De Bar em Bar: quiosque De Lamare, boteco bem carioca que traz sabores mediterrâneos e de NYC

O quiosque nasceu da parceria de três amigos – Foto de Rodrigo Azevedo©

Me dava uma tristeza imensa caminhar pela orla de Ipanema e ver aqueles quiosques horrorosos e nojentos, patrocinados pela Kaiser ou pela Coca-Coca, vendendo cerveja ruim e quente, salgados requentados e Elma Chips, além de coco muitas vezes apodrecendo no sol. Era tudo sujo, feio, ruim e caro.

Ainda faltam muitos, mas felizmente a coisa mudou em boa parte deles de uns oito anos para cá – e continua melhorado.
Fiquei feliz quando o Marea foi inaugurado e triste quando fechou. Deu nem tempo de ir…
Porém, há males que vêm para melhor. Em seu lugar, a um pulo do Arpoador, em frente ao Fasano e com o melhor ângulo do Morro Dois Irmãos, nasceu há cerca de dois meses o De Lamare Rio Gastrobar.
Meu amigo David Zylbersztajn me deu a honra de sua companhia no almoço – Foto de Bruno Agostini©
O quiosque tem serviço e cozinha no mais alto nível, como alguns dos melhores novos restaurantes do Rio, com perfil jovem e descontraído. Descolado, como dizem.
Sabendo quem está por trás do negócio a gente logo entende as razões. O trio de sócios é formado por Pedro de Lamare (Gula Gula), David Zylbersztajn (maior autoridade em Petróleo e Gás do país) e Luis Carlos Nabuco (ex-executivo do Bradesco): eles são amigos, amantes da boa mesa, viajados e experientes no mundo dos negócios – David, inclusive, foi o responsável por trazer ao Rio o Rubaiyat.
Holambra, combinação de vodca, maracujá, flor de sabugueiro, suco de cranberry, limão taiti, Tabasco e espuma de gengibre – Foto de Bruno Agostini©
Há boa lista de vinhos, mas eu recomendo mesmo que a gente fique nos drinques. A carta é apresentada assim: “Essa parte é feita de várias partes. Onde cada copo ou taça será preenchido por uma história sobre as “riquezas do Brasil”, cada gole, será acompanhado pela inspiração de Filipe Penno e pelo entusiasmo do De Lamare em trazer crônicas especiais que façam sentido quando dissermos que são mais que drinks”. Vale muito a pena olhar.
Provei alguns, como o Holambra, combinação de vodca, maracujá, flor de sabugueiro, suco de cranberry, limão taiti, Tabasco e espuma de gengibre.
Bloody Mary com croquete de pernil com aioli de páprica defumada? Aceito – Foto de Bruno Agostini©
Chamaram aquela que é das mais gabaritadas e simpáticas profissionais do ramo de hospitalidade do Brasil, a super-super Danni Camilo, que recentemente dirigiu o Hotel Santa Teresa e hoje trabalha em diversos empreendimentos, como a Casa Camolese. Chamaram os jovens chefs Lucas Lemos e Lelena Cesar, que já mostraram ao que vieram logo neste começo: a cozinha está muito boa. Tem um quê de boteco, de Nova York de do Mediterrâneo.
Pastel de camarão na moranga com catupiry: brasileiríssimo – Foto de Bruno Agostini©
O cardápio é variado e certeiro, com clima praiano e carioca, mas também universal. Servido o dia todo, na parte do menu chamada “Para Esperar o Pôr-do-Sol” há friturinhas bem boladas, como pastéis de camarão na moranga com catupiry; lula crocante com maionese de maracujá; croquete de pernil com aioli de páprica defumada; e croqueta de camarão com aioli de limão.
Tiradito de peixe com maçã verde ou lobster roll? Topo os dois – Foto de Bruno Agostini©
Já em “A Vitrine do Mar é Coisa Séria” traz petiscos resfriados, que ficam expostos no balcão – tudo servido com sourdough. Nele há saladas como polvo cítrico com gremolata de endro e hortelã e aioli de páprica defumada; mix do mar (com camarões, lulas e mexilhões ao vinagrete levemente picante); salmão gravlax em fatias servido com picles e creme de raiz forte; lascas de pirarucu com escalivada; sott’olio de cogumelo aromático, com maionese de castanha de caju torrada; salada de cavaca, com cebolete e limão;  e o Mix da Cadeg – tremoços, azeitonas e queijos marinados com raspas de laranja e alecrim. Quem quiser pode adicionar meia burrata.
Polvo cítrico com gremolata de endro e hortelã, acompanha aioli de páprica defumada com burrata – Foto de Bruno Agostini©
Recomendo.
Há espetinhos: camarão com vierge; tentáculos de polvo com batata e aioli de páprica defumada; e barriga de porco glaceada com saladinha aromática.
E também sanduíches: o lobster roll é um brioche tostadinho e recheado com a salada de cavaca; o calamari tem lula crocante envolta em molho de maracujá, aioli, minialface e tomate; enquanto o De Lamare é vegano, com fatias de sourdough tostadas, recheadas de legumes assados, cogumelos, rúcula e maionese de castanha. Sente falta de um bom club sandwich? Há. Com frango crocante, bacon, aioli de limão e salada de minialface e tomate.
Mexilhões e salada de polvo, ao fundo: pode ir sem medo nos pescados – Foto de Bruno Agostini©
Não conhecia os sártens. Reproduzo o menu:
“Pratos rápidos saídos das nossas frigideiras fumegantes. Servidos com fatia de sourdough. • Mexilhões ao molho cremoso de vinho branco e ervas • R$ 83,00 • • Gambas al ajillo – camarões ao alho e limão, levemente picante • R$ 85,00 • • Polvo com brócolis tostados, tomatinho sweet • R$ 98,00 • * Se preferir, transforme em Arroz frito ou Arroz caldoso por R$ 15,00”.
Interessante, voltarei para provar, porque fiquei só nos petiscos e entradinhas, e pratos leves.
Tinha uma longa maratona naquela memorável terça, que começou ali perto, no excelente Café 18 do Forte, no Posto 6, dentro da unidade militar (apenas vá!), passou pela Adega Pérola e terminou numa monumental reunião com 25 chefs, lá na Churrascaria Palace. Foi uma terça retumbante! Memorável mesmo.
Ostras frescas: consulte o garçom – Foto de divulgação / Rodrigo Azevedo©
Mas, ainda no De Lamare… Há ostras frescas (pergunte ao garçom, pois podem acabar, né?). O mesmo vale para a Lagosta grelhada, regada com molho de manteiga e ervas, que serve duas pessoas. Também explorei as entradinhas frias. No caso, o tiradito blanco: lâminas de peixe branco, molho cremoso, dedo de moça, maçã verde e quinoa crocante.
Medalhões de mignon com batatas crocantes
e molho béarnaise – Foto de Bruno Agostini©
Ainda falta muito a provar ali. No setor “Pratos que Você Quer” temos peixe grelhado, purê de cabotiá, cogumelos e espinafre com avelãs na manteiga tostada e três molhos: limão, vierge e roti; medalhões de mignon com batatas crocantes e molho béarnaise; além de um jambalaya arroz frito com sofrito de camarão, frango, barriga de porco, camarões e mexilhão. Sério… Preciso desse jambalaya!!!! E Muito!!!!
Pensa que acabou? Também tem PF, com carne, peixe, frango e até falafel (acho que inédito).
E, ainda, os “Pratos Para Comer Junto”: plancha de frutos do mar (polvo, lula, camarão, peixe branco, funcho, tomate, batatinhas, limão siciliano e vierge); peixe inteiro assado com arroz de azedinha e salada de feijão fradinho e farofa e moqueca baiana, peixe, camarão e banana da terra com arroz e farofa.
Essa dispensa legenda, né? – Foto de Rodrigo Azevedo©
E, para encerrar, que tal uma banana split? Ou um Cremeux? A torta crema de chocolate com caramelo e flor de sal…
Eu fui o primeiro a lançar, no Prêmio Época, a categoria Quiosque, ainda em 2015 (depois a Veja e O Globo copiaram). Provavelmente o De Lamare ganha este ano. Mas também seria forte candidato a novidade do ano. Porque de fato é das melhores.
SERVIÇO
De Lamare: Av. Vieira Souto (quase em frente ao Fasano, no número 80). Tel. 98444-6313. Instagram: @delamarerio
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