De Bar em Bar: pra comer ostras em qualquer dia ou hora, o Otra é o lugar

A porção com seis ostras, em três versões diferentes, no Otra Bar – Foto de Bruno Agostini®

Agradeço aos catarinenses. Amante que sou das conchas, fico feliz com o fornecimento regular que hoje encontramos nos bares e restaurantes de ostras frescas, que nos chegam ainda vivas.

Alguns lugares têm dias específicos na semana que servem a iguaria, caso do Coltivi, do Farrapos Wine Bar e do Jojô Bistrô, às quintas.

Em outros elas são mais do que itens diários nos menus, mas também o principal chamariz. Caso do Otra Bar, em Copacabana, que trata as ostras como estrela da companhia. São seis opções, abrindo e abrilhantando o cardápio desta lugar que é uma das grandes novidades deste verão que demorou a aparecer, mas chegou com força. Se popularizou. Está em botecos, como a histórica Adega Pérola, assim como no brunch do Copacabana Palace. Finalmente!

Obrigado, manezinhos do meu coração! Amo Santa Catarina por isso. Sou devoto das ostras. Amém.

Como ostras no inverno de Nova York, inclusive o frio faz bem para elas, e atesto que no Brasil elas são melhores entre maio e setembro.

Porém, comer ostras numa tarde ensolarada em plena praça do Lido, em Copacabana, tem o seu inegável charme. Se tivermos um balde de gelo com um bom vinho ao lado, então, tanto melhor.

Podemos ir na dica da sommelière consultora do Otra, a grande Marina Garritano, que montou uma lista curta e certeira de vinhos. Ela indica o sul-africano

Escrevi sobre isso na última coluna do site You Must Go.

São seis opções de ostras no Otra, cujo nome é mesmo um irreverente trocadilho com esse marisco.

Um trecho da reportagem que foi um trabalho delicioso de realizar:

“Gerente e sommelière do Coltivi e também responsável pela carta de vinhos do Otra Bar, a jovem Marina Garritano também é apreciadora dos naturais e biodinâmicos, que privilegia em suas sugestões.

– Começamos o projeto de ostras e vinhos aqui no Coltivi há mais ou menos um ano. São ostras de manejo sustentável, elas vem de Santa Catarina, e a gente prefere servir as ostras só às quintas. Elas chegam de manhã ou à tarde e vão direto do aeroporto pro restaurante. A gente prefere servir só no dia em que de fato elas chegam ao Rio. A ideia era também, além das ostras, poder oferecer opções de vinhos naturais, orgânicos e biodinâmicos que façam boa harmonização com as ostras. Podemos fugir do mainstrean, podendo brincar com vinhos da Eslovênia ou da Áustria, por exemplo. A ideia é que, semanalmente, eu coloco dois rótulos de sugestão. São vinhos, geralmente, que não estão na carta, que posso testar com os clientes, ou que eu acho que podem ter uma saída interessante. Acontece de 19h à meia-noite, e servimos de duas maneiras, in natura, com limão, e a do chef, que leva ovas de massago, ponzu e nabo ralado com pimenta dedo-de-moça. Tem sempre uma opção mais em conta e outra um pouco mais premium conta Marina Garritano, que foi certeira na sugestão que me fez: .

No Otra, uma das sensações deste verão, na Praça do Lido, as ostras estão entre as especialidades.  Elas podem ser preparadas e servidas de seis maneiras diferentes, incluindo in natura, com limão. A lista mostra cinco variações, e o bom mesmo é provar todas: tem só com gotas de limão, sal e pimenta-do-reino triturada na hora; com cebola roxa, pimenta-de-cheiro, pimentão vermelho, suco de limão Tahiti e coentro; com pesto de alfavaca e castanha de caju; gratinada com queijo parmesão maçaricado e frita, em massa crocante de farinha panko com tonkatsu.

– No Otra eu gosto de harmonizar com o Chenin Blanc da África do Sul, de Neil Joubert – indica Marina, que com isso nos faz lembrar de novo que o Loire é sempre uma harmonização excelente com ostras, com os seus exemplares de Melon de Bourgogne (Muscadet de Sèvre et Maine), Sauvignon Blanc (Sancerre e Pouilly-Fumé) e, é claro, Chenin Blanc (Saumur, Anjou, Savennières). Todos eles perfeitos para as ostras.

Deu vontade de um prato de ostras? Em mim também…”

Em minha visita, como estava só e o Chenin só era vendido em garrafa, fiquei nos drinques. Fui atendido, na mesa alta junto ao bar, pela muito simpática Vanessa Severo, que preparou coquetéis refrescantes e equilibrados, como este da foto, chamado de Purple Haze: harmonizou muito bem, por sinal. Já quero voltar ao grande Otra Bar.

 

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