Agenda: Silvio Podda, d’A Casa do Sardo, explora o leitão e o camarão em dois eventos temáticos esta semana

Silvio e seu leitão assado, orgânico e de criação própria – Foto de Bruno Agostini

O italiano Silvio Podda, d’A Casa do Sardo, em São Cristóvão, é um dos mais talentosos, apaixonados e entusiasmados chefs de cozinha que eu conheço. Sua comida me emociona, e a viagem que tive a sorte de fazer com ele para a Sardenha, sua terra natal, no ano passado, foi uma dos mais incríveis de toda a vida. Dez dias memoráveis.

Ouriços vivos, e crus, nos arredores de Cagliari: a “riccia di mare” é tradição local – Foto de Bruno Agostini

Quem pensa que por ser uma ilha os pescados são a única especialidade está muito enganado – embora eu tenha comido, dia após dia, um repertório notável de peixes, mariscos, crustáceos, moluscos e toda a sorte de iguaria marinha, como em nenhum outro lugar no mundo. Era gamberoni rosso, riccia di mare, vongole, bottarga, tonno rosso, aragosta, dentice… Uma festa.

A “Cordula di Agnello Sardo” ou “Trattalia”: miúdos de cordeiro enrolados com suas tripas: incrivelmente bom – Foto de Bruno Agostini

Mas a ilha também é forte quando o assunto são os frutos do terra. Do onipresente queijo pecorino, de ovelha, que nunca falta na mesa, aos cordeiros, leitões de leite e uma imensa variedade de embutidos suínos, passando por carne de cavalo e uma espetada de miúdos de cordeiro, a tratalia, crocante por fora e cremosa por dentro, para citar só algumas das coisas que mais me marcaram, entre tantas.  É a chamada “Cucina pastorale e contadina” (cozinha pastoril e camponesa).

Pães, queijos, embutidos e carnes curadas – Foto de Bruno Agostini

As duas são divinas.

Silvio é craque na cozinha do mar e da montanha, e essa semana ele que está agitando as suas casas com festivais temáticos quase que semanalmente, nos próximos dias organiza dos menus incríveis.

Silvio Podda e seu leitão assado – Foto de Bruno Agostini

O primeiro, dias 15 e 16 agora (terça e quarta) acontece em seu primeiro restaurante, A Casa do Sardo. É a “Festa Italiana: Porchetta e Porchetto Sardo”, parte do festival “Esperando a Primavera”, que ainda tem um menu especial de cordeiro, dias 22 e 23 e o “gnocchi della fortuna”, dia 29, é claro. Para todos as reservas podem ser feitas no telefone (e WhatsApp) do próprio Silvio (21-98299-0988).

“Porchetto arrosto”: traduzindo significa leitão assado (e muito amor em pedaços delicados e crocantes) – Foto de Bruno Agostini

O cardápio está assim, com preço para lá de interessante, especialmente para duas pessoas: R$ 87 e R$ 150. Primeiro o protagonista é o leitão. Para começar, linguiças caseiras de leitão. Depois, a porchetta, aquela incrível preparação, com a carne desossada, bem temperada e enrolada como rocambole. Depois, o porchetto, que é um leitão já maior, assado inteiro, e servido em pedaços (nos dois casos, é de enternecer as carnes saborosas e delicadas e a pele crocante). Depois, o malloreddus Casa do Sardo, que é uma massa típica da Ilha, conhecida também como gnocchetti sardi, que com seu formato de concha rajada absorve o molho – no caso um ragu (de leitão, claro) – como poucas. Para encerrar, a infalível combinação de “pistacchio” e chocolate, em dueto de sorvetes artesanais feitos na vizinha padaria que o chef mantém, do outro lado da rua (Il Pane e Gelato Sardo; tel. 3570-1122).

Será servido das 13h às 22h, para ser apreciado no salão ou em casa, via entrega ou “take away”.

– Para beber eu sugiro o Baiolu Cannonau di Sardegna (R$ 98)  – indica Silvio Podda, sobre este vinho estruturado e marcante (com 15% de álcool), que provamos “in loco”. – Outro vinho fantástico para esses dias é o Argiolas Carignano del Sulcis Cardanera  (R$ 174) – diz o chef.

O Argiolas Merì Vermentino di Sardegna: com acidez e frescor – Foto de Bruno Agostini

Eu ainda acrescento que gosto de leitão também com brancos. Minha dica é o delicioso e refrescante Merí, da Argiolas (R$ 179).

Vale dizer que o Silvio tem uma criação própria e orgânica de leitões e cordeiros, numa fazenda familiar parceira do chef, no interior de São José dos Campos, a caminho de São Francisco Xavier (em São Paulo).

O camarão negro, recheado com tartare do crustáceo – Foto de divulgação / Silvio Podda

O segundo, no próximo final de semana, tem lugar no belo Cais do Oriente, no Centro Antigo, e explora o camarão de várias maneiras:  é “Il Gambero Inamorato” (O Camarão Apaixonado), puro amor em forma de sete pratos com o crustáceo, e mais uma sobremesa.

“Gambero inamorato”, receita original de Silvio Podda: “Vamous mudar esse acompanhamento da foto” – diz o chef / Foto de divulgação / Berg Silva

Vai ter risoto de pecorino com camarão; camarão com porco e homus; lasanha de camarão, escondidinho de camarão; “camarão negro” (massa típica da Sardenha, os culurgiones – neste caso feita com tinta de lula – recheada com tartare de camarão com toque de limão; e farofa de bacon) e o “camarão apaixonado” que batiza o evento (VG envolvido com bacon com louro). Para encerrar, um doce cítrico, chamado limão rosa”. Custa  R$ 98 por pessoa, e acontece dias 18 (sexta, de 12h às 22h), 19 e 20 (sábado e domindo, de 12h às 18h). Reservas no WhatsApp (21-98299-0988).

SERVIÇO
A Casa do Sardo:
Rua São Cristóvão 405, São Cristóvão. Tel.:  (informações, reservas e pedidos, que podem ser feitos também pelo iFood).
Cais do Oriente: Rua Visconde de Itaboraí 8, Centro. Tel.: 2253-5465. caisdooriente-rj.com.br 

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Vôngole al Vernaccia, para começar o “Menu Agostini” d’A Casa do Sardo – Foto de Bruno Agostini

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