Palace, modo de usar: a casa pode ser um boteco, uma churrascaria ou um restaurante chique, o cliente decide

Ostras com Chablis, para começar: será que harmoniza? – Foto de Bruno Agostini©
Sempre me perguntam o que pedir na Palace. Depende, mas o mais legal, para mim, é iniciar com petiscos de boteco, entre frios e quentes. Depois ir explorando o universo das carnes, começando pelos pescados e cortes de porco até ir passando por toda a geografia bovina, garfar umas caças, como pato, até culminar com o cordeiro. Aí, eu me sinto mesmo é numa boa churrascaria.
O porco preto, novidade da Palace, e o Vinho Verde Quinta da Lixa Touriga Nacional rosé – Foto de Bruno Agostini©
Quando penso no conjunto da obra, nas saladas e outras guarnições que acompanham as carnes, naquele ambiente chique, na trilha sonora que chama a atenção pelo bem gosto, quando reparo no serviço atento e educado, eu percebo que estou em um grande restaurante. Que está completando 70 anos neste mês de dezembro. E sempre conseguindo se atualizar, através de incansável busca pelos melhores ingredientes, por raridades, produtos de edição limitada, priorizando sempre o artesanal, o brasileiro, o carioca, quando possível.
Isso é a Palace.
Os bolinhos de bacalhau: com azeite e pimenta, ambos dos bons – Foto de Bruno Agostini©
Já tenho um manual de instruções, com itens que nunca faltam no menu, como as ostras, os bolinhos de bacalhau e as casquinhas de siri, que me fazem sentir em um bom boteco.
Também retornou o arenque defumado, servido com maionese de urucum e a sardinha portuguesa. E agora temos na tábua de queijos o excelente Arupiara, da Fazenda Carnaúba, em Taperoá, na Paraíba – produto idealizado por Ariano Suassuna, simplesmente, e ainda tocado pela família do escritor.
Casquinha de siri: não nego nunca – Foto de Bruno Agostini©
Nesta seleção de petiscos eu poderia muito bem estar falando da Adega Pérola, porque tem tudo isso aí por lá. Bolinhos de bacalhau, ostras, porções de sardinhas e arenques, as azeitonas marinadas.
Mas essa lista eu preciso atualizar mensalmente, porque sempre tem novidades entrando no cardápio, e alguns cortes que estão sendo testados, e mesmo ingredientes raros e sazonais, em lotes muito limitados.
Corte raro, do diafragma, macio, suculento e muito saboroso – Foto de Bruno Agostini©
Quando falo de carnes minha percepção sobre a casa já muda: agora estou em uma das melhores churrascarias do país, o tipo de comida mais amada pelos brasileiros e pelos estrangeiros que nos visitam. Uma refeição em um restaurante do tipo é obrigatório no roteiro turístico pelo Rio..
Assim, acompanhei nos últimos meses a chegada às grelhas da chuleta bovina, do T-bone de cordeiro, do porco preto e da barriga suína ao melado com tomilho, por exemplo. Agora estou no aguardo do Bone Steak, um corte do filé mignon com osso, que está sendo produzido por um frigorífico a pedido da casa.
Reforma com projeto de Chicô Gouveia teve inspiração no art-déco – Foto de Bruno Agostini
Para encerrar, tenho cumprido um ritual desde que voltaram ao bufê as castanhas e frutos secos, uma boa variedade de geleias e tipos de mel e alguns novos queijos, como um bom Canastra. Antes da sobremesa, quando a peço, faço um pratinho de pre-desert. Melhor ainda se for com uma taça de Madeira…

 

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