Menu Agostini: um irresistível cardápio regado a Vernaccia na Casa do Sardo

Quando eu criei esse nome, Menu Agostini, convencido por amigos a usar meu próprio sobrenome para um site, uma das ideias veio justamente daí. Falar dos meus lugares preferidos, os que realmente indico com convicção, e fazer uma seleção do que há de melhor no cardápio de cada um. Para fazer posts curtos e diretos (em breve em vídeo também), sugerindo um percurso pelo que cada casa tem de melhor, incluindo o que beber com cada prato. Como explico nesta publicação inicial, é algo que já faço há anos, informalmente, respondendo a pedidos de amigos e leitores, e através de reportagens nos jornais e revistas em que trabalhei, nos blogs que já editei e postagens nessas mídias sociais.

Eu já provei o cardápio quase todo da Casa do Sardo, um dos meus restaurantes preferidos, e posso dizer que aprovei tudo o que provei, daí a dificuldade em escolher o que seria o “menu ideal”, uma maneira de explorar tudo o que a casa oferece de melhor. Escolhi um menu baseado na Vernaccia, uva branca mais popular na ilha da Sardenha. A Casa do Sardo, um dos melhores restaurantes do Rio, acolhedor e delicioso, com excelentes preços. Ali eu me sinto na Itália. Atenção. Por volta de 12h15, 12h30 começa a ter fila na porta. Se não quiser esperar, chegue antes do meio-dia, ou depois de 14h30. Ou, então, fique do lado de fora, e peça um Aperol, por que não?

Seria assim.

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– Bruno, o Sardo cozinha tudo na Vernaccia. Os mariscos, os peixes, os cordeiros…  – assim me disse o amigo Silvio Podda, quando nos sentamos para almoçar um menu marinho, numa tarde quente do final do ano passado, regada a brancos refrescantes da Sardenha, como o Merì, um belo Vermentino di  Sardegna.

Não provei, ainda, cordeiro nem leitão na Casa do Sardo, raramente saio do circuito marinho nesse que se transformou em um dos meus lugares preferidos.

E tendo a Vernaccia como fio condutor do menu (é uma uva popular na Sardenha, que faz vinhos baratos e muito usados na culinária), eu sugiro um percurso em três etapas.

Vôngole al Vernaccia, para começar – Foto de Bruno Agostini

1) Vongôles ao Vernaccia (R$ 48, porção para dois ou três dividirem, como entrada, mas eu como sozinho uma): uma porção de mariscos miúdos em caldo rico e aromático, untuoso, com pão para a gente não deixar sobrar nada. Das coisas mais gostosas que comi em 2018.

O pargo, segundo ato do menu al Vernaccia – Foto de Bruno Agostini

2) Pargo ao Vernaccia (R$ 69, para dois): esse peixe de carne tão rica e saborosa, delicada e que aceita temperos intensos é regada pelo vinho, copiosamente, e nesses sucos de pescados e de Vernaccia, com ervas e outros condimentos aromáticos, aquele nobre escamoso cozinha, assa, se lambuza. O resultado é divino.

3) Cordeiro ao Vernaccia (R$ 68, para dois, servido com risoto al porcini): os carneiros jovens são de criação própria, orgânicos. A marinada no vinho branco cheio de acidez e eletricidade deixa a carne tenra e impregnada de sabor.

O Argiolas Merì Vermentino di Sardegna 2017, importado pela Enoeventos – Foto de Bruno Agostini

Por mim, nesse verão, eu acompanhava isso tudo com uma garrafa de Vermentino di Sardegna…  Ou mesmo, quem sabe, o Nasco di Cagliari Iselis, cheio de acidez, refrescância e com corpo suficiente para o porco. Tipo o Quem quiser, para o cordeiro, pode ir num Canonau, como o, por exemplo. Mas digo e repito: cordeiro fica ótimo com vinho branco, ainda mais quando marinado e/ou preparado com ele.

Tiramisu impecável, dos melhores da cidade, com mascarpone caseiro – Foto de Bruno Agostini

4) Tiramisu (R$ 18). Meu doce preferido, e o que é servido na Casa do sardo é dos melhores do Rio.

Componidori, para encerrar – Foto de Bruno Agostini

Para a sobremesa? Sim. Doce com Vernaccia? Sim, e não. Sugiro um tiramisu, de mascarpone da casa… com uma taça de Campidori (R$ 25).

– O tiramisu é o nosso doce mais vendido, mas a sobremesa mais tradicional da Sardenha é a Seadas (R$ 19) – diz Silvio Podda, em referência ao doce, delicioso (trata-se de um pastel de sêmola recheado com queijo e laranja, com mel e sorvete de pecorino).

Aliás… eles estão com um festival , até sexta, por R$ 98. Tem antipasti frio (atum marinado, carpaccio de peixe e escabeche de peixe), antipasti quente (fritto di mare, mexilhões e vôngoles, culurgiones com bottarga, nhoque negro a Porto Giunco), prato principal (peixe do dia ao ao Vernaccia) e sobremesa (semifreddo de limão).  Os vinhos sardos estão com 20% de desconto. Uma maravilha. Até lá, esqueça o Menu Agostini, e vá nessa, de cabeça. Não há nada melhor neste preço na cidade, vai por mim.

SERVIÇO
Casa do Sardo: R. São Cristóvão 405, São Cristóvão. Tel.: (21) 2501-9848. http://restaurantecasadosardo.com.br/

 

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