Seleção Carioca: dez bares tijucanos que estão entregando maravilhas em vossas casas (parte 1)

A porção de costela: bovina e suína (em versão para uma pessoa, provada na casa) – Foto de Bruno Agostini

Comecei a vida boêmia nos balcões dos botecos da Zona Sul, e no saudoso Rei do Limão, em Teresópolis. Até hoje cultivo verdadeiro amor por lugares como Bracarense, Jobi e Clipper, no Leblon, e num timaço copacabanense: Adega Pérola, Caranguejo (só mesmo salgados e chope no balcão, o restaurante é inacreditavelmente caro), Pavão Azul, Bip Bip, Real Chopp, Cervantes, Aboim (hoje assumiu o apelido Bunda de Fora), Panamá, fora outras legítimos pés-sujos, cujos nomes não eu me lembro e nem vale o esforço da memória – fora o Baalbek, boteco árabe na chiquérrima Galeria Menescal, que foi um dos craques escalados na seleção mundial, que publiquei aqui ontem. Fora as lembranças dos caldinhos do Rei do Limão (feijão, mocotó – adorava misturar os dois) e sua vitrine onde reluziam travessas com torresmos, moelas e rabadas.

Polentinha com rabada: clássico do Bar da Gema – Foto de Bruno Agostini

Hoje, porém, meus botequins preferidos estão espalhados pela Tijuca e Grande Tijuca. São lugares que comecei a frequentar só depois dos 24 ou 25 anos, quando o assunto comes e bebes passou a ocupar a minha vida profissionalmente, e não só nos momentos de vadiagem.

Porquinho de quimono: harumaki suíno imperdível – Foto de Bruno Agostini

Alguns, como o Costelas, só vim a conhecer no ano passado, outros, como o Salete e o Varnhagem, fui pela primeira vez já se vão duas décadas – e nunca, jamais, eu me decepcionei com eles. Em outros, como o Kalango, a comida é tão boa, é tão brasileira, que poderia ser servida á beira da piscina do Copacabana Palace, e faria sucesso com cariocas e forasteiros. A lista tem fenômenos, como o Bar do Momo, o Bar da Frente e o Bar da Gema, que representam a união da tradição botequeira com um tratamento – digamos – atualizado, com seus petiscos bem bolados, seus burgers e outras maravilhas para comer. Temos as refeições certeiras do perfumado Bode Cheiroso, e também o paradisíaco Boteco do Peixe.  Fora o Aconchego Carioca, que está em todas (foi destaque no post de ontem, com uma seleção mundial, apresentando restaurantes com pratos de diversas nacionalidades: já que não podemos viajar, a comida leva a gente pelo mundo: para ler, clique aqui).

Nossa lista tem dez bares, e para não ficar muito texto em cada post, vou dividir em três partes.  Três hoje, três amanhã e quatro no sábado.

Obs.: estou fazendo as listas por ordem alfabética, mas como o Aconchego, que seria o primeiro, entrou na lista de ontem, eu vou deixar para o último post, no sábado, encerrando essa seleção tijucana de botequins que estão levando alegria até vocês.

 

No Bar do Bode Cheiroso tem milanesa de alcatra – Foto de Bruno Agostini

O Perfumado: Bode Cheiroso
Tem PFs monumentais, mas nesses tempos de quarentena, apostam firme nos petiscos. No menu de emergência, há coisas como o chamado “porquinho bodeou” (R$ 25), nacos de pernil empanados na panko, com vinagrete de dedo-de-moça, “o grande encontro” (R$ 23,90), combinando creme de aipim, queijo coalho e farofa de torresmo. Para dar uma incrementada, “crocamabode”:  camarões empanados em castanha-de-caju, com dois molhos, cítrico e maracujá.
Há porções de pernil, moela, sardinha… Também são recomendáveis pastéis (prove o Da Muda, homenagem ao nosso grande Gabriel, com mortadela, catupiry e alho frito, a R$ 7) e sanduíches (pernil, a R$ 14, e linguiça artesanal, R$ 15,50).
Entre os pratos do dia, hoje, tem pernil com maionese (R$ 23), rabada com agrião (R$ 26) e alcatra à milanesa (está entre as melhores milanesas da cidade, a R$ 28).
Entrega própria, nas redondezas, por R$ 5 (quem quiser pode ir lá buscar também). De quinta a domingo. Telefones:  2568-9511.
Abaixo os menus (clique na foto para aumentar).

Coxinha de costelinha suína: precisa explicar como é bom? Foto de Bruno Agostini (do Instagram @brunoagostinifoto – siga também @menu_agostini)

As incríveis: Costelas na Brasa
Que tal um porco à parmegiana? No Costelas tem, isso e muito mais (R$ 49, na vesão aperitivo). Costelas lideram, porém, o número de aparições no menu, que parece ter crescido em tempos de quarentena.  Tem de boi e de porco (R$ 9, cada). Na seção salgados, não podemos deixar de pedir a coxinha de costelinha suína (R$ 30, por seis unidades).  Quem quiser provar as duas costelas da casa, no bafo, pode pedir em versão aperitivo (R$ 55), com batatas rústicas e três molhos (BBQ, lemon pepper e chimichurri). Entre as refeições individuais, arroz de costela bovina (R$ 35) ou a chamada costela completa (R$ 98, para dois – comem três), que pode ser de porco ou boi: vem com arroz branco com crocante de alho poró, farofa de ovos, feijão, batatas rústicas e o trio de já citados molhos.  Tem batidas respeotáveis, de coco e de maracujá: R$ 25 (500 ml).
Estão funcionando de quinta a domingo. Entrega própria, nas redondezas. Tel. 98133-7428 (não aceitam WhatsApp).
Abaixo o menu (clique na foto para aumentar).

 

Bar da Frente: coxinha tamanho mignon e molho de requeijão – Foto de Bruno Agostini

O Infalível: Da Frente
O Bar da Frente até que se esforça para ser modesto, mas não consegue.  Seus petiscos já entraram para a galeria de melhores do Rio, a lista de cervejas contempla os paladares mais exigentes e, quando aberto aos clientes, o clima é agradável e familiar, típico dos melhores botequins. Méritos de dona Valéria Rezende, saudosa, que nos deixou não faz muito tempo, e sua filha, Mariana, que assumiu o comando sem deixar a peteca cair, combinando simpatia, eficiência e o mais importante de tudo, uma cardápio deliciosamente original, essencialmente carioca, acolhedor  como pede a tradição botequeira. Da lavra da dupla nasceram comidinhas que já merecem tombamento, como o fondue de coxinha (R$ 22,60, com quatro, ou 36,90, com oito): são salgadinhos no tamanho exato para ser devorado em duas mordidas, devidamente lambuzados no queijo derretido. Outro ícone da casa é o porquinho de quimono (R$ 22,60, com três, ou R$ 36,90, com seis), um harumaki recheado com costelinha defumada e desfiada, em cremosa preparação com requeijão e umas ervinhas. “No miudinho” é moela em molho, com farofa e pão (R$ 38,90).
Famoso, entre as refeições, com merecimento, é o arroz de puta rica (R$ 79, 90, para dois, até três), preparação molhadinha e robustecida com carne-seca, linguiça, cenoura, milho e outros adereços, monumento da casa, coroado por dois ovos fritos. Também em porções fartas, servem Jambalaya (R$ 99,50), nhoque com carne assada (R$ 79,40), picadinho de mignon (R$ 85,60). Individual, arroz de rabada (R$ 36,90), bem como nos horários de almoço (neste caso,  o nhoque com carne assada sai por R$ 28,80). Sextas, sábados e domingos é possível pedir feijoada e  costelinha com farofa de couve (R$ 82,80, ambos – igualmente para compartilhar).
Estão funcionando de quarta a domingo. Entregam pelo iFood, e também com serviço próprio, no 2502-0176.
Abaixo os menus (clique na foto para aumentar).

 

Continua amanhã, com mais três botecos maravilhosos.

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PARTE 2
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