Feijão com Mocotó: o dueto de caldinhos no Boteco Rainha desperta lembranças do Rei do Limão

O trio de caldinhos da casa: mocotó, feijão e frutos do mar – Foto de divulgação – Alexander Landau®
Com seu apogeu nos anos 1990, em Teresópolis existia um boteco lendário, mínimo no tamanho e imenso na grandeza do que servia, que nos brindava com petiscos típicos da categoria.
Na vitrine aquecida reluziam travessas de vidro repletas de indecências: entre outras sacanagens com nossa dieta, havia rabada com agrião, moela, carne-seca com farofa, costela com batatas, torresmos…
Esses últimos, crocantes e salgadinhos na medida, escoltavam os copos americanos que vinham com as especialidades da casa: os caldinhos. Tinha de feijão, de mocotó – os dois mais populares -, de inhame, caldo verde e de ervilha. Acho que eram esses cinco.
Os caldinhos ficavam armazenados em garrafas térmicas dessas de cinco litros, e derramadas diretamente nos copos. Torresmo e cebolinha eram colocados por cima, mas eu pedia à parte. Jogava um pouco de azeite, muita pimenta, e tomava o caldinho, ora com a colher, depositando um torresmo na hora, para não murchar, ora às goladas, como convém a algo se a gente consome em um copo.
Melhor de tudo era pedir um misto, com caldinhos de feijão e de mocotó, que com texturas diferentes, poucos se misturavam. Que coisa boa. Quantas saudades desse lugar. Sabor inimitável. Eterno. Nunca me esquecerei.
Caldinha de mocotó, guarnições de torresmo e salsinha, azeite, pimenta e chope: querer mais o quê? – Foto de Bruno Agostini®
Feliz fiquei quando visitei pela primeira vez o Boteco Princesa, no Leblon, uma das últimas investidas do chef Pedro de Artagão, o Barão do Leblon – no lugar onde funcionava o Formidable Bistrot, agora na tribuna do Jockey Club, só aos fins de semana, por enquanto.
Espiei o menu de cabo a rabo e fiquei logo animado com a novidade, onde já voltei mais três vezes. Tinha caldinho de mocotó. E de feijão.
Na primeira noite fui só no de mocotó, como sopa restauradora de um longo almoço. Já na segunda vez eu pedi os dois caldinhos, e fiz um mix com eles na mesa. Também reguei com azeite e pimenta, bebi no copo e tomei na colher, com torresmo coroando, e foi muito bom.
Mas não foi igual.
Dueto de caldinhos: como nos velhos tempos na serra – Foto de Bruno Agostini®
Mas foi delicioso, como é este boteco e suas casas mães, o Boteco e o Galeto Rainha, a poucas quadras da João Lira onde está essa Princesa do Bar. Um boteco com alma carioca e cardápio caprichado. O seu filé ao gorgonzola é divino, como já destaquei neste post aqui.
Do que já provei, recomendo ainda, além do chope gelado, e dos dois caldinhos, juntos e separadamente, outro caldinho, que já era hit do Rainha: de frutos do mar. Lindo.
Também provei e aprovei os croquetes de pernil, o sanduíche de milanesa e a muito bem sucedida homenagem à famosa batata frita de Marechal Hermes. Tem fritas e calabresa, como lá na barraquinha de rua, mas nesta birosca a coisa é séria, e um ovo coroa tudo, como se fossem huevos rotos. Afinal, um boteco é também uma bodega.

SERVIÇO
Boteco Princesa: R. João Lira 148, Leblon. Instagram: @boteco_princesa

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