulet e música francesa – Foto de divulgação / Luiz Garrido

E a inspiração deste post que estou para escrever faz um tempo é justamente o fato de que, no próximo domingo, dia 14, esse que é o mais carioca dos bistrôs vai celebrar o Dia da Bastilha, servindo um cassoulet – prato perfeito para esse frio, acompanhado de um bom tinto, encorpado para a feijoada francesa, feita com feijão branco, pato, lombinho e costelinha defumados, paio, linguiça e bacon (R$ 82). Para embalar, trilha sonora francesa: não faltará Edith Piaf nem Charles Aznavour. “Non Je Ne Regrette Rein”…

O nome da casa vem da junção dos sobrenomes Guimarães e Mascarenhas, porém, hoje, o restaurante é comandado apenas pela segunda família. Os Mascarenhas estão sempre por lá, cuidam da cozinha e do salão, sentam-se com os amigos que também são clientes, servem as mesas, sugerem vinhos, e preparam os saborosos pratos servidos ali. Realmente o Guimas é a casa da família Mascarenhas.

Lambuzada na mostarda em grãos, uma das melhores costeletas de cordeiro do Rio – Foto de Bruno Agostini

Algumas coisas servidas ali são fantásticas. Por exemplo, eu posso lembrar que as melhores costeletas de cordeiro que comi no Rio de Janeiro foram no Guimas – pena que não estão sempre no menu.

Bloody Mary “animal”, temperado com beef tea: no Guimas tem – Foto de Bruno Agostini

Há pratos que não estão no cardápio, falando nisso, portanto convém sempre conversar com os garçons sobre o que pode ter de diferente no dia. Diferente, não, eu diria especial. Assim, conversando com o pessoal de lá, descobrimos que ali é dos poucos lugares da cidade que serve um Bull Shot, bem como também uma altamente recomendável versão carnívora do Bloody Mary, porque o Guimas prepara um excelente beef tea, que serve de base para os dois coquetéis.

Um dos melhores bifes á milanesa do Rio: combina com Riesling da Alsácia e com chope Pilsner – Foto de Bruno Agostini

A carta de vinhos é curta e certeira, preparada em parceria com Antônio Campos, da Zahil, e podemos provar um belo Riesling da Alsácia, por exemplo, para acompanhar o bife à milanesa, que foi o que fiz em minha última visita (quem quiser pode pedir o bife em forma de sanduíche).

Bolinhos de bacalhau, para começar: restaurante tem forte influência portuguesa – Foto de Bruno Agostini

Sei que na sexta, e apenas na sexta, podemos pedir um steak tartare, entre os melhores do Rio, com fritas. Olho o cardápio e fico com vontade de provar de tudo. Começo nos petiscos, que são o reflexo da cultura gastronômica carioca, cruzamento de vários influências culinárias: alemães, portuguesas, francesas. Vamos de croquete ou pastel? Bolinhos de bacalhau ou carpaccio de carne? Que tal um belo burguer? Para o principal: moquequinhas, steaks ao poivre, milanesas, picadinhos…  Pense num delicioso arroz de pato, e receita da casa, o bacalhau da Comporta é feito com creme de leite, vinho branco e juliana de alho poró enquanto o filé do bêbado combina molho de champignon, vinho tinto, bacon, cebola calabresa e batata gratinada (sim, uma espécie de boeuf bourguignon carioca).

Mil folhas de morangos com creme: delícia – Foto de Bruno Agostini

Para encerrar, pudim, Romeu e Julieta, folheado de morango… E um café.

Que tal? Merci.

SERVIÇO
Guimas:  Rua José Roberto Macedo Soares 5, Gávea. Tel. 2259-7996. Diariamente, do meio-dia à 1h. www.restauranteguimas.com.br

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