De Bar em Bar: Os Imortais: birosca exemplar de Copacabana investe na coquetelaria

“Visconde de Sabugosa”: os bolinhos de milho com a Red Ale da casa: um boteco que é pau para toda a hora – Foto de Bruno Agostini®

Os Imortais é um boteco que tem tudo para fazer jus ao nome, pelo menos eu torço por isso. Que ele nunca acabe, que alcance a Eternidade, e que seja tombado como patrimônio da nova boemia carioca. Porque merece. Da nova safra de bares abertos nos últimos 10 anos, este é um dos mais importantes por tudo o que é e representa. Fundado em 2012 e prestes a completar uma década, Os Imortais têm tudo o que precisamos em biroscas do tipo. Consegue ser atual, conciliando com um cardápio que flerta com a mais fina tradição dos botequins do Rio.

 

O caldinho de feijão: clássico é clássico, e vice-versa – Foto de Bruno Agostini®

No coração de Copacabana, o mais brasileiro dos bairros, este bar até mudou certos parâmetros mentais que desenvolvi ao longo da vida. Antes de virar cliente da casa eu pensava em Academia Brasileira de Letras quando alguém falava a palavra Imortais. Hoje eu me recordo desta birosca, e logo lembro dos seus bolinhos de milho (com queijo ou calabresa), das coxinhas de frango irresistíveis e insuperáveis, dos tentáculos de polvo e dos caldinhos de feijão, e também da boa lista de cervejas, cheia de IPAs do jeito que eu gosto (são cerca de 50 rótulos, ed dois chopes), além de uma respeitável lista de coquetéis.

 

O cardápio passeia por várias vertentes da cozinha botequeira com acerto na variedade de petiscos e no preparo. Vai de petiscos triviais, mas deliciosos, como o Chico Bento (linguiça com muita cebola e queijo na chapa), a outros originais e criativos, como o trio ternura, com o jiló servido de três maneiras: à milanesa, à parmegiana e na manteiga.

Logo de cara uma especialidade da casa, que foi uma excelente sacada. A seleção de bolinhos. A massa pode ser de arroz ou de feijão (que boa ideia) e a lista de recheios é abundante e certeira. Até no nome. A seção do menu se chama Irmãos Metralha (preto e branco, saca?). São nada menos do que 16 opções de recheios. Vai desde carne-seca com queijo e camarão com requeijão até carne com gorgonzola. Há pastéis que posso recomendar de olhos vendados: gorgonzola e calabresa seria a minha pedida neste momento. Com bastante pimenta, claro.

Coxinha à moda antiga, com o osso saindo da massa: das melhores do Rio – Foto de Bruno Agostini®

A Coxinha da Vovó me obrigou a fazer um imenso esforço de memória para lembrar se existe alguma versão melhor na cidade deste salgado. Não tem. A carne, bem saborosa e molhadinha, com requeijão é envolvida em uma massa delicada e leve, que é bem frita. Peça pimenta, uma IPA e seja feliz.

Do mesmo modo que são imperdíveis As Marias, os bolinhos de milho recheados com ragu de calabresa e empanados no cabelinho de anjo. Ainda na mesma linha, o Visconde de Sabugosa é um trio de bolinho de milho com queijo, servidos com uma espécie de maionese de pimenta.

Maguila: ironia em forma de polvo com batatas ao murro – Foto de Bruno Agostini®

O menu é todo muito interessante. Não poderia faltar um bom polvo, honrando a tradição ibérica dos botequins do Rio. Tem um à vinagrete e uma receita chamada Maguila, com os tentáculos na chapa, com cebola e batatinhas calabresa “ao murro” do lutador de boxe. De novo, recomendo pimenta na parada.

O bartender Thiago Teixeira criou a carta de drinques – Foto de Bruno Agostini®

O bar cresceu, apareceu e cruzou a rua, fazendo uma expansão para o lado par da Ronald de Carvalho (a matriz está no número 147), que enfileira bares e tem animadas noites, com a galera na rua, comendo, bebendo e vendo futebol. Do lado de lá, a estrela são os coquetéis, com carta criada pelo consultor Thiago Teixeira, fera no preparo de drinques.

A carta de coquetéis lançada há três semanas tem os clássicos e também umas dez receitas autorais, como a Besouro Suco, com inspiração no Negroni, uma criação do “atleta de botequim” @bondboteco, com Cachaça Magnífica, Campari e limão siciliano.

Pode apostar com segurança na coquetelaria, entre clássicos e criações de Thiago Teixeira, que é fera – Foto de Bruno Agostini®

Na lista de clássicos, o Negroni é dos melhores da cidade, assim como o Bloody Mary.

Por tudo isso, Os Imortais merecem a Eternidade, todos os louros e reverências. Afinal, nem todo o Boteco se escreve com “B” maiúsculo. Este, sim.

SERVIÇO
Os Imortais: Rua Ronald de Carvalho 147, Copacabana. Tel. 3563-8959.  Instagram: @osimortais.bar

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