De Bar em Bar: Kiko Faria assume a cozinha da Casa Camolese

O chef Kiko Faria e os croquetes de pato com molho de laranja: recomendamos – Foto de Bruno Agostini
Um dos melhores chefs do Rio, e que andava meio sumido ultimamente, Kiko Faria está dando, há 50 dias, expediente na Casa Camolese, e já podemos ver incrível melhora na comida. Mineiro formado nas cozinhas do grupo Fasano, ele consegue unir a melhor culinária do mundo, a italiana, com a mais deliciosa e aconchegante do Brasil, a do seu estado Natal.
Um craque no preparo de carne suína, como bom mineiro, fez a melhor costelinha de toda a minha vida, e uma receita com pé de porco que até hoje me faz salivar, fora suas massas frescas recheadas, os assados com carne de cordeiro e tantos pratos que provei em refeições memoráveis no Quadrifoglio, que viveu o seu melhor momento enquanto Kiko comandava a cozinha.
Bom demais vê-lo em ação na cozinha da Casa Camolese, um bar lindo, no Jockey Club, que sempre teve mais méritos nos assuntos etílicos do que nos culinários: além de ser uma (boa) cervejaria com produção no local (é um legítimo brew pub), tem uma carta de drinques bem montada, e um time ótimo trabalhando atrás do belo balcão, além de uma carta de vinhos bem montada – e uma lista de destilados caprichada. Ou seja, para beber, nunca faltou nada ali. Inclusive o assunto café também é muito bem tratado. O problema era a comida, um tanto irregular a meu ver, e sem identidade. Recomendava, sempre, sobretudo os tábuas de queijo e de charcutaria, com produtos artesanais muito bem escolhidos.
Agora, vale a pena explorar o menu. Porque o Kiko Faria cozinha muito.
Fica a dica.
Negroni impecável, preparado pelo chef de bar Rausley Rodrigues Cler – Foto de Bruno Agostini
Para beber, há criações próprias do chef de bar Rausley Rodrigues Cler, que além de ter uma ótima mão para a preparação de drinques, ainda tem outro talento essencial para um bartender: é simpático e atencioso, de modo que ficar no bar, proseando enquanto se bebe, é uma ótima pedida. Com passagem pelo Paris Bar, onde o conheci, sabe criar drinques equilibrados, entre os mais leves e refrescantes, até os mais sérios, amargos e potentes. Nem todos os drinques clássicos estão na carta, mas os mais importantes são preparados à perfeição. Na minha última visita, fiz uma bateria da pesada, e provei Negroni, Old Fashioned, Manhattan e Martinez, alguns desses servidos por outros membros da equipe de bar, mostrando que não dependemos da presença do Rausley para sermos felizes ali (infelizmente, às vezes isso acontece, com certa regularidade: a cozinha e o bar dependem de seus respectivos “chefes” para funcionarem bem).
Agora eu posso recomendar com entusiasmo uma visita à Casa Camolese. Kiko Faria na cozinha, Rausley no balcão, aquele ambiente lindo, e de frente para a pista do Jockey (corridas aos sábados, domingos, de 14h às 20h; e segundas e terças, das 19h às 23h). Ou seja, temos ali um raro lugar, que reúne boa comida, boa bebida (drinques, cervejas, vinhos e destilados de qualidade), um ambiente realmente muito bonito, incluindo a cozinha aberta e a cervejaria no segundo andar, além de uma vista especial – fora o Manouche, uma casa de shows intimista, no subsolo, com programação sempre interessante.
Agora, sim, a Casa Camolese entrou na nossa lista de lugares que recomendamos, e que vão fazer parte do nosso guia de bares e restaurantes do Rio. Aguardem, que vem coisa legal por aí.
SERVIÇO
Casa Camolese: Rua Jardim Botânico 983, Jardim Botânico. Tel. 21-3514-8200. www.casacamolese.com.br
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