Moacyr Luz e o Delírio da Baixa Gastronomia

Moacyr Luz na sacada do Bafo da Praia: domingo antológico! – Foto de Bruno Agostini©

Moacyr Luz não tem esse nome à toa. Ilumina a boemia carioca com sua poesia. Ninguém é vizinho do Aldir Blanc sem razões maiores, muito menos faz música com ele.

Autor de frases bonitas e melodias macias, ele compõe canções imortais, como “Delírio da Baixa Gastronomia”, quando diz “Garçom de borboleta / Escrito à giz na tabuleta / ‘Mocotó'”.
Faz rimas que só quem frequenta boteco pode fazer. “No caldo do ensopado / Um lagarto fatiado / É de fazer chorar”.
Emenda com outras de mesmo tipo: “Um cozido à brasileira, no domingo e quarta-feira”.
Ele rima feliz com Bar Luiz, num andamento surpreendente.
Uma mesa há duas semanas atrás, na Churrascaria Palace, que o Moa frequenta regularmente – Foto Thiago Borges (@bodegacarioca)
Moa é um acontecimento da cultura popular brasileira. Luz solar, que abrilhanta o samba raiz, se ramificando nos balcões da cidade. Tenho a sorte de de vez em quando dividir a mesa com ele, muito engraçado e excelente contador de histórias, e de ver seus shows, verdadeiras festas do samba.
“Deixa o cardápio aí / Diz o que eu vou pedir”. Essa é a alma de um boteco, e assim ele canta.
A partir disso, nesta composição que homenageia os bares do Rio, faz um partido alto de primeira quando a música se encaminha para o fim, com este refrão antológico. “Pra finalizar, aceito a dica do Jaguar / Vou dormir “.
É um samba de fazer bebum levantar da mesa pra dançar, de decorar o refrão para cantar nos botecos da vida. Que delícia, como tantas as que ele lista nesta música que celebra a cultura botequeira carioca, que chega até São Paulo, com bares inspirados nos nossos. Merecem.
Reprodução
Grande Moa, fundador do Samba do Trabalhador, esse monumento da música brasileira, que acontece às segundas no Clube Renascença, no Andaraí, reunindo uma turma de bambas que inclui meu amigo Gabriel da Muda, da Fabro, que foi assunto de post recentemente aqui (para ler, clique aqui).
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