Churrascaria Palace, modo de usar: versão 2.0, revista e atualizada, do post

 

O cupim, clássico que nunca falta, e uma novidade: os chips de raízes brasileiras – Foto de Bruno Agostini®

Muita gente me escreve pedindo dicas do que comer. Para a Churrascaria Palace, isso é algo que acontece quase que diariamente. Faço com prazer uma sugestão de percurso, das entradas em forma de petiscos típicos de botequim, até chegar aos cortes mais untuosos e de sabor marcante. É preciso atualizar sempre esse manual de conduta, ou “Modo de Usar”, como costumo a dizer, No caso da Palace, o ritual merece começar com um balde com gelo, e uma garrafa de branco ou espumante.

 

O mexilhões de Santa Catarina entraram no menu há cerca de dois meses – Foto de Bruno Agostini®

Dependendo da mesa, é possível até pedir umas duas garrafas, para acompanhar os pescados e cortes de porco, procedimento que adoto em todas as vezes. Ostras frescas para começar. Depois, podem ser lascas de arenque com maionese de urucum, salmão defumado ou sardinhas portuguesas, e quem sabe uma rodada de salames artesanais, da salada de bacalhau com grão-de-bico ou mozzarella de búfala com tomates, regados com bom azeite. Gosto de brancos aromáticos e encrespados nesta parte, de todo modo, os rótulos portugueses do norte sempre funcionam aqui, como um Alvarinho do Minho, um Encruzado do Dão ou um corte do Douro.

Ostras, para começar – Foto de Bruno Agostini®

Eles vão funcionar muito bem com o que eu proponho a seguir, que é pedir os bolinhos de bacalhau e as primeiras espetadas da churrasqueira, começando com o pirarucu. Já estou neste momento, lambuzando o prato com a fortíssima pimenta Carolina Reaper, da marca Fogo Mineiro, certamente a mais forte que já provei.

Costeletas de porco preto brazuca: harmoniza com brancos aromáticos como o Alvarinho da Quinta da Lixa – Foto de Bruno Agostini®

Também ainda estou dispensando os tintos e apreciando os brancos quando peço os primeiros cortes de porco, sempre começando com o indispensável porco preto brazuca, de criação nacional, de notável qualidade, sem dever nada ao original português. A costelinha de porco piau, caipira nacional, é imperdível. A pancetta com molho de melado e tomilho merece uma atenção, e aqui ainda cabe um bom naco de javali, e mesmo a paleta de cordeiro, que gosto de acompanhar com brancos de personalidade e vigor.

Coração nobre – Foto de Bruno Agostini®

O coração, há algum tempo, já não é de galinha, mas de pato. Saboroso, grande e suculento, este é o resultado.

Trio de bacon: no mel, enrolando o peru e no arroz Biro-Biro – Foto de Bruno Agostini®

Bacon tem de três tipos: glaceado no mel, enrolado no peito de peru e em forma de arroz maluco.

A picanha de pato é marinada em vinho branco, alho e tomilho antes de ir à grelha – Foto de Bruno Agostini®

Que tal uma codorna, um avestruz, que têm estado excelentes. Daí, peço a picanha de pato, que anda melhor que nunca, uma carne que vai bem tanto com um branco de presença quanto com um tinto encorpado – ou mesmo leve, tanto faz, para este pato, qualquer vinho acho bom. Então, pronto, já topo um tinto.

Entranha com cuscuz de milho e palmito: guarnições bem brasileiras – Foto de Bruno Agostini®

E vou ao bufê novamente, desta vez buscar os quentes. Estou viciado de um lançamento recente, que na verdade é a reedição de uma guarnição que foi foi servida: os chips de raízes brasileiras, com baroa, inhame e batata-doce, que mantém a crocância mesmo durante bom tempo no prato, onde posso moer sal grosso na hora. Também tenho sempre usado o cuscuz, uma excelente farofa de milho, com toque de coentro. E ainda vou nos cogumelos salteados.

Trio infalível de acompanhamentos: tempurá de cebola, farofa de ovos e prussianas – Foto de Bruno Agostini®

É preciso considerar que, das guarnições que vão à mesa, sempre peço o tempurá de cebola, a polenta frita, as fritas prussianas (sempre crocantes, mesmo depois de bom tempo na panelinha de alumínio onde é servida), além do arroz maluco e de alguma farofa, como a Dolabella, ou a Spicy, com Tabasco.  Ah, sim, a salada Caesar eu também peço bastante.

Silva, ao fundo, traz algum corte especial em seu carrinho: em primeiro plano, maminha – Foto de Bruno Agostini®

Aí, começa o desfile de carnes. Devo dizer, que muitas vezes eu paro por aqui, ou como apenas um ou dois pedaços de carne. Nem daria para comer tudo. Assim como o cuscuz e os chips de raízes, o menu carnívoro está sempre com alguma novidade, alguma edição limitada e mesmo alguma coisa sendo testada. Vale sempre perguntar aos passadores, que são os garçom que cuidam das carnes, do preparo ao serviço, como o mestre Silva, o Bento, o Rafael ou algum outro do time de churrasqueiros.

Novidade: o Denver Steak, corte do acém – Foto de Bruno Agostini®

No momento, uma das novidades incorporadas ao rodízio da casa é o Denver Steak, uma parte do acém, carne de sabor nobre, mas sem ser gorda, com sabor carnudo. Vale provar o cowboy steak, como é chamado.

A chuleta, de brazilian angus: corte preferido no momento – Foto de Bruno Agostini®

Meu corte preferido, no entanto, é uma novidade lançada no ano passada, a chuleta, pura maciez e sabor – carne preferida na atualidade.

Corte raro, do diafragma, macio, suculento e muito saboroso – Foto de Bruno Agostini©

Outra espetacular pedida ali que não encontramos tão fácil é a entranha, ou skirt steak, corte muito nobre junto à costela, que também é conhecido como “corte do açougueiro”, por sua raridade, difícil extração e sabor nobre, além de especial textura macia.

Nostalgia: filé com queijo – Foto de Bruno Agostini®

Tem, ainda, um filé com queijo grana padano que tenho apreciado muito em pedir.

Na Palace, você paga o primeiro rodízio e ganha 50% de desconto no segundo no app Duo Gourmet: imperdível! – Foto de Bruno Agostini®

Temos os clássicos platenses, queridos pelos hermanos argentinos e uruguaios, assim como a chamada entrada: asado de tira, bife ancho (amo muito) e bife de chorizo. Que tal um chimichurri, para dar um clima portenho.

T-Bone: destaque entre os cortes anglo-americanos – Foto de divulgação / Fábio Rossi®

Assim como o Denver Steak, há outros cortes anglo-americanos, como prime rib, short rib (outra parte do acém, com osso), T-bone e shoulder steak.

A picanha borboleta: corte especial da casa – Foto de Bruno Agostini®

Assim como a chuleta, evidente que os principais cortes brasileiros são contemplados: a picanha pode vir no espeto ou em forma de bifinhos, mas também corte chamado borboleta, que foi inventado ali, nos anos 1980.

O corte com a gordura nas extremidades foi inventado na Palace, nos anos 1980 – Foto de Bruno Agostini®

Isso porque a carne é cortada assim, com formato que lembra o inseto.

A impecável fraldinha, assada no espeto – Foto de Bruno Agostini®

Maminha, fraldinha… daí, cupim e costelão, para encerramento. Quem sabe repetimos algo.

Castanhas e queijos, para fazer a transição do salgado para o doce – Foto de Bruno Agostini®

Para encerrar, gosto de fazer um pré com castanhas, frutas secas e queijos, pegando ainda algum tipo de mel ou geleia.

Panqueca de doce de leite com vinho siciliano: harmonização perfeita – Foto de Bruno Agostini®

Para a sobremesa? Sorvetes amazônicos e da carioca Vero, quindim com receita do Vinícius de Moraes e um shot de seu uísque preferido, o White Horse. Mas o que mais gosto mesmo é da panqueca de doce de leite. Se for com um vinho doce, tipo esse Planeta Moscato di Noto, da Sicília, ou algum Porto ou Madeira… aí, a coisa fica séria.

O Negroni é feito como manda a regra, com direito a Antica Formula, pra quem quiser – Foto de Bruno Agostini®

Um Negroni? Peça ao Thiago, sommelier da casa, que também pode indicar o vinho, assim como Marcelo e o Daniel, seus colegas amigos de Baco.

Quem sabe um licor: tem até Chartreause…

Não deixe de provar o financier: valem por uma sobremesa – Foto de Bruno Agostini©

O café não pode faltar: repare no petit four, um biscoitinho de castanha-do-Pará extraordinária, que é preparada por um dos maîtres, o Marcondes, que trabalhava na cozinha e ainda faz o docinho, indispensável. Vou ficar duas semanas sem ir. Escrevo este post em homenagem ao amigo Homero Cassiano, do Mitsubá, que me perguntou o que deveria pedir. Mas também estou aqui fazendo este manual de instruções com meu roteiro particular porque estou com saudades. Mas semana que vem estou de volta, para fazer isso que eu mesmo sugiro. Comer na Palace é um barato.

“A Santa Ceia da Bossa Nova”, um ícone da casa – Foto de Bruno Agostini©

Lembrando ainda que a Palace faz parte do guia e aplicativo Dou Gourmet, do qual sou curador no Rio.  Neste caso, funciona assim: os usuários pagam um rodízio inteiro, e o segundo tem 50% de desconto. Para saber mais, clique neste link: www.duogourmet.com.br

 

SERVIÇO
Churrascaria Palace: Rua Rodolfo Dantas 16, Copacabana. Tels.: 2541-5898ou (21) 99993-4696. churrascariapalace.com.br 

 

E MAIS:
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