Basha: cozinha familiar libanesa de afeto em Copacabana

 

O chef libanês camanda a festa com alegria Foto de Bruno Agostini®

Nicolas Habre dança e serve os clientes com rara alegria. Essa felicidade latente tempera a sua comida com carinho e afeto. É bonito ver seu balé do mesmo modo que é marcante o seu tempero. Sabor e amor definem essa casa libanesa, com certeza.

– Minha mãe teve sete filhos, nenhuma mulher. Então, ela me ensinou a cozinhar, tudo aprendi com ela.  Desde criança sempre gostei de estar na cozinha – lembra Nicolas, visivelmente tocado quando fala nela, e em sua herança culinária que para sorte nossa alcançamos facilmente, bastando para isso nos sentarmos nas mesinhas da varanda do Basha (ali junto à Praça do Lido, onde está o Amir, fundado por ele e sua família, um ícone da cultura e da gastronomia libanesas no Rio).

Ontem era Dia Nacional da Comunidade Árabe, essas pessoas tão importantes na minha formação cultural, gênese do meu interesse pela gastronomia, como escrevi aqui recentemente.

Teve festa, dança do ventre (com a ótima Darah Hamad @darahrj), batucada digna de bloco de carnaval, muita confraternização e um verdadeiro banquete, que fazia parecer que estávamos na casa do anfitrião, e não em um restaurante.

 

Foto de Bruno Agostini
O mouhamara, deliciosa pasta apimentada – Foto de Bruno Agostini®
“Um dos destaques foi a Muhammara, pasta picante de pimentão vermelho com nozes, melado de romã e pimenta de Aleppo, Síria.”, escreveu o amigo Roberto Hirth (em seu Instagram @robertohirth) com quem tive a oportunidade de dividir essa afortunada mesa.
Eu comi de muitas formas: puro, pra quem gosta de pimenta e sabores profundos, com falafel como na foto, com pão árabe, kafta,  e outros elementos constantes dessa noite bem espetacular. Até com charutinhos provei, mesmo que esses cigarros comestíveis pudessem dispensar complemento por tão bons que estavam em garfadas simples. Mas melhor, ficou.
A conserva de rabanete, ácida e crocante – Foto de Bruno Agostini®
Pra mim, tão emocionante quanto foi comer novamente a conserva de rabanete, que desde criança sempre me encantou pela cor rosada que tinge o vinagre deste picles árabe, que faz parte de minha infância e pouco se encontra em restaurantes, porque é comida de casa.
Pastinhas e charutinhos de folha de uva: primeira rodada do banquete festivo – Foto de Bruno Agostini®
A coalhada seca tem cremosidade de ricota de ovelha e um sabor com acidez marcante, com uma untuosidade láctea que arredonda tudo. O babaganuj tem defumado bem presente, produzido pela brasa da churrasqueira, e tem pedaços de berinjela misturados grosseiramente, aquela rusticidade que eleva certos pratos. O charutinho de uva? E o de repolho? Perfeitos.
Quibe cru, cerveja libanesa e muito amor: só sei qye foi assim – Foto de Bruno Agostini®
Quibe cru, cerveja libanesa e muito amor: só sei que foi assim – Foto de Bruno Agostini®
Bebemos Arak de aperitivo e também cerveja libanesa Almaza, para começar a festa.
O Ishtar Obeidy, casta autóctone libanesa – Foto de Bruno Agostini®
Um dos melhores produtores de vinho do mundo, sem dúvidas, para mim, é o Chateau Musar, no Vale do Bekaa, no Líbano. Adoro os vinhos de lá,  mesmo os mais simples. Foi um dos pontos altos os dois brancos da Ishtar, produzidos com castas autóctones, como a Obeidy.
O prato de grelhados – Foto de Bruno Agostini®
Foi com ele em mãos que saboreei uma costeleta de cordeiro de arrepiar, servida com uma kafta de tempero marcante e distinto.
Frutos secos sobre a mesa: do início ao fim – Foto de Bruno Agostini®

Os futos secos da mais alta qualidade chegaram à mesa logo no início do jantar e sobre ela ficaram até o final. Peça para provar as tâmaras carnudas, das melhores que já comi na vida. Foi servida com laban, um tipo de iogurte, para beber, e também damascos gorduchos.

O doce encerrou à altura o banquete memorável – Foto de Bruno Agostini®
“Uma surpresa na sobremesa: ä, kunafa, knafeh, kanafeh, kunafeh, künefe ou kunafah, muitas variações de nome para um só maravilhoso doce árabe feito de vermicelli / cabelinho de anjo / aletria, com queijo, pistache, e água de flor de laranjeira. O chef restaurateur Nicolas Habre começou com a delicatessen Canadian Shop, que aos poucos foi se tornando um restaurante. Em 2002 já havia mesinhas e deliciosos kibes, esfihas, e pratos libaneses. Sucesso, prêmios, e o destino nos fez reencontra-lo 20 anos depois no Basha. Toda sua família trabalha com muito sucesso com culinária árabe. Que alegria!”, continuou Hirth. Faço minhas as suas palavras.
O quibe cru montado em várias camadas, coroado com cebola frita – Foto de Bruno Agostini®
Ontem não teve, mas a casa também serve o famoso quibe montado em camadas, que apreciei numa visita ligeira, em dezembro, para um rápido almoço. Ótima pedida, com certeza. Mas bom mesmo no Basha é ir com fome, calma e em mesa grande, como convém a uma banquete entre amigos.
Foi o que fiz e recomendo. Como sempre digo: #vaipormim!
——–O MENU DA FESTA——-
***Menu Basha por Nicolas Habre***
Homus
Babaganouch
Cualhada seca
Kibe cru
Salsa fatouch
Salsa tabule
Mouhamarra ( pasta de pimentão vermelho?
Mini kebe
Mini burreca de quijo
Mini falafel com molho Tahine
Folha de uva vegetariana e de carne
Repolho recheado de carne e arroz
Kafta na brasa
Costela de cordeiro na Brás
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Bebidas
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Vinho branco libanaise
Arak bebida típica libanaisa
Laban com damasco
E tâmaras
Doce se chama KINEFFE DE NATA E CALDA DE LARANJEIRAS
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SERVIÇO
Basha: Av. Nossa Sra. de Copacabana198, Copacabana. Tel.: 2244-5868. Instagram: @restaurante.basha

 

 

 

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